EUA enfrentam alta histórica no preço da carne bovina após crise do ovo
Os preços da carne bovina nos EUA atingem níveis históricos em 2025 devido à oferta limitada, suspensão das importações do México e tarifas.
Por Helena Serpa
Em junho de 2025, os preços da carne bovina nos Estados Unidos alcançaram patamares históricos, impulsionados por uma combinação de oferta restrita, dificuldades nas importações e uma demanda interna forte. A carne moída registrou alta próxima de 12% em um ano, atingindo US$ 6,12 por libra, enquanto os bifes crus subiram 8%, chegando a US$ 11,49 por libra.
Cenário da oferta
Imagem: Freepik
O rebanho bovino dos Estados Unidos é o menor desde os anos 50, atualmente com aproximadamente oitenta e seis milhões e setecentos mil cabeças de gado e bezerros. Essa queda significativa resulta de vários fatores estruturais, entre os quais se destacam:
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Infestação da mosca-da-bicheira e suspensão das importações mexicanas
Um problema recente agravou ainda mais a situação: a infestação do parasita mosca-da-bicheira no México levou à suspensão das importações de gado mexicano para os Estados Unidos.
Impactos das tarifas e dependência das importações
Além das dificuldades internas, o mercado norte-americano enfrenta barreiras externas que influenciam o preço da carne bovina:
Tarifas sobre carne importada
Os frigoríficos nos EUA dependem da carne magra importada para misturar com a carne mais gorda produzida localmente. Esses cortes vêm principalmente da Austrália e Nova Zelândia, países que enfrentam tarifas de 10%. A situação se complica com o Brasil, que também é um fornecedor e alvo de ameaças de tarifas ainda maiores, a partir de 1º/08, conforme anúncios do governo norte-americano.
Perspectivas para o mercado da carne bovina nos EUA
Especialistas indicam que mesmo com uma leve melhora nas condições climáticas e a recente queda nos preços dos grãos para alimentação animal, a recomposição do rebanho deve levar pelo menos dois anos.
Consequências para o consumidor e para o mercado
Imagem: Freepik
Impacto no orçamento familiar
O aumento nos custos alimentares pode influenciar decisões de compra e hábitos alimentares, especialmente entre as classes média e baixa.
Reação do setor frigorífico
Os frigoríficos precisam ajustar suas estratégias para lidar com a oferta limitada e o aumento dos custos de produção e importação. Alguns podem repassar esses aumentos para o consumidor final, o que intensifica o ciclo de alta de preços.
FAQ
A alta da carne bovina fez os consumidores migrarem para outras proteínas?
Até o momento, não houve migração significativa para outras proteínas como frango ou porco, e nem mudança expressiva no consumo interno entre cortes.
Quanto tempo deve levar para a reposição do rebanho?
A reposição do rebanho deve levar pelo menos dois anos, mesmo com melhora nas condições climáticas e queda no preço dos grãos.
Considerações finais
A alta histórica dos preços da carne bovina nos Estados Unidos é resultado de uma combinação de fatores que vão desde a redução do rebanho nacional até as barreiras comerciais e desafios logísticos na importação. Mesmo diante do aumento significativo dos valores, a demanda interna permanece firme, refletindo a importância cultural e econômica da carne bovina para os consumidores americanos.
Entretanto, essa conjuntura traz impactos diretos no bolso das famílias e pressiona o setor produtivo a buscar alternativas para equilibrar oferta e demanda. A recuperação do rebanho bovino, embora essencial para estabilizar os preços, dependerá de um processo gradual que deve se estender por pelo menos dois anos.
Diante desse cenário, a atenção às políticas comerciais, às condições climáticas e à inovação na cadeia produtiva será fundamental para contornar os desafios e garantir o abastecimento sustentável da carne bovina no país nos próximos anos.
Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.