Os analistas financeiros voltaram a ajustar suas previsões para a economia brasileira em 2025 e sinalizam um cenário ligeiramente mais favorável. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14), as estimativas para inflação e dólar foram revisadas para baixo, refletindo um otimismo cauteloso dos agentes do mercado. Já as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a taxa básica de juros, a Selic, permaneceram praticamente inalteradas.
A pesquisa Focus é divulgada semanalmente e reúne as expectativas de mais de uma centena de economistas sobre os principais indicadores econômicos do país. A tendência registrada nas últimas semanas reforça a percepção de que o combate à inflação começa a dar frutos, ainda que a meta perseguida pelo Banco Central continue distante.
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O mercado financeiro revisou pela sétima semana seguida a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025. Agora, espera-se que a inflação oficial do país fique em 5,17%, levemente abaixo dos 5,18% previstos anteriormente. Para 2026, a expectativa foi mantida em 4,50%, evidenciando a dificuldade de trazer o indicador para a meta central estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Na semana passada, o Ministério da Fazenda também reduziu sua projeção para a inflação em 2025, passando de 5,0% para 4,9%. Para 2026, o órgão manteve a previsão de 3,6%. A queda gradual na expectativa para os preços reflete, entre outros fatores, o aperto monetário promovido nos últimos anos.
PIB segue estável em 2025, mas sobe em 2026
A estimativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2025 permaneceu inalterada, com expansão prevista de 2,23%, segundo o Focus. Já para 2026, os analistas elevaram ligeiramente a projeção de alta, de 1,86% para 1,89%. Essa leve melhora para o ano seguinte sinaliza que o mercado acredita em uma recuperação sustentável, mesmo que em ritmo moderado.
Apesar das dificuldades impostas por juros ainda elevados, o desempenho do agronegócio, a resiliência do consumo interno e o cenário externo mais estável contribuem para sustentar as previsões positivas para a atividade econômica.
Selic deve seguir alta em 2025
Em relação aos juros básicos da economia, o mercado não espera mudanças substanciais no curto e médio prazo. Para 2025, a projeção para a Selic permaneceu em 15% ao ano, mesmo nível atual. Para 2026, a expectativa segue em 12,50% ao ano, marca que já é mantida há 24 semanas seguidas.
O Banco Central, ao longo dos últimos anos, elevou os juros para conter a escalada inflacionária, e ainda não há sinais claros de espaço para reduções mais agressivas, diante das incertezas fiscais e do comportamento dos preços.
Dólar em queda reforça otimismo
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com
Outro dado que chama a atenção é a revisão para baixo da cotação do dólar no final de 2025, agora prevista em R$ 5,65, contra R$ 5,70 na semana anterior. Para o final de 2026, a projeção também recuou para R$ 5,70, frente aos R$ 5,75 previstos anteriormente.
No acumulado deste ano, a moeda americana já caiu mais de 10% frente ao real, movimento impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pelo fortalecimento dos fundamentos internos. Caso essa tendência se mantenha, o câmbio pode contribuir para aliviar ainda mais a inflação, já que os preços de importados tendem a ceder.
Expectativas do mercado são prudentes
Apesar dos números mais positivos em relação ao início do ano, analistas seguem cautelosos. A inflação segue acima da meta, e a dívida pública ainda preocupa.
Ao mesmo tempo, a manutenção de juros elevados por mais tempo do que se previa inicialmente pode ajudar a consolidar a queda da inflação, mas também limita a retomada da atividade econômica. Por isso, as projeções para o PIB seguem modestas.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.