Demanda por crédito subiu 1% em maio frente a abril, aponta Neurotech
A busca do consumidor brasileiro por crédito registrou aumento de 1% em maio de 2025 em comparação com o mês anterior, conforme aponta o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC). Embora o indicador tenha recuado 0,6% na comparação com maio de 2024, o resultado é considerado moderado e não altera a perspectiva positiva para o setor neste ano.
Segundo a Neurotech, empresa especializada em soluções de inteligência artificial aplicada ao mercado financeiro, o setor financeiro foi o destaque em maio, com crescimento expressivo de 25% na procura por crédito em relação ao mesmo mês do ano passado. No varejo, o avanço foi de 9% no mesmo comparativo.
Apesar do leve declínio interanual, o cenário segue positivo e alinhado às previsões de expansão do crédito para o segundo semestre. A expectativa do Banco Central, inclusive, foi recentemente revisada para cima: agora se projeta um crescimento de 8,5% no volume total de crédito concedido no país em 2025.
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Setor financeiro lidera crescimento na demanda
O setor financeiro registrou o maior salto na procura por crédito em maio, impulsionado por consumidores em busca de linhas de financiamento para consumo pessoal, renegociação de dívidas e investimento em pequenos negócios.
De acordo com Natália Heimann, líder da Business Unit de Dados & Analytics para Crédito da Neurotech, o resultado confirma a retomada gradual do apetite por crédito, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. “O crescimento contínuo mês a mês mostra resiliência da demanda, apesar do aperto monetário. A queda em relação a 2024 é pontual e não preocupa”, afirma a executiva.
Ela destaca ainda que, diferentemente do observado em outros momentos de retração mais acentuada, o movimento atual não sinaliza mudança de tendência, mas sim uma leve oscilação dentro de um contexto ainda de expansão.
Pequenas empresas puxam a demanda no setor produtivo
O comportamento das empresas frente ao crédito também apresentou nuances importantes. Enquanto médias empresas (com faturamento de até R$ 300 milhões anuais) registraram queda de 29% na demanda, as pequenas empresas (faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano) apresentaram crescimento robusto de 37,7% em maio ante o mesmo mês do ano passado.
Entre as microempresas, com receita de até R$ 360 mil anuais, a alta foi de 9%. Já as grandes empresas, com receita superior a R$ 300 milhões, tiveram aumento modesto de 1,1% na procura por financiamentos.
Esses dados refletem, segundo analistas, a maior sensibilidade das médias empresas ao custo do crédito, enquanto pequenas e micro estão apostando na expansão ou no capital de giro com base em expectativas otimistas para o segundo semestre.
Varejo também registra alta na procura
O setor varejista mostrou avanço de 9% na demanda por crédito, sustentado principalmente pelo financiamento de bens duráveis e crédito pessoal em redes de varejo. Apesar do crescimento mais modesto frente ao setor financeiro, a alta é considerada significativa, pois reflete melhora na confiança do consumidor.
A Neurotech também aponta que a digitalização de processos e a maior oferta de crédito com base em dados e algoritmos de risco têm impulsionado a adesão ao crédito por parte dos consumidores no varejo, mesmo em um ambiente econômico de cautela.
Perfil do consumidor e concessão de crédito
O INDC não mede apenas a concessão, mas o volume de consultas feitas por empresas, financeiras e varejistas sobre potenciais tomadores de crédito. A Neurotech, pertencente à B3, explica que essas consultas envolvem análise de perfil, capacidade de pagamento e risco de fraude.
“Nem toda consulta vira uma concessão. O comportamento do consumidor pode indicar interesse, mas é a análise de crédito que define a liberação”, destaca Natália Heimann.
Os critérios considerados pelas instituições envolvem não apenas o histórico de crédito, mas também o contexto socioeconômico do solicitante, dados cadastrais e até mesmo análises preditivas feitas com base em big data e inteligência artificial.
Expectativas seguem positivas para 2025
Mesmo com a variação negativa de 0,6% na comparação entre maio de 2025 e maio de 2024, especialistas consideram que o cenário geral é de avanço. O índice tem mostrado elevações consecutivas desde o final de 2023, o que consolida uma tendência de recuperação do mercado de crédito no Brasil.
Com a expectativa de queda gradual da taxa Selic ao longo do segundo semestre, o mercado antecipa um aquecimento ainda maior na busca por crédito. Para a Neurotech, o comportamento das pequenas empresas e o dinamismo do setor financeiro devem ser os principais vetores desse crescimento.
Com Informações de: Info Money
Imagem: Canva