Mundial de Clubes faz dólar disparar entre as moedas mais negociadas por brasileiros em 2025
O dólar norte-americano manteve sua posição como a moeda estrangeira mais transacionada por pessoas físicas no Brasil durante o primeiro semestre de 2025. Segundo o levantamento divulgado pela Travelex Confidence, maior especialista em câmbio do mundo, a divisa dos Estados Unidos representou 51,3% do volume total de papel-moeda vendido nesse período.
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Participação do dólar no mercado cambial brasileiro

A pesquisa considerou o volume total de vendas de papel-moeda para clientes da Travelex no Brasil, abrangendo as operações entre janeiro e junho de 2025. Apesar de registrar uma leve queda de 0,6% na comparação com o segundo semestre de 2024, o dólar cresceu 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando sua estabilidade como moeda internacional de referência.
Crescimento em junho impulsionou resultados semestrais
Mais especificamente, o desempenho da moeda em junho foi determinante para os resultados positivos do semestre. O volume de dólares vendidos nesse mês superou em 19% o volume de abril, além de apresentar aumento de 38% em relação a junho de 2024 e 16% quando comparado à média do ano passado.
Para Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex Confidence, fatores conjunturais explicam o aumento da demanda pela moeda norte-americana no período.
Fatores que influenciaram a procura pelo dólar
“O Mundial de Clubes da FIFA, realizado nos Estados Unidos entre junho e julho, estimulou a compra antecipada da moeda, especialmente por torcedores e famílias que aproveitaram para estender a estadia para lazer. Além disso, os EUA seguem sendo um dos principais destinos turísticos internacionais para os brasileiros”, afirmou Arbex.
Impacto do turismo e eventos esportivos
Esses aspectos demonstram que o dólar não apenas mantém sua relevância econômica, mas também cultural e social, impactando diretamente no comportamento de compra das pessoas físicas que buscam se preparar para viagens internacionais.
Ranking das moedas estrangeiras mais transacionadas no Brasil em 2025
Além do dólar, outras moedas estrangeiras destacaram-se no ranking divulgado pela Travelex Confidence, apresentando variações importantes tanto no volume transacionado quanto na preferência dos brasileiros.
Principais moedas e suas participações no mercado
| Moeda | Participação no 1º semestre 2025 | Variação semestral (R$) | Variação anual (R$) |
|---|---|---|---|
| Dólar (USD) | 51,3% | -0,6% | +2,6% |
| Euro (EUR) | 39,8% | -1,8% | -4,6% |
| Libra Esterlina (GBP) | 3,0% | -18,5% | -19,5% |
| Dólar Canadense (CAD) | 2,2% | -4,8% | -15,7% |
| Iene (JPY) | 1,3% | +0,1% | -11,3% |
| Franco Suíço (CHF) | 0,6% | -0,2% | -0,6% |
| Dólar Australiano (AUD) | 0,6% | -19,6% | -22,7% |
| Peso Chileno (CLP) | 0,5% | -36,2% | -7,3% |
| Peso Argentino (ARS) | 0,4% | +13% | +101,9% |
| Peso Colombiano (COP) | 0,3% | +17,3% | +10,7% |
Fonte: Travelex Confidence
Destaques do semestre: pesos argentino e colombiano
O peso argentino teve um crescimento expressivo de 13% em relação ao semestre anterior e mais que dobrou em comparação ao mesmo período de 2024, com alta de 101,9%. O peso colombiano também apresentou aumento consistente, com 17,3% e 10,7% nas comparações semestral e anual, respectivamente.
Expansão das moedas latino-americanas
Jorge Arbex explica que essa tendência reflete a busca dos brasileiros por destinos na América do Sul que oferecem melhor custo-benefício, apesar dos desafios econômicos locais. “Esse movimento revela não só tendências de turismo, mas também a diversificação dos destinos para além da tradicional rota dólar-euro”, comentou.
Transferências internacionais: perfil e tendências
Além do comércio de papel-moeda, a Travelex Confidence analisou as transferências internacionais realizadas por pessoas físicas, evidenciando mudanças relevantes no comportamento dos brasileiros.
Transferências entre contas próprias lideram operações
A modalidade “entre contas da mesma pessoa física ou jurídica” foi a mais frequente, respondendo por 37,3% do volume transacionado no primeiro semestre de 2025. Esse segmento cresceu 30,8% em relação ao segundo semestre de 2024 e 38,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Planejamento financeiro e movimentação internacional
Esse crescimento indica um aumento no planejamento financeiro pessoal e na movimentação de recursos no exterior, tendência que deve se consolidar com a globalização das finanças individuais.
Doações e transferências sem contrapartida
A segunda maior categoria corresponde às “doações e transferências sem contrapartida”, que somaram 32,4% do volume, mas apresentaram queda de 16,4% na comparação semestral.
Contexto cambial e perspectivas para o dólar em 2025
Apesar da liderança nas transações entre pessoas físicas no Brasil, o dólar norte-americano apresentou desvalorização frente a outras moedas globais e até mesmo ao real em 2025.
Desvalorização do dólar em 2025
Até o fechamento de 16 de julho de 2025, o dólar recuou 9,52% em relação ao real, enquanto o índice do dólar (DXY) — que compara a moeda americana a uma cesta com seis divisas globais — sofreu desvalorização de 9,8% no ano.
Impactos no mercado doméstico e internacional
Essa tendência de enfraquecimento global do dólar pode influenciar futuras decisões de compra e planejamento financeiro dos brasileiros, podendo gerar maior diversificação na escolha de moedas estrangeiras.
Conclusão
O levantamento da Travelex Confidence evidencia que, mesmo diante da desvalorização global do dólar, a moeda norte-americana mantém sua posição dominante nas transações cambiais realizadas por pessoas físicas no Brasil em 2025. O crescimento no volume operado, impulsionado principalmente pelo turismo e grandes eventos esportivos, confirma a relevância do dólar como moeda de referência. Além disso, o avanço de moedas latino-americanas como o peso argentino e o peso colombiano revela uma tendência crescente de diversificação nos destinos e estratégias de câmbio dos brasileiros. As transferências internacionais também apontam para um maior planejamento financeiro pessoal e movimentação de recursos no exterior.
Esse cenário evidencia que, apesar das oscilações cambiais, o mercado de moedas estrangeiras no Brasil continua dinâmico, refletindo tanto as tendências globais quanto as preferências locais dos investidores e viajantes.