Um dos centros comerciais mais conhecidos do Brasil, a Rua 25 de Março, no coração de São Paulo, passou a figurar no radar do governo dos Estados Unidos. Citada em uma investigação comercial contra o Brasil, iniciada na terça-feira (15) pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a região foi incluída na lista de mercados notórios por pirataria e falsificação, com destaque para a forte atuação de comerciantes chineses e até de uma ramificação da máfia chinesa.
O inquérito americano, com base na Seção 301 da Lei Comercial dos EUA, visa apurar práticas consideradas “injustificáveis” e “desleais” do Brasil, segundo o governo norte-americano. A investigação foi anunciada poucos dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros.
25 de Março: da tradição ao problema internacional
Imagem: Paulo Pinto / Agência Brasil
Conhecida como um verdadeiro paraíso para compras populares, a Rua 25 de Março atrai milhares de consumidores em busca de preços baixos. Porém, esse prestígio sempre veio acompanhado de denúncias sobre comércio irregular.
Um relatório divulgado pelo USTR em janeiro já havia colocado a 25 de Março entre os maiores centros mundiais de falsificação e pirataria. O documento mapeou 33 mercados físicos e 38 sites espalhados pelo planeta, e apontou sete centros comerciais específicos da região central paulistana: Shopping 25 de Março, Galeria Pagé, Santa Ifigênia, Shopping Tupan, Shopping Korai, Feira da Madrugada e Nova Feira da Madrugada.
Para as autoridades americanas, a persistência da pirataria nesses locais revela falhas do Brasil em fiscalizar adequadamente e prejudica trabalhadores americanos que dependem de setores baseados em criatividade e inovação.
Por dentro da investigação
A investigação aberta pelos Estados Unidos se apoia na chamada Seção 301, um dispositivo criado em 1974 para permitir ao governo americano responder a práticas consideradas injustas por parceiros comerciais.
O relatório divulgado pelo USTR cita nominalmente a Rua 25 de Março como um exemplo emblemático de “mercado de produtos falsificados que persiste há décadas, apesar das operações de fiscalização realizadas”. O documento também faz críticas ao comércio digital brasileiro, incluindo o uso do Pix, e afirma que a pirataria digital segue sendo um grande obstáculo para a adoção de canais legais de distribuição de conteúdo.
Para os EUA, essas falhas ferem os interesses econômicos americanos e justificam ações mais duras contra o Brasil.
Máfia chinesa por trás do comércio local
Imagem: Joseph Sohm / shutterstock
Um elemento que agrava a situação da 25 de Março é a atuação do chamado Grupo Bitong, uma ramificação da conhecida Máfia Chinesa, ou Tríade. Formado por comerciantes chineses, o grupo controla parte significativa do comércio local, cobrando “proteção” e ameaçando colegas de origem chinesa que se recusam a se submeter às suas regras.
O líder do grupo, Liu Bitong, de 51 anos, foi preso pela Polícia Federal em dezembro de 2024 na fronteira com a Venezuela, após quase oito anos foragido. Ele cumpre pena na penitenciária federal de Boa Vista (RR). Segundo investigações, a atuação do grupo se concentra especialmente na venda de capas de celular e acessórios eletrônicos.
A presença da máfia reforça a percepção externa de que o comércio na 25 de Março funciona à margem da lei e carece de mecanismos eficazes de fiscalização.
Impactos para o Brasil
A citação da 25 de Março em um relatório oficial dos Estados Unidos e a inclusão em uma investigação formal elevam a tensão comercial entre os dois países.
Além das tarifas anunciadas recentemente por Trump, as acusações sobre pirataria e máfia podem servir de base para novas barreiras comerciais ou até sanções específicas a produtos brasileiros.
O episódio também coloca em evidência a necessidade de o Brasil intensificar políticas de fiscalização e combate ao crime organizado nas suas principais áreas comerciais.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.