Milhares de brasileiros com mais de 60 anos ainda podem ter valores esquecidos no antigo Fundo PIS/Pasep. Desde 2020, os saldos remanescentes foram transferidos para o FGTS e estão disponíveis para saque em situações específicas, entre elas a idade. Em 2025, muitos idosos terão o direito de retirar esses recursos, mediante solicitação digital ou presencial, seguindo regras estabelecidas pela Caixa Econômica Federal.
Mesmo após o encerramento do fundo, o saque continua possível para trabalhadores que atuaram com carteira assinada entre 1971 e 1988, bem como para seus herdeiros. Neste artigo, explicamos quem pode sacar, como consultar o saldo, onde fazer o pedido e quais documentos são exigidos.
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O que foi o Fundo PIS/Pasep?
O Fundo PIS/Pasep foi criado na década de 1970 como forma de distribuir parte dos lucros das empresas para os trabalhadores do setor público e privado. De um lado, o PIS (Programa de Integração Social) atendia aos empregados de empresas privadas, enquanto o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) beneficiava servidores públicos.
As contribuições formavam uma espécie de poupança individual em nome do trabalhador. A partir da Constituição de 1988, o modelo foi alterado e as novas contribuições passaram a alimentar o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), responsável pelo pagamento do abono salarial e do seguro-desemprego. Os saldos antigos, no entanto, permaneceram vinculados ao fundo.
Em 2020, a Medida Provisória nº 946 extinguiu formalmente o Fundo PIS/Pasep e transferiu seus valores para o FGTS, onde os recursos ficaram sob gestão da Caixa.
Quem tem direito ao saque em 2025?
Têm direito ao saque os trabalhadores cadastrados no PIS ou no Pasep que exerceram atividade formal entre 1971 e 1988 e que não tenham retirado o valor das cotas anteriormente. Em 2025, o direito continua válido principalmente para:
- Pessoas com 60 anos ou mais (inclusive que completaram essa idade recentemente);
- Aposentados;
- Pensionistas e herdeiros de beneficiários já falecidos;
- Trabalhadores com doenças graves ou em situação de invalidez.
Essas pessoas podem solicitar o saque mesmo que os valores tenham sido transferidos ao FGTS. É necessário apresentar documentação que comprove o direito e a titularidade.
Qual é a diferença entre cotas e abono salarial?
É importante não confundir o abono salarial do PIS/Pasep — pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada — com as cotas do fundo extinto. O abono se refere ao benefício atual, que depende da renda do trabalhador e do tempo de serviço no ano-base.
Já as cotas são os valores acumulados entre 1971 e 1988 e que, na época, não foram sacados por milhões de trabalhadores. Esses valores pertencem ao titular ou aos seus sucessores legais e podem ter sido esquecidos por décadas.
Como consultar o saldo do PIS/Pasep?

Para saber se há valores disponíveis, o cidadão pode consultar pelo:
Aplicativo FGTS
O saldo do antigo fundo foi transferido para contas vinculadas do FGTS. Basta:
- Baixar o app FGTS;
- Fazer login com CPF e senha;
- Clicar em “Saldo Total” e depois em “Extrato por conta”;
- Procurar por “Fundo PIS/Pasep” na lista de contas vinculadas.
Site ou aplicativo gov.br
Outra forma é acessar a conta gov.br e verificar os serviços vinculados à Caixa Econômica. O login único permite acessar dados previdenciários, do FGTS e eventuais pendências.
Atendimento presencial
Caso não tenha acesso digital, o beneficiário pode se dirigir a uma agência da Caixa com os documentos pessoais e solicitar consulta.
Como fazer o saque?
Para o próprio titular
Se o trabalhador estiver vivo e tiver 60 anos ou mais, poderá sacar os valores com apresentação de:
- Documento oficial com foto (RG, CNH);
- CPF;
- Carteira de trabalho (se disponível);
- Número do NIS/PIS (se souber).
O saque pode ser solicitado:
- Pelo aplicativo FGTS (com chave PIX);
- Em agências da Caixa;
- Em casas lotéricas ou terminais de autoatendimento (para valores de até R$ 3.000).
Para herdeiros
Se o titular faleceu, os dependentes ou herdeiros legais podem solicitar o saque apresentando:
- Documento de identidade e CPF do solicitante;
- Certidão de óbito do titular;
- Documentação que comprove vínculo com o falecido (certidão de casamento, nascimento, escritura pública de inventário ou alvará judicial);
- Número do PIS/Pasep do falecido (se disponível).
A Caixa pode exigir reconhecimento de firma e outros documentos complementares, dependendo do caso.
É preciso inventário para sacar como herdeiro?
Não necessariamente. Para valores inferiores a R$ 10.000, a Caixa pode autorizar o saque com uma declaração de consenso entre os herdeiros, acompanhada da documentação básica. Quando não há testamento e os herdeiros estão de acordo, o procedimento é simplificado.
Para valores superiores, pode ser necessário apresentar alvará judicial, especialmente se houver menores de idade ou ausência de consenso entre os beneficiários.
Até quando posso sacar o PIS/Pasep?
Apesar de o fundo ter sido extinto e os recursos transferidos ao FGTS, o prazo para saque das cotas não prescreve, ou seja, não há uma data final para solicitar os valores.
Contudo, o governo pode, no futuro, editar regras específicas para encerrar o processo, o que torna recomendável que os beneficiários façam a solicitação o quanto antes.
Além disso, os saldos não sacados geram rendimento anual, o que significa que o valor disponível pode ser superior ao saldo original, especialmente para quem deixou o dinheiro parado por décadas.
Valores esquecidos: quanto ainda está disponível?
Estima-se que mais de R$ 25 bilhões ainda estejam disponíveis no antigo Fundo PIS/Pasep, aguardando saque por milhares de beneficiários. Muitos desconhecem que têm esse direito ou acreditam que o valor foi perdido. Por isso, campanhas de conscientização têm sido feitas por órgãos públicos e bancos para estimular a retirada.
A Caixa Econômica é a instituição responsável por administrar os saldos, prestar informações e realizar os pagamentos, seja diretamente ao titular ou aos seus herdeiros.
Recomendações para idosos e famílias
- Consulte o CPF pelo aplicativo FGTS ou gov.br mesmo que não se lembre de ter saldo no fundo;
- Converse com familiares mais velhos sobre histórico de trabalho entre 1971 e 1988;
- Guarde documentos antigos, como carteira de trabalho, contracheques e certidões de vínculo empregatício;
- Evite golpes: o saque é feito somente por meio dos canais oficiais da Caixa e nunca exige pagamento antecipado para liberar valores.
O que fazer em caso de dúvidas?
Se houver dúvidas sobre o direito ao saque, o caminho mais seguro é procurar uma agência da Caixa Econômica Federal com todos os documentos em mãos. Os atendentes poderão fazer a consulta pelo sistema e orientar sobre o procedimento adequado, conforme o perfil do solicitante.
Outra opção é ligar para o telefone 111, central oficial da Caixa para informações sobre FGTS e benefícios relacionados ao governo federal.
Conclusão
O saque das cotas do PIS/Pasep por idosos representa uma importante medida de justiça social, especialmente em tempos de dificuldades econômicas. Trata-se de um direito adquirido por milhões de brasileiros que contribuíram com dedicação ao longo de suas vidas e agora podem resgatar valores muitas vezes esquecidos.
A digitalização dos serviços facilita esse processo, permitindo que, com poucos cliques, o cidadão possa saber se tem saldo e solicitar o pagamento. Para os herdeiros, a chance de acessar esse recurso pode significar um apoio importante em momentos delicados.
Em 2025, o acesso ao saldo do PIS/Pasep continua garantido, e é fundamental que a população conheça seus direitos e saiba como exercê-los. A oportunidade de sacar esse dinheiro pode fazer toda a diferença no orçamento de quem mais precisa.
