O mercado de apostas esportivas no Brasil vive um momento de explosão econômica. Segundo dados da Receita Federal, entre janeiro e maio de 2025, a arrecadação de tributos das casas de apostas superou R$ 3,026 bilhões. O valor representa mais de 25% da média anual prevista pelo governo e estabelece um novo patamar de relevância para o setor, que já supera, em tributos, setores tradicionais como educação, varejo e indústria.
O mês de maio foi o mais expressivo até agora, com R$ 814 milhões arrecadados, o que estabelece um recorde histórico mensal para a tributação do setor. A expectativa do governo era que a arrecadação anual ficasse em torno de R$ 12 bilhões, considerando a nova regulamentação que passou a vigorar em 2024.
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Setor já supera segmentos tradicionais da economia

Enquanto as apostas arrecadaram mais de R$ 3 bilhões, setores consolidados da economia brasileira apresentaram resultados mais modestos no mesmo período. O setor de educação gerou R$ 516 milhões em tributos, o comércio varejista arrecadou R$ 507 milhões e a indústria de máquinas e equipamentos, R$ 408 milhões.
Para André Baldavira, Head de Marketing da GingaBet, o cenário reflete a maturação de um mercado antes marginalizado. “A regulação trouxe previsibilidade e segurança, o que atrai investimentos e abre espaço para a profissionalização. Ainda há ajustes a fazer, mas o avanço é inegável”, explica.
Regulamentação acelera crescimento do mercado
A regulamentação das apostas no Brasil teve início em 2024, com a sanção do Marco Regulatório dos Jogos e Apostas. O novo modelo passou a exigir licenciamento das operadoras, estabelece regras de publicidade, padrões de segurança e tributação com base no GGR (Gross Gaming Revenue).
Inicialmente, a alíquota do imposto era de 12% sobre o GGR, mas já em 2025 esse valor foi elevado para 18%. Apesar da alta carga, o setor continua em crescimento. Para Igor Sá, CMO e COO da HiperBet, a entrada de novas empresas e a profissionalização do setor ajudam a manter o ritmo de expansão.
“O aumento da carga tributária pode elevar ainda mais a arrecadação, desde que haja um combate eficiente ao mercado ilegal, que ainda desvia bilhões do país”, afirma Sá.
Mercado ilegal ainda drena R$ 10,8 bilhões por ano
Mesmo com os avanços, o desafio do mercado ilegal persiste. Um estudo da LCA Consultores, realizado entre abril e maio com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), aponta que o Brasil ainda perde R$ 10,8 bilhões anuais em arrecadação devido à atuação de plataformas não licenciadas.
Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados apostaram em sites ilegais neste ano, muitas vezes sem saber que se tratava de uma operação clandestina. Além disso, 78% disseram ter dificuldade em identificar se uma plataforma é legal ou não.
“É urgente fortalecer a fiscalização e punir com rigor as plataformas que operam sem licença. O crescimento sustentável do setor passa necessariamente por esse combate”, alerta Igor Sá.
Impostos altos podem impulsionar fuga para plataformas clandestinas

Alex Rose, CEO da InPlaySoft, afirma que a regulamentação é benéfica ao país, mas o excesso de tributos pode se tornar um risco. “O setor gera empregos, movimenta a economia e contribui com impostos. No entanto, se a carga tributária for excessiva, há um risco real de que o usuário migre para o mercado ilegal, que não recolhe um centavo e ainda compromete a concorrência leal”, argumenta.
Fellipe Fraga, CBO da EstrelaBet, concorda. Para ele, os dados de arrecadação são prova de que o setor precisa ser tratado com planejamento. “Mais de R$ 3 bilhões em cinco meses mostram que o mercado é potente. Mas esses valores poderiam ser ainda maiores com ações mais efetivas contra o mercado clandestino”, afirma.
Cultura do jogo responsável ganha importância
Outro aspecto apontado por especialistas é a necessidade de fomentar a cultura do “jogo responsável”. Daniel Fortune, influenciador do segmento e defensor de boas práticas, acredita que o avanço do setor exige também uma nova mentalidade por parte dos apostadores e das operadoras.
“Com a popularização das apostas online, cresce também a necessidade de conscientizar o público sobre os riscos. O jogo responsável é essencial para a sustentabilidade do setor e para a proteção do consumidor”, explica.
Campanhas de educação digital, informações claras sobre riscos e ferramentas de controle de gastos são algumas das medidas defendidas por especialistas para preservar a saúde mental e financeira dos jogadores.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
Se mantido o ritmo de crescimento observado até maio, a arrecadação de tributos com apostas poderá ultrapassar os R$ 7 bilhões ainda em 2025 — e alcançar, ou até superar, a média projetada de R$ 12 bilhões para o ano inteiro.
A expectativa é que o segundo semestre traga ainda mais operadoras licenciadas ao mercado, o que deve ampliar a arrecadação e a concorrência. Paralelamente, o governo estuda medidas para reforçar a fiscalização e dificultar a operação de plataformas ilegais.
“O Brasil tem tudo para se consolidar como um dos maiores mercados regulados de apostas do mundo. Mas isso dependerá da capacidade de equilibrar crescimento, tributação justa e proteção ao consumidor”, conclui Fellipe Fraga.
Imagem: Marko Aliaksandr / Shutterstock.com



