Correios anunciam leilão de imóvel histórico que foi sede em Salvador
Correios realizam leilão eletrônico em 5 de agosto para vender antiga sede em Salvador. Imóvel de 35 mil m² tem lance mínimo de R$ 109 milhões.
Por Juliana Peixoto
Os Correios anunciaram uma nova tentativa de vender sua antiga sede em Salvador, localizada no bairro da Pituba, área nobre da capital baiana. A licitação eletrônica está marcada para o próximo dia 5 de agosto, e o lance mínimo exigido é de R$ 109.390.000,00. O terreno, que ocupa quase 35 mil metros quadrados, abriga um complexo de edificações e é considerado um dos ativos imobiliários mais valiosos da estatal.
Essa será a 17ª tentativa de venda do imóvel. Embora três propostas tenham sido registradas no último leilão, nenhuma atingiu o valor mínimo exigido. Desde o encerramento das atividades no local, em 2018, os Correios enfrentam dificuldades para repassar o bem ao setor privado.
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O terreno fica situado em uma das áreas mais valorizadas de Salvador. O complexo reúne diversas estruturas: um edifício empresarial com 20 andares, uma edificação anexa de quatro pavimentos, um auditório, um restaurante, três portarias, áreas de estacionamento e pátios de manobra.
Ao todo, a área construída ultrapassa 47 mil metros quadrados, o que representa um enorme potencial para empreendimentos comerciais, corporativos ou residenciais de alto padrão. O conjunto foi projetado para abrigar toda a operação logística e administrativa dos Correios no estado, mas teve suas funções desativadas após um processo de reestruturação da empresa.
Queda de preço e dificuldades no mercado
De R$ 248 milhões para R$ 109 milhões em sete anos
Quando decidiu fechar a sede em 2018, os Correios chegaram a listar o imóvel por R$ 248 milhões. Com o passar dos anos e a dificuldade de encontrar compradores, o valor foi sendo progressivamente reduzido até alcançar o patamar atual, menos da metade do pedido inicial.
Segundo especialistas do setor imobiliário, o principal desafio está em conciliar o valor de mercado com o porte e o perfil da edificação. Imóveis dessa magnitude exigem grandes investimentos para adaptação ou reconversão, o que limita o número de interessados. A demora também acarreta custos de manutenção e depreciação natural da estrutura.
Como participar do leilão
Imagem: SERGIO V S RANGEL/ shutterstock.com
Procedimento eletrônico via Banco do Brasil
O leilão será realizado de forma eletrônica pela plataforma Licitações-e, do Banco do Brasil, sob o número de licitação 1074869. Para participar, os interessados — pessoas físicas ou jurídicas — devem se cadastrar previamente na plataforma. Após o cadastro, é possível enviar propostas até o dia da disputa.
Além disso, a visita técnica ao imóvel está liberada até 1º de agosto, com agendamento prévio. As visitas podem ser realizadas de segunda a sexta-feira, das 9h às 10h e das 14h às 16h. O contato pode ser feito pelos telefones (71) 3346-2396 (Pedro) ou (71) 3346-2627 (Marileide).
Transparência e desestatização
A venda faz parte da política da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de reduzir custos operacionais e desmobilizar ativos improdutivos. Em linha com a política de racionalização de bens da União, a estatal tem intensificado a oferta de imóveis considerados excedentes.
Desde 2020, os Correios vêm adotando uma estratégia mais agressiva na alienação de imóveis, motivados pela necessidade de ajuste fiscal e modernização da estrutura organizacional. Leilões semelhantes já ocorreram em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.
Potencial de transformação urbana
Especialistas apontam vocação mista para o local
Com localização privilegiada, entre áreas residenciais e empresariais da Pituba, o terreno desperta o interesse de investidores que enxergam oportunidades em centros comerciais, condomínios verticais e hospitais privados. A versatilidade da área e a infraestrutura já existente reduzem parte do custo para futuras obras.
Para o urbanista e consultor imobiliário Vinícius Guerra, “a área tem perfil para receber um complexo multifuncional com torres residenciais e corporativas, aproveitando a verticalização do entorno e a demanda crescente por espaços integrados”.
O desafio da valorização
Apesar de todo o potencial, o imóvel ainda não conseguiu atrair um comprador disposto a pagar o valor pedido. A expectativa é que, com a nova rodada de licitação e o ajuste de preço, finalmente seja possível concluir a transação.
Se vendida, a área pode representar uma mudança significativa no perfil urbano da região, além de gerar receita expressiva para os cofres dos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras nos últimos anos. A empresa tem priorizado investimentos em logística e digitalização de serviços postais, deixando de lado ativos físicos considerados obsoletos.
O que esperar do leilão
A licitação marcada para 5 de agosto pode ser decisiva para o futuro do imóvel. Caso algum lance atinja o valor mínimo ou o supere, os Correios terão dado um passo importante na sua estratégia de enxugamento de despesas e renovação patrimonial.
Para o mercado imobiliário de Salvador, a eventual venda representa uma das maiores transações dos últimos anos, com potencial de redefinir o uso urbano de uma área estratégica, além de impulsionar investimentos no setor da construção civil.
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.