Mesmo em queda, 50 milhões de cheques foram compensados no 1º semestre no Brasil

O cheque continua sendo uma ferramenta de pagamento relevante no Brasil, mesmo diante do crescimento expressivo do Pix e dos meios eletrônicos. De acordo com dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), 50 milhões de cheques foram compensados no 1º semestre de 2025, somando um total de R$ 211 bilhões.

Apesar de representar um recorte importante na economia, o número ainda indica queda de 21,9% em relação ao mesmo período de 2024, quando 64 milhões de cheques foram processados, correspondendo a R$ 236 bilhões.

Os dados têm como base o Sistema de Compensação de Cheques e Outros Papéis (Compe), regulado pelo Banco Central do Brasil (BCB), que monitora todas as transações realizadas com cheques no país.

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Comparativo: cheques x Pix

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Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O contraste entre o uso de cheques e o Pix evidencia a transformação digital no setor financeiro brasileiro. Enquanto os cheques totalizaram 50 milhões de unidades, o Pix registrou 37 bilhões de transações no mesmo período.

O valor total movimentado pelos dois sistemas ultrapassou R$ 13 trilhões, mostrando a predominância dos pagamentos instantâneos na economia.

Além disso, no dia 5 de setembro, o Pix bateu recorde ao registrar 290 milhões de transações em um único dia, somando R$ 164,8 bilhões, reforçando a tendência de digitalização das operações financeiras.

Queda no volume, mas aumento no valor médio

Mesmo com a redução no número de cheques compensados, o valor médio por operação aumentou. Essa tendência indica que os cheques continuam sendo utilizados principalmente para transações de maior valor, como pagamentos entre empresas e fornecedores, ou para compras que exigem prazos maiores.

Segundo Walter Faria, diretor-adjunto de Serviços e Segurança da Febraban, o cheque mantém papel importante em determinados segmentos:

“O cheque ainda é mantido por comerciantes para parcelamentos ou como forma de crédito e pagamento a fornecedores.”

Quem ainda usa cheques

O uso do cheque não se limita a pessoas físicas. As empresas são responsáveis por mais de 50% dos cheques emitidos, geralmente em operações que envolvem fornecedores e pagamentos parcelados.

Entre pessoas físicas, o cheque ainda é utilizado devido a alguns fatores:

  • Confiança mútua entre clientes e lojistas;
  • Condições de pagamento mais vantajosas, como prazos e descontos;
  • Ausência de exigência de limite de crédito disponível, útil para quem não possui cartão ou deseja diluir pagamentos.

Esses fatores mostram que, embora a tecnologia esteja avançando, o cheque ainda atende necessidades específicas do mercado, principalmente em situações que envolvem relacionamentos comerciais de confiança.

Por que o cheque ainda sobrevive

Apesar do avanço das soluções digitais, alguns fatores ajudam a explicar a persistência do cheque no Brasil:

  1. Parcelamentos e crédito: Empresas podem parcelar pagamentos a fornecedores sem precisar de limite de crédito;
  2. Segurança jurídica: O cheque é um documento físico com reconhecimento legal, conferindo segurança para ambas as partes;
  3. Praticidade para valores elevados: Em transações de grande valor, o cheque evita o deslocamento de grandes quantias em dinheiro ou a necessidade de aprovação de crédito imediato;
  4. Confiança e relacionamento: Principalmente entre empresas e fornecedores, onde há histórico de pagamentos regulares;
  5. Integração com processos contábeis: Para empresas, o cheque facilita a conciliação bancária e o registro financeiro.

Esses aspectos explicam por que o uso do cheque não desapareceu, mesmo com a ampla adesão a pagamentos instantâneos.

Impacto da digitalização no mercado financeiro

O crescimento do Pix e de pagamentos digitais trouxe benefícios significativos para a economia, como:

  • Agilidade nas transações;
  • Redução de custos com processamento;
  • Maior inclusão financeira;
  • Acompanhamento em tempo real;
  • Redução do risco de fraudes em dinheiro físico.

Mesmo assim, o cheque continua sendo uma ferramenta complementar, especialmente em negociações que exigem segurança e prazos diferenciados.

Perspectivas futuras para os cheques

Embora o uso de cheques esteja em queda, especialistas afirmam que a ferramenta ainda terá papel relevante, principalmente para:

  • Transações comerciais de médio e grande porte;
  • Empresas que priorizam relações de confiança;
  • Situações em que o crédito instantâneo não é viável.

O diretor da Febraban alerta que, apesar de tendências digitais, a eliminação completa do cheque ainda não é prevista, já que ele atende necessidades específicas de pagamentos parcelados e seguros.

Considerações finais

O cheque permanece no cenário financeiro brasileiro, mas com uso cada vez mais estratégico. Dados da Febraban mostram que 50 milhões de cheques foram compensados no 1º semestre de 2025, uma queda de 21,9% em relação ao ano anterior.

Enquanto isso, o Pix domina as transações diárias, registrando bilhões de operações e movimentando trilhões em valores.

Apesar da digitalização, o cheque não desapareceu, mantendo sua relevância em:

  • Operações comerciais entre empresas;
  • Pagamentos parcelados;
  • Transações de maior valor;
  • Relações de confiança entre fornecedores e clientes.

A tendência é que o cheque continue coexistindo com pagamentos digitais, atendendo necessidades específicas e garantindo segurança para transações mais complexas.

Com informações de: ISTOÉ DINHEIRO

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