O BC detalhou, no dia 29 de agosto de 2025, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), os avanços do Drex, o real digital nacional. A principal novidade anunciada foi a decisão de abandonar a tecnologia blockchain na terceira fase de desenvolvimento, optando por uma abordagem de tokenização de ativos desvinculada de sistemas de registro distribuído (DLT).
Segundo Fábio Araújo, diretor do BC e responsável pelo projeto, a mudança visa atender a exigências regulatórias e garantir a privacidade de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o sigilo bancário brasileiro. Apesar de gerar debates no mercado de criptomoedas, o BC reforça que o projeto continua ativo e adaptado às necessidades do país.
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A decisão de abandonar a blockchain tem como base a necessidade de alinhar o real digital às normas brasileiras. Segundo Araújo, a tecnologia DLT apresenta desafios quanto à transparência excessiva, já que todas as transações ficam registradas em múltiplos participantes do sistema.
O Drex precisa garantir que informações pessoais dos usuários não sejam expostas, atendendo aos padrões rigorosos da LGPD.
Sigilo bancário
A legislação brasileira impede a divulgação de transações financeiras sem autorização expressa, o que torna necessária uma tecnologia menos transparente que a blockchain tradicional.
Por que abandonar a blockchain?
Limitações nas fases iniciais
Entre 2022 e 2024, os testes com blockchain mostraram que a tecnologia não era ideal para transações de um sistema nacional, devido ao custo operacional e à complexidade de manutenção de uma rede DLT.
Tendência global
Outros bancos centrais, como os da Zona do Euro e da China, também estudam soluções híbridas, combinando blockchain com sistemas centralizados para equilibrar inovação e regulação.
Terceira fase do Drex: o que esperar
A terceira fase do Drex, iniciada em 2025, foca em testes práticos e no desenvolvimento de uma arquitetura tecnológica que combine privacidade, segurança e funcionalidade.
Pilotos com instituições financeiras
O BC planeja testar a nova tecnologia com bancos e fintechs, avaliando desempenho, escalabilidade e integração com sistemas existentes.
Integração com o Pix
O Drex será complementar ao Pix, permitindo transações instantâneas e a tokenização de ativos, como títulos e contratos, ampliando o leque de aplicações financeiras digitais.
Aplicações práticas
A tokenização poderá ser aplicada em setores como agronegócio, mercado imobiliário e serviços financeiros, promovendo maior eficiência e digitalização de ativos.
Cronograma
A expectativa é que uma versão funcional do Drex seja lançada até o final de 2026, após a conclusão dos testes da terceira fase.
Impacto no mercado financeiro
A reformulação do Drex gerou debates, principalmente entre entusiastas de criptomoedas, que viam na blockchain uma oportunidade de descentralização. No entanto, o BC reforça que a nova abordagem é mais adequada ao contexto brasileiro.
Facilitação para fintechs
A tecnologia sem DLT deve ser mais fácil de integrar aos sistemas de bancos e fintechs, reduzindo custos operacionais e complexidade tecnológica.
Competitividade global
O Brasil se aproxima de países como China e Suécia na corrida por moedas digitais soberanas, fortalecendo sua posição no cenário internacional de inovação financeira.
Desafios e próximos passos
Educação financeira
Campanhas do BC serão fundamentais para esclarecer o uso do Drex e suas funcionalidades, incentivando a adoção da moeda digital pela população.
Interoperabilidade internacional
O BC também pretende aproveitar a experiência acumulada com blockchain em projetos futuros, incluindo regulamentação de stablecoins e ativos digitais privados.
O futuro do real digital
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
O Drex representa um passo ousado rumo à modernização do sistema financeiro brasileiro.
A nova tecnologia de tokenização tem potencial para alterar a forma como brasileiros lidam com dinheiro e ativos digitais, ampliando possibilidades para indivíduos, empresas e investidores.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual a relação entre Drex e Pix? O Drex será complementar ao Pix, permitindo tokenização de ativos e transações digitais mais complexas.
A tokenização compromete a segurança? Não. A nova arquitetura visa manter a segurança e a eficiência das transações, mesmo sem blockchain.
Considerações finais
Apesar dos desafios de escalabilidade, interoperabilidade internacional e educação financeira, o projeto demonstra que é possível combinar tecnologia de ponta com conformidade regulatória. A terceira fase de testes será determinante para avaliar a eficácia da nova arquitetura e preparar o caminho para a adoção em larga escala do real digital.
Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.