Comércio registra nova queda: vendas recuam 0,2% em maio, segundo mês negativo
O comércio varejista brasileiro apresentou retração de 0,2% em maio deste ano, marcando o segundo mês consecutivo de queda, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (8). O resultado frustrou expectativas do mercado, que aguardava um leve crescimento no período.
Apesar do desempenho negativo no curto prazo, o setor ainda acumula alta de 3% nos últimos 12 meses, indicando resiliência em um cenário econômico desafiador. Já no comparativo anual com maio de 2024, o comércio teve crescimento de 2,1% no volume de vendas.
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Queda inesperada no setor varejista
De acordo com a pesquisa mensal do IBGE, o recuo em maio foi sutil, mas veio na contramão das expectativas. Analistas ouvidos pela Reuters previam uma alta de 0,2% no mês, além de um aumento anual de 2,4% — ambos resultados acima dos números efetivamente registrados.
O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, destacou que a queda pelo segundo mês consecutivo, mesmo que pequena, já sinaliza um viés negativo para o setor:
“São dois meses seguidos de queda na taxa muito perto de zero. Mas esse valor perto de zero tem viés negativo para o comércio”, afirmou.
Ele também mencionou que a alta dos juros e o impacto no crédito à pessoa física têm pressionado o consumo:
“Esse é um elemento que fica mais claro nesses últimos dois meses.”
Dia das Mães decepciona em 2025
Tradicionalmente um dos momentos mais fortes para o varejo no primeiro semestre, o Dia das Mães teve impacto limitado este ano.
“O Dia das Mães acabou não tendo um impacto muito forte para o comércio, não houve nada muito claro de influência de Dia das Mães este ano”, ressaltou Santos.
Esse dado reforça a percepção de que o consumidor ainda está cauteloso em razão de juros elevados e inflação resiliente.
Setores que puxaram o recuo
O desempenho negativo do varejo foi puxado por três segmentos específicos:
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: queda de 2,1%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: queda de 2%
- Combustíveis e lubrificantes: queda de 1,7%
Áreas com crescimento
Por outro lado, cinco das oito atividades pesquisadas apresentaram crescimento em maio:
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: alta de 3%
- Móveis e eletrodomésticos: alta de 2%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: alta de 1,7%
- Tecidos, vestuário e calçados: alta de 1,1%
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: alta de 0,4%
No chamado varejo ampliado, que inclui veículos, motos, peças e material de construção, o volume de vendas cresceu 0,3% em maio, com destaque para o segmento de veículos e motos, peças e partes, que avançou 1,5%.
Panorama econômico
Os números do comércio refletem um ritmo mais lento da economia brasileira no segundo trimestre de 2025. Segundo economistas, isso já era esperado, resultado de uma política monetária restritiva para controlar a inflação.
Mesmo assim, fatores como mercado de trabalho aquecido e renda robusta ajudam a evitar uma queda mais intensa.
“O resultado de maio sugere certa acomodação num dos componentes mais relevantes para a atividade brasileira depois de meses de política monetária restritiva. Isso reforça a hipótese que os juros devem permanecer no atual patamar e podem eventualmente até cair já no final de 2025”, avaliou o economista André Perfeito.
O que esperar para os próximos meses
Com a inflação dando sinais tímidos de recuo, há expectativa de que o Banco Central possa reduzir a taxa básica de juros no fim do ano, o que pode aliviar o crédito e estimular o consumo.
No entanto, o cenário internacional instável e as incertezas fiscais internas continuam pesando nas decisões do consumidor e das empresas.
Comércio ampliado mantém desempenho positivo
Apesar do tombo no núcleo do varejo, o comércio ampliado teve alta de 1,1% frente a maio de 2024 e acumula crescimento de 2,4% em 12 meses, mostrando que alguns setores conseguem se sustentar mesmo no ambiente desafiador.
Com informações de: ISTOÉ DINHEIRO