Bitcoin desacelera neste ciclo: veteranos do mercado e novas dinâmicas explicam a alta tímida
O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mundo, atingiu novas máximas históricas em 2025, mas sua valorização tem sido mais lenta do que em ciclos anteriores. Enquanto investidores esperavam explosões de preço semelhantes às vistas em 2017 e 2021, o movimento atual parece moderado e gradual.
📌 DESTAQUES:
O analista Willy Woo explica por que o Bitcoin sobe tão lentamente neste ciclo. OG whales, ETFs e mudanças no mercado podem estar redefinindo os ciclos da criptomoeda.
O renomado analista on-chain Willy Woo trouxe uma explicação que tem gerado debate entre traders e instituições: a presença de OG whales — investidores veteranos que compraram Bitcoin por menos de US$ 10 ainda em 2011 — estaria freando a escalada do ativo.
Além disso, a entrada de capital institucional via ETFs e mudanças no perfil dos investidores podem estar alterando a dinâmica tradicional do ciclo de quatro anos.
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Por que o Bitcoin está subindo mais devagar neste ciclo?
O papel das OG whales
Segundo Willy Woo, uma parte significativa da oferta de Bitcoin ainda está concentrada nas mãos de investidores que acumularam moedas na primeira década da cripto. Esses detentores, conhecidos como OG whales, adquiriram BTC por valores simbólicos e agora têm lucros potenciais de mais de 10.000 vezes o valor investido.
Cada vez que uma dessas baleias decide vender parte de suas moedas, o mercado precisa absorver volumes gigantescos a preços médios de US$ 110 mil por BTC, o que gera pressão vendedora e exige a entrada constante de novo capital.
Impacto no ritmo de valorização
Woo aponta que esse movimento cria uma espécie de barreira de liquidez:
- Grandes vendas dos OGs impedem altas vertiginosas;
- O preço sobe, mas com necessidade de absorver ordens massivas de realização de lucros;
- O mercado precisa “digerir” esse capital antes de retomar novos patamares.
Bitcoin ainda é um ativo imaturo?
Comparação com o ouro
Alguns analistas atribuem a lentidão da alta ao amadurecimento do mercado. Porém, Woo discorda: o Bitcoin ainda estaria em fase inicial de absorção de capital, diferente de ativos estabelecidos como o ouro.
“Um ativo maduro como o ouro não tem detentores vendendo com lucros de 10.000x”, afirmou o analista.
Enquanto o ouro possui 6 mil anos de história como reserva de valor e está avaliado em trilhões, o Bitcoin, mesmo com cerca de US$ 2 trilhões de valor de mercado, ainda estaria “engatinhando” no processo de maturidade.
O tamanho do mercado comparado a outros ativos
- Bitcoin: US$ 2 trilhões;
- Ouro: cerca de US$ 20 trilhões;
- Mercado de ações globais: acima de US$ 100 trilhões;
- Mercado imobiliário global: cerca de US$ 250 trilhões.
O potencial de crescimento, portanto, continua elevado, mas o caminho é longo.
Ciclos do Bitcoin: ainda valem em 2025?
O ciclo tradicional de 4 anos
Historicamente, o Bitcoin segue um ciclo de quatro anos influenciado pelo halving, evento que reduz pela metade as recompensas de mineração. Esse padrão costuma gerar:
- 1 ano de forte valorização após o halving;
- 1 ano de pico e volatilidade;
- 1 a 2 anos de queda acentuada e consolidação.
No entanto, o ciclo atual parece destoar desse roteiro.
A quebra de padrão em 2024 e 2025
O halving de abril de 2024 deveria impulsionar um grande rally. Mas a realidade foi diferente:
- O BTC atingiu nova máxima antes do halving;
- A valorização foi mais contida, de apenas 1,8 vezes em relação ao pico anterior;
- ETFs e investidores institucionais mudaram a dinâmica do mercado.
O peso dos ETFs e do capital institucional
ETFs de Bitcoin à vista: um divisor de águas
A aprovação dos ETFs à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, injetou bilhões em liquidez no mercado. Pela primeira vez, investidores de varejo e institucionais puderam ter exposição direta ao BTC por meio de fundos regulados.
Esse movimento trouxe estabilidade, mas também reduziu a volatilidade:
- Mais investidores de longo prazo mantêm posições;
- Menos especulação imediata impacta o preço;
- A valorização se torna mais lenta, mas potencialmente mais sustentável.
Instituições mudam o jogo
Universidades como Harvard e Yale, além de grandes fundos de pensão, já alocam parte de seus portfólios em BTC. Diferente de traders de varejo, esses players:
- Buscam retornos consistentes no longo prazo;
- Não liquidam posições diante de volatilidade curta;
- Contribuem para um mercado mais estável e institucionalizado.
Análises divergentes: este ciclo é diferente mesmo?
A visão de quem acredita na mudança
Para analistas como Eric Balchunas, da Bloomberg, a presença de investidores mais estáveis reduz naturalmente a volatilidade.
“Proprietários mais estáveis, preço mais estável.”
Na mesma linha, André Dragosch, da Bitwise, destaca que fatores macroeconômicos — como política monetária dos EUA e apetite institucional — pesam hoje mais do que o halving.
Os que veem semelhanças com ciclos passados
Já a CoinGlass lembra que sinais típicos de fim de ciclo continuam presentes:
- Realização de lucros por detentores de longo prazo;
- Queda no ritmo de entrada de capital novo;
- Sinais de exaustão em indicadores on-chain.
Para esses analistas, o padrão pode até se adaptar, mas não desapareceu.
O futuro do Bitcoin: para onde o mercado pode ir?
Cenários de curto prazo
- Alta moderada: absorção das vendas de OG whales seguida de retomada lenta;
- Correção temporária: queda abaixo de US$ 100 mil caso persistam saídas de ETFs;
- Consolidação: lateralização prolongada antes de novo impulso.
Cenários de longo prazo
- Se seguir trajetória de ouro e outros ativos, o Bitcoin pode chegar a US$ 10 trilhões de market cap na próxima década;
- A absorção das vendas de OG whales pode criar uma base sólida para crescimentos sustentáveis;
- A expansão dos ETFs pode consolidar o BTC como ativo de portfólio padrão em instituições.
Considerações finais
A lenta valorização do Bitcoin neste ciclo não significa fraqueza, mas sim transformação. O mercado está absorvendo as vendas de OG whales, enquanto a entrada de instituições e ETFs remodela a dinâmica tradicional.
O Bitcoin pode estar deixando para trás os saltos explosivos de sua juventude para entrar em uma fase de crescimento mais maduro, estável e consistente. A pergunta que fica é: o investidor está preparado para um mercado menos volátil, mas com potencial ainda mais sólido de longo prazo?
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