Banco do Brasil e Parati divulgam dados sobre empréstimos consignados para CLT
O crédito consignado para trabalhadores do setor privado com carteira assinada, conhecido como Consignado CLT, atingiu um marco histórico em 2025: mais de R$ 10,1 bilhões foram liberados em empréstimos desde a implementação do programa.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reforçam a expansão acelerada da modalidade que utiliza o FGTS como garantia para oferecer taxas mais acessíveis.
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O que é o Consignado CLT?
Criado oficialmente no fim de março de 2025, o Crédito do Trabalhador, como é chamado pelo governo federal, permite que empregados com carteira assinada tenham acesso a empréstimos consignados com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento. O grande diferencial dessa modalidade é o uso do saldo do FGTS e da multa rescisória como garantias de pagamento, o que reduz os riscos para os bancos e, consequentemente, os juros para o trabalhador.
Inicialmente disponível apenas pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, o programa passou a ser integrado também às plataformas dos bancos a partir de abril, permitindo mais agilidade e diversidade de canais para contratação e simulação.
Ranking das instituições com maiores volumes contratados
O levantamento feito pelo MTE, a pedido da IstoÉ Dinheiro, revelou quais instituições financeiras mais emprestaram dinheiro na nova linha consignada voltada para trabalhadores da iniciativa privada. O Banco do Brasil lidera com folga, seguido por fintechs e instituições tradicionais.
Bancos com maior volume em crédito consignado CLT
- Banco do Brasil – R$ 2,8 bilhões
- Parati CFI (MeuTudo) – R$ 1,5 bilhões
- Facta Financeira – R$ 1,2 bilhões
- Picpay Bank – R$ 1,1 bilhões
- Caixa Econômica Federal – R$ 996 milhões
- Banco PAN – R$ 745,3 milhões
O destaque vai para a Parati CFI, instituição originada como braço financeiro da Americanas e atualmente pertencente à fintech MeuTudo, que tem ganhado espaço no mercado ao oferecer soluções digitais de crédito com foco em trabalhadores da base da pirâmide.
Perfil médio dos contratos
Segundo o MTE, o perfil médio dos empréstimos contratados é o seguinte:
- Valor médio por contrato: R$ 5.434,62
- Valor médio da prestação: R$ 327,28
- Prazo médio: 17 meses
Esses valores indicam que o programa tem atendido majoritariamente trabalhadores que buscam crédito de curto a médio prazo, com parcelas que não comprometem de forma excessiva a renda mensal.
Vantagens do consignado para trabalhadores CLT
A modalidade tem se tornado cada vez mais atraente por uma série de vantagens específicas:
Juros mais baixos
A taxa média de juros informada pelo Banco do Brasil, por exemplo, varia entre 1,46% e 3% ao mês, bem abaixo do que é praticado no crédito pessoal comum, onde os juros superam os 6% ao mês em muitos casos.
Garantia do FGTS
O uso do FGTS como garantia não compromete o saldo do trabalhador, a menos que ocorra inadimplência. Essa segurança adicional atrai os bancos, que se sentem mais protegidos para conceder crédito a um custo menor.
Desconto automático em folha
A quitação direta por meio da folha de pagamento evita atrasos e reduz a inadimplência, além de simplificar a gestão financeira do trabalhador.
Onde e como contratar
Atualmente, o trabalhador pode contratar o consignado CLT de três formas principais:
1. Pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital
- Disponível para Android e iOS
- A solicitação é feita diretamente no app
- As instituições financeiras habilitadas enviam propostas
2. Diretamente com os bancos
- Via aplicativos bancários
- Em agências físicas
- Através de caixas eletrônicos
Esse modelo permite comparar taxas e escolher a melhor oferta, o que aumenta a transparência e a competitividade do mercado.
3. Plataformas online de crédito
Fintechs e financeiras também passaram a integrar a oferta do consignado CLT em seus sistemas, criando alternativas digitais práticas e rápidas.
Troca e portabilidade de empréstimos
Com a liberação do crédito pelas plataformas bancárias, também passou a ser possível a troca de empréstimos antigos — com juros mais altos — por novos contratos na modalidade do consignado CLT. Esse processo, conhecido como portabilidade, já está disponível e será ampliado a partir de 16 de maio.
Segundo o MTE, a data inicial era 6 de maio, mas a mudança foi postergada por questões técnicas, como explicou o ministério em nota conjunta com o Dataprev.
O que muda com a portabilidade?
- O trabalhador poderá migrar dívidas mais caras para o consignado CLT
- Bancos serão incentivados a oferecer juros menores
- A concorrência entre instituições aumentará, beneficiando o consumidor
O ministro Luiz Marinho afirmou que a medida é uma forma de empoderar o trabalhador, que poderá optar pela instituição que oferecer as melhores condições, inclusive migrando de empréstimos como o CDC (Crédito Direto ao Consumidor).
Estados com maior volume de empréstimos
O programa tem tido adesão crescente em todo o país, com destaque para os estados mais populosos. Os cinco maiores volumes por estado são:
- São Paulo — R$ 2,6 bilhões
- Minas Gerais — R$ 853,3 milhões
- Rio de Janeiro — R$ 835,8 milhões
- Paraná — R$ 681,4 milhões
- Rio Grande do Sul — R$ 677,1 milhões
A concentração em regiões com maior formalização do mercado de trabalho mostra que há espaço para expansão em estados do Norte e Nordeste, onde a penetração ainda é menor.
Expectativas e próximos passos

Com mais de 35 instituições financeiras já executando operações e mais de 70 habilitadas, o programa tende a crescer rapidamente. A liberação da portabilidade deve impulsionar ainda mais os volumes em maio e junho, além de intensificar a concorrência no setor de crédito.
Especialistas avaliam que o programa é uma ferramenta relevante de inclusão financeira, especialmente para trabalhadores que tradicionalmente enfrentam dificuldades para obter crédito a juros baixos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital