Preço do aluguel cresce menos, mas acumula 11% de aumento nos últimos 12 meses
Preço do aluguel desacelera em junho de 2025, mas ainda acumula alta de 11,02% em 12 meses, segundo o Índice FipeZAP.
Por Juliana Peixoto
O preço do aluguel residencial no Brasil apresentou nova desaceleração em junho de 2025. Segundo o Índice FipeZAP, houve um aumento médio de 0,51% nos preços de locação no mês, abaixo das altas registradas em abril (+1,15%) e maio (+0,59%). Apesar do ritmo mais lento, o acumulado dos últimos 12 meses ainda impressiona: 11,02% de valorização média, mais do que o dobro da inflação medida pelo IPCA do IBGE, que ficou em 5,35% no mesmo período.
O levantamento do FipeZAP considera os preços anunciados de imóveis residenciais em 36 cidades brasileiras, incluindo as principais capitais. A tendência de desaceleração é observada em diversos mercados, mas o nível ainda elevado de reajustes preocupa inquilinos e especialistas do setor.
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Capitais do Norte e Nordeste lideram aumentos expressivos
Imagem: Billion Photos / shutterstock.com
Salvador tem maior alta do país
Entre as capitais brasileiras, Salvador (BA) registrou a maior valorização dos aluguéis no acumulado de 12 meses, com uma impressionante alta de 22,68%. Logo atrás aparecem Belém (PA) com +19,85%, Porto Alegre (RS) com +18,75%, Fortaleza (CE) com +16,84%, e Cuiabá (MT) com +15,77%.
Esses percentuais expressivos evidenciam uma movimentação regional do mercado de locação, impulsionada por fatores como demanda reprimida, escassez de novas unidades em determinadas faixas de preço e migração urbana.
Cidades do Sudeste apresentam desempenho mais moderado
Nas maiores metrópoles do Sudeste, os aumentos foram menos intensos. São Paulo (SP) teve uma alta de +10,81%, praticamente em linha com a média nacional, enquanto o Rio de Janeiro (RJ) apresentou uma valorização de +9,66%. Já Belo Horizonte (MG) surpreendeu com +13,51%, indicando aquecimento no mercado mineiro.
Brasília é destaque negativo
Na contramão das demais regiões, Brasília (DF) foi a única capital com retração nos preços: -1,54%. A explicação pode estar associada a um equilíbrio maior entre oferta e demanda, além da estabilidade do funcionalismo público, que costuma impulsionar ou frear o mercado da capital federal.
Perfil dos imóveis também influencia na valorização
Unidades com um dormitório lideram alta
A valorização dos aluguéis variou conforme o tamanho do imóvel. Os apartamentos de um dormitório foram os que mais se valorizaram no período, com alta média de +11,91%, impulsionados pela crescente procura entre solteiros, estudantes e jovens casais.
Já as unidades com três dormitórios tiveram crescimento de +10,70%, sugerindo que o segmento de maior metragem, embora ainda valorizado, está menos aquecido. Essa dinâmica revela mudanças de comportamento no pós-pandemia, com maior mobilidade e preferência por espaços menores em regiões centrais.
Imóveis compactos ganham protagonismo
Analistas do setor observam que a alta dos imóveis pequenos também reflete uma nova configuração urbana. “A busca por praticidade, localização e menores custos fixos têm incentivado o aluguel de studios e apartamentos de um dormitório”, explica o economista imobiliário Caio Meirelles. “Ao mesmo tempo, a escassez de lançamentos compactos em determinadas capitais eleva os preços desses imóveis”, completa.
Comparativo anual: maiores e menores variações
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Ranking das maiores altas em 12 meses
Capital
Variação acumulada (12 meses)
Salvador (BA)
+22,68%
Belém (PA)
+19,85%
Porto Alegre (RS)
+18,75%
Fortaleza (CE)
+16,84%
Cuiabá (MT)
+15,77%
Manaus (AM)
+14,57%
Belo Horizonte (MG)
+13,51%
Recife (PE)
+13,29%
Teresina (PI)
+13,15%
João Pessoa (PB)
+12,12%
Capitais com menores variações
Capital
Variação acumulada (12 meses)
Natal (RN)
+11,09%
Campo Grande (MS)
+10,85%
São Paulo (SP)
+10,81%
São Luís (MA)
+10,27%
Curitiba (PR)
+10,03%
Maceió (AL)
+9,92%
Rio de Janeiro (RJ)
+9,66%
Goiânia (GO)
+9,65%
Vitória (ES)
+9,31%
Florianópolis (SC)
+9,18%
Aracaju (SE)
+0,28%
Brasília (DF)
-1,54%
Fatores que explicam a disparada dos preços
Demanda supera oferta em áreas estratégicas
O mercado de aluguel tem sido pressionado por uma combinação de fatores: escassez de imóveis em regiões valorizadas, aumento da procura por conta da migração urbana, crescimento do trabalho híbrido e alta nos custos de manutenção e condomínio.
Além disso, o ambiente de crédito mais restritivo, com taxas de financiamento ainda elevadas, levou muitos brasileiros a adiar a compra do primeiro imóvel, o que aumenta a demanda por aluguéis.
Inflação dos insumos impacta reajustes
Outro fator que colabora para a alta é a inflação dos insumos da construção e da manutenção predial, que acaba sendo repassada aos inquilinos. Mesmo com o IPCA desacelerando nos últimos meses, o impacto acumulado dos últimos anos ainda pesa nos contratos.
Expectativas para o segundo semestre
Apesar da desaceleração pontual em junho, especialistas não preveem uma queda expressiva nos preços no curto prazo. “A tendência é de estabilização lenta, mas sem espaço para grandes reduções, especialmente nas capitais com grande adensamento urbano”, afirma o consultor André Lira, da Lira & Associados.
O comportamento dos próximos meses dependerá de fatores como a política de juros do Banco Central, o ritmo da atividade econômica e o lançamento de novos empreendimentos imobiliários. Para os inquilinos, a recomendação é ficar atentos ao fim dos contratos e às oportunidades de negociação direta com os proprietários.
Imagem: Tero Vesalainen / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.