O mês de abril de 2025 trouxe um cenário misto para a demanda por crédito no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC), houve uma queda de 2% em relação ao mês anterior. No entanto, ao se comparar com abril de 2024, o indicador aponta uma alta de 2,6%, reforçando a resiliência do mercado de crédito mesmo diante do cenário de juros elevados.
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Entenda o que é o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC)
Metodologia e abrangência
O INDC é um indicador mensal criado pela Neurotech, empresa especializada em soluções de inteligência artificial aplicada a negócios. O índice mede o volume de solicitações de financiamento realizadas em segmentos como o varejo, bancos, financeiras e outras instituições de crédito.
A metodologia leva em conta a quantidade de propostas de crédito feitas por consumidores e empresas, oferecendo um termômetro preciso sobre o apetite por financiamento no país.
Importância para o mercado
O INDC é acompanhado de perto por analistas, investidores e pelo próprio governo, pois antecipa tendências de consumo, nível de endividamento e saúde financeira dos diferentes setores da economia.
Desempenho da demanda por crédito em abril de 2025
Queda de 2% em relação a março
O recuo de 2% no mês de abril marca o segundo mês consecutivo de queda no índice. Em março, o INDC já havia registrado um recuo de 3,9%, sinalizando um freio momentâneo na busca por financiamentos.
Alta de 2,6% na comparação anual
Apesar da retração na margem, o desempenho anual mostra um crescimento de 2,6% em relação a abril de 2024. Esse aumento, segundo os analistas da Neurotech, reforça que a tendência de longo prazo permanece positiva.
Setores que impulsionaram o crescimento
Bancos e instituições financeiras lideram a alta
O principal destaque foi o setor bancário, que apresentou um crescimento expressivo de 27% na demanda por crédito em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse resultado surpreendeu o mercado, considerando o cenário de juros elevados.
Varejo também mostra crescimento
O varejo também contribuiu positivamente, com um aumento de 2% nas solicitações de crédito em relação a abril de 2024. Especialistas atribuem esse movimento à recuperação gradual do consumo e a campanhas promocionais de grandes redes varejistas.
Impacto do aumento da taxa Selic
Nova elevação da Selic para 15% ao ano
Em meio ao ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024, o Banco Central elevou novamente a taxa Selic, que agora atinge 15% ao ano. O juro básico da economia acumula alta de 4,5 pontos percentuais desde o início do ciclo.
Reflexos na concessão de crédito
O aumento da Selic eleva o custo do crédito para empresas e consumidores. Mesmo assim, a líder da unidade de Dados & Analytics para Crédito da Neurotech, Natália Heimann, observa que as operadoras de crédito seguem resilientes.
“Obviamente os juros ‘travam’ um incremento mais significativo, porém, percebemos que as operadoras de crédito, em geral, se mantêm resilientes neste momento”, afirma a executiva.
Estratégias para facilitar o acesso ao crédito
Segundo Natália, há um esforço do setor financeiro para tornar o crédito mais acessível, por meio de melhores condições de negociação, flexibilização de prazos e ampliação de linhas específicas para pequenos negócios.
Análise por porte de empresas
Pequenas empresas lideram a demanda
No recorte por porte empresarial, as pequenas empresas (com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões) foram as que mais buscaram crédito, com uma alta de 31,6% em relação a abril de 2024.
Esse crescimento é interpretado como reflexo da maior vulnerabilidade desse segmento a oscilações econômicas, além da busca por capital de giro em tempos de juros altos.
Grandes empresas apresentam crescimento moderado
As grandes empresas (com faturamento anual superior a R$ 300 milhões) registraram aumento de 2,4% na demanda por crédito, indicando uma postura ainda cautelosa, mas com tendência de retomada.
Queda entre micro e médias empresas
Em contrapartida, as microempresas (faturamento de até R$ 360 mil) tiveram queda de 8% na busca por financiamentos. Já as médias empresas (faturamento entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões) apresentaram recuo de 10,2%.
Esse comportamento pode ser explicado pela maior sensibilidade desses segmentos ao aumento das taxas de juros e às restrições de crédito impostas por algumas instituições financeiras.
Perspectivas para os próximos meses
Tendência de estabilidade na demanda
De acordo com a Neurotech, o cenário para os próximos meses é de estabilidade moderada, com possibilidade de recuperação gradual caso o Banco Central sinalize uma flexibilização na política monetária.
Possíveis alívios com programas de crédito
Além disso, o governo federal tem anunciado novos programas de crédito voltados para pequenas empresas e famílias de baixa renda, o que pode impactar positivamente os números do INDC nos próximos levantamentos.
Programas como o Desenrola Pequenos Negócios e o FGI PEAC (Fundo Garantidor para Investimentos) estão entre as iniciativas que buscam facilitar o acesso ao crédito em 2025.
Repercussão no mercado financeiro

Expectativas de analistas
O mercado financeiro acompanha de perto os resultados do INDC, já que o volume de crédito impacta diretamente o consumo, a produção industrial e o PIB.
Analistas apontam que o desempenho positivo nas comparações anuais sugere que, apesar do ambiente de juros altos, o mercado de crédito continua encontrando espaço para crescimento, especialmente no setor bancário.
Setores que podem se beneficiar
Setores como o de bens de consumo duráveis, construção civil e serviços financeiros podem ser beneficiados caso a tendência de recuperação da demanda por crédito se mantenha.
Imagem: Neurotech/Reprodução