Acumular R$ 100 mil para dar entrada em um imóvel pode parecer uma meta distante, mas é perfeitamente viável com organização financeira e escolha certa de investimentos. Planejar esse objetivo com antecedência permite reduzir os custos com financiamento, além de manter a saúde do orçamento em dia.
Com base em simulações feitas por Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, é possível atingir a marca de R$ 100 mil em 36 meses aplicando em investimentos de renda fixa. A seguir, confira quanto você precisa guardar por mês em três modalidades diferentes.
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Valores mensais necessários para atingir R$ 100 mil
Os cálculos de Marcelo Bolzan consideram três investimentos populares: Tesouro Selic, CDB Prefixado com rendimento de 14,30% ao ano e CDB IPCA+8,3% ao ano. Veja quanto você precisaria aplicar mensalmente em cada um deles por três anos:
Quanto guardar por mês
- Tesouro Selic: R$ 2.351,87
- CDB Prefixado: R$ 2.334,55
- CDB IPCA+: R$ 2.361,16
Dentre essas opções, o CDB Prefixado se mostra o mais vantajoso no momento, pois oferece um rendimento de 1,12% ao mês. Apesar das diferenças pequenas entre os valores mensais, a escolha certa pode trazer mais tranquilidade no futuro.
Estratégia de migração pode ser eficiente
Mesmo que o CDB Prefixado ofereça o melhor retorno atual, ele possui menor liquidez. Por isso, Bolzan recomenda que, próximo do prazo final, o investidor migre os valores para o Tesouro Selic. A mudança proporciona mais liberdade para resgatar o dinheiro e fechar a compra do imóvel com segurança.
Essa transição permite adaptar a carteira sem perder rendimento relevante e ainda facilita o uso do montante no momento certo, evitando perdas por resgates antecipados ou falta de liquidez.
Tributação sobre os investimentos
Todos os investimentos citados estão sujeitos ao Imposto de Renda com alíquota regressiva, ou seja, quanto maior o tempo do investimento, menor a porcentagem cobrada:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Após dois anos, a tributação fica em 15%, aplicada diretamente no momento do resgate ou vencimento. Isso deve ser considerado no cálculo total do montante final disponível.
Vantagens de uma entrada maior no financiamento
Reunir R$ 100 mil antes de comprar o imóvel traz diversas vantagens além da simples redução do valor financiado. Uma entrada maior diminui significativamente o montante dos juros pagos ao banco, tornando o financiamento mais barato no longo prazo.
Além disso, muitos bancos oferecem taxas de juros menores para clientes que dão entrada superior a 20% ou 30% do valor do imóvel, o que pode representar economia relevante ao longo dos anos.
Outra vantagem é a manutenção da estabilidade financeira. Ao financiar um valor menor, as parcelas também são menores, o que impede o comprometimento excessivo da renda mensal. Isso proporciona segurança em situações de imprevistos.
Tesouro Selic: segurança e liquidez
O Tesouro Selic é considerado o investimento mais seguro do país. Emitido pelo governo federal, ele funciona como um empréstimo ao Estado em troca de uma remuneração atrelada à taxa básica de juros, a Selic.
Com liquidez diária, o Tesouro Selic permite que os valores sejam resgatados em até um dia útil. Por isso, é ideal tanto para quem está começando a investir quanto para quem precisa manter o dinheiro acessível, como no caso da entrada de um imóvel.
A principal limitação está na rentabilidade. Se a Selic for reduzida, os rendimentos também caem, o que pode exigir reforços no valor mensal poupado.
CDB Prefixado: retorno fixo e previsibilidade
O CDB Prefixado oferece um rendimento fixo, acordado no momento da aplicação. No cenário analisado, a taxa é de 14,30% ao ano. Isso garante previsibilidade, independentemente das oscilações da taxa Selic.
Esse tipo de investimento é emitido por bancos, o que implica em risco de crédito. Mesmo com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição, o investidor precisa ficar atento à reputação do banco emissor.
Marcelo Bolzan recomenda optar por bancos bem avaliados por agências de risco, com classificação AAA, como os grandes bancos nacionais: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander.
CDB IPCA+: proteção contra inflação
O CDB IPCA+ combina uma taxa fixa com a variação da inflação oficial, medida pelo IPCA. Isso garante que o dinheiro mantenha seu poder de compra mesmo com a alta dos preços.
Assim como o CDB Prefixado, também está sujeito ao risco do banco emissor. É ideal para quem busca proteger o patrimônio da inflação ao longo do tempo e tem tolerância à menor liquidez.
Qual investimento escolher?

A escolha do melhor investimento depende do perfil do investidor e da estratégia adotada. Para quem prioriza rendimento, o CDB Prefixado aparece como a melhor opção no momento. Já para quem valoriza segurança e liquidez, o Tesouro Selic é mais adequado, especialmente nos meses finais da meta.
O importante é começar o quanto antes, manter a disciplina e revisar a estratégia periodicamente. Com consistência, guardar R$ 100 mil em três anos é uma meta perfeitamente alcançável.

