O Brasil está prestes a alcançar um marco histórico no combate à fome. Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o país está muito próximo de deixar novamente o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
A expectativa é que o anúncio oficial ocorra durante um evento da entidade na Etiópia, na próxima semana. De acordo com o ministro, o país conseguiu retirar da insegurança alimentar severa cerca de 24,4 milhões de pessoas desde 2022.
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Naquele ano, o Brasil contabilizava 33,1 milhões de brasileiros em situação de fome grave. A queda representa uma redução de 85% nesse contingente em apenas dois anos.
“Isso é resultado direto de políticas públicas integradas, entre elas o redesenho do Bolsa Família, que passou a ser uma ferramenta não apenas de transferência de renda, mas de inclusão e proteção social ampliada”, afirmou Wellington Dias em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
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O que é o Mapa da Fome?
O Mapa da Fome é uma classificação elaborada pela FAO para identificar países que enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar. Para que uma nação seja incluída no mapa, mais de 5% de sua população precisa estar em situação de fome crônica.
Brasil já esteve fora do mapa entre 2014 e 2018
Essa não é a primeira vez que o Brasil se aproxima desse feito. Em 2014, após mais de uma década de políticas sociais focadas na erradicação da pobreza extrema, o país foi oficialmente retirado do Mapa da Fome. No entanto, voltou à lista em 2021, após sucessivas crises econômicas, redução de investimentos sociais e os efeitos da pandemia de Covid-19.
Redesenho do Bolsa Família foi decisivo para reverter quadro
Novo formato fortalece vínculo com o Cadastro Único
O atual modelo do Bolsa Família, reformulado em 2023, trouxe mecanismos de maior eficiência, como a vinculação direta ao Cadastro Único. Isso permite maior rastreabilidade das famílias beneficiadas, bem como acesso a uma gama ampliada de programas sociais.
“O cidadão que melhora de vida pode sair do Bolsa Família, mas continua registrado no Cadastro Único. Se ele voltar a precisar, o retorno ao programa é automático, sem filas ou espera”, explicou o ministro.
Mais de 36 programas sociais conectados
Além do próprio Bolsa Família, o Cadastro Único dá acesso a outros 36 programas, como:
- Pé-de-Meia: incentivo financeiro para jovens permanecerem na escola;
- Tarifa Social de Energia Elétrica: desconto na conta de luz;
- Farmácia Popular: distribuição gratuita ou com descontos de medicamentos essenciais;
- BPC (Benefício de Prestação Continuada): garantia de renda para idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Essa integração permite um modelo de proteção mais completo e contínuo, evitando que famílias fiquem desamparadas em momentos de crise.
Meta do governo é sair do Mapa da Fome até julho de 2026
Três anos para reverter uma crise de fome extrema
Segundo Wellington Dias, o governo federal traçou como objetivo retirar oficialmente o Brasil do Mapa da Fome até julho de 2026. Caso atinja a meta, o país terá levado apenas três anos para reverter um dos maiores retrocessos sociais de sua história recente — um tempo recorde, considerando que a primeira saída, entre 2003 e 2014, durou 11 anos.
“A diferença agora é a capacidade de resposta mais rápida. Temos tecnologia, cadastro eficiente e programas integrados que nos permitem agir com mais agilidade e menor desperdício de recursos”, disse o ministro.
Fortalecimento da classe média é reflexo da recuperação social
Saída da pobreza como degrau para a ascensão social
Wellington Dias também destacou que o avanço no combate à fome coincide com o fortalecimento da classe média brasileira. “Não se trata apenas de superar a pobreza extrema, mas de criar condições reais para que famílias melhorem sua qualidade de vida de forma duradoura”, declarou.
Essa transição tem sido viabilizada por meio de políticas que incentivam a qualificação profissional, o microcrédito, o empreendedorismo e o acesso facilitado a serviços públicos essenciais.
Papel do Plano Brasil Sem Fome
Iniciativa articula ações em 24 ministérios
O redesenho do Bolsa Família está inserido no Plano Brasil Sem Fome, uma estratégia multissetorial coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social. A proposta envolve 24 ministérios e articula ações nas áreas de saúde, educação, emprego, habitação e alimentação.
Entre os destaques do plano estão:
- Incentivo à agricultura familiar e compra de alimentos para merenda escolar;
- Criação de cozinhas solidárias e bancos de alimentos;
- Reforço na distribuição de cestas básicas em regiões de maior vulnerabilidade;
- Campanhas educativas sobre alimentação saudável e segurança nutricional.
Avaliação internacional deve consolidar avanço brasileiro
FAO pode reconhecer saída do Brasil já na próxima semana
O anúncio da retirada do Brasil do Mapa da Fome pode acontecer oficialmente durante a reunião da FAO na Etiópia, prevista para o final de julho de 2025. Se confirmado, o feito representará uma vitória política e humanitária de grande peso no cenário internacional.
“Será um reconhecimento importante, mas, acima de tudo, um estímulo para seguirmos fortalecendo o pacto social contra a fome e a miséria no país”, disse Wellington Dias.
Desafios permanecem: fome ainda atinge milhões

Insegurança alimentar moderada ainda preocupa
Apesar da redução da fome grave, especialistas alertam que a insegurança alimentar moderada ainda atinge milhões de brasileiros. Isso significa que muitas famílias ainda convivem com incertezas sobre a origem da próxima refeição ou com alimentação insuficiente em qualidade e diversidade.
A erradicação total da fome, portanto, exigirá continuidade e ampliação das políticas públicas, especialmente em regiões rurais e nas periferias urbanas.
Considerações finais
A proximidade do Brasil em sair novamente do Mapa da Fome é um sinal concreto de que políticas públicas bem estruturadas, como o Bolsa Família, podem gerar resultados efetivos em pouco tempo.
A redução da fome e o fortalecimento da classe média não apenas resgatam a dignidade de milhões de brasileiros, como também criam um ambiente mais estável para o crescimento econômico e social do país.
Com foco em inclusão, eficiência e integração, o redesenho do programa social demonstra que é possível aliar assistência à promoção da autonomia. Se os objetivos traçados forem atingidos, o Brasil poderá servir novamente como referência global na luta contra a fome.
Imagem: Roberta Aline / MDS




