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Mistura de etanol na gasolina aumenta: veja o que muda na prática

A partir de 1º de agosto de 2025, o percentual de etanol misturado à gasolina no Brasil passará de 27% para 30%. A medida, anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tem como objetivo reduzir os preços dos combustíveis e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

Segundo o governo federal, a expectativa é que a mudança resulte em uma redução média de R$ 0,02 por litro de gasolina. O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que destacou os benefícios econômicos, ambientais e sociais da nova política.

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Impacto direto no bolso do consumidor

Imagem de uma pessoa pagando algo por meio da máquina de cartão.
Imagem: CC7/Shutterstock.com

De acordo com o estudo apresentado pelo Ministério de Minas e Energia, motoristas que rodam longas distâncias sentirão a economia de forma mais significativa. Um exemplo citado foi o de um motorista de aplicativo ou táxi que percorre cerca de 7.500 km por mês, que poderá economizar aproximadamente R$ 150 mensais com a nova composição da gasolina.

Além da economia para os consumidores, o governo espera estimular a produção nacional de etanol, fortalecendo a indústria de biocombustíveis e gerando empregos.

Redução da dependência de combustíveis fósseis

Outro argumento central para a mudança é a redução da necessidade de importação de gasolina. A projeção do governo indica que, com o novo percentual, o Brasil poderá reduzir o consumo de Gasolina A em até 1,36 bilhão de litros por ano.

Ao mesmo tempo, o país deverá aumentar o consumo de etanol anidro em até 1,46 bilhão de litros anuais, gerando um excedente de 700 milhões de litros, o que reforça a autossuficiência nacional na produção de combustíveis.

Benefícios econômicos e ambientais

A decisão de aumentar a mistura de etanol na gasolina faz parte de uma estratégia de transição energética, visando não apenas ganhos econômicos, mas também ambientais.

Entre os principais benefícios destacados estão:

  • Investimento de R$ 8,45 bilhões em capacidade industrial;
  • R$ 1,69 bilhão em novas máquinas agrícolas;
  • Geração de até 51,6 mil empregos diretos e indiretos, considerando a produção industrial e agrícola;
  • Redução de 3 milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa por ano.

O governo afirma que essas medidas contribuem diretamente para o cumprimento das metas brasileiras de redução de carbono, alinhadas aos compromissos internacionais.

Mais biodiesel no diesel

Além do aumento do etanol na gasolina, o governo também autorizou a elevação da mistura de biodiesel no diesel, passando de 14% para 15% também a partir de agosto de 2025.

A iniciativa visa impulsionar a produção nacional de biodiesel e estimular o agronegócio brasileiro, especialmente os produtores de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

Entre os benefícios esperados dessa mudança estão:

  • Investimentos de R$ 5,2 bilhões em novas usinas e esmagadoras de soja;
  • Criação de até 4 mil empregos diretos e indiretos;
  • Aumento de até R$ 17 milhões na massa salarial;
  • Inclusão de cerca de 5 mil famílias no programa de agricultura familiar, com incremento na renda.

Reações do setor

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Imagem: prakob / Shutterstock.com

Representantes da indústria de biocombustíveis elogiaram a decisão do governo. Para o diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, o aumento da mistura é um avanço importante para a política de descarbonização.

Segundo ele, a medida está alinhada com os objetivos da Lei do Combustível do Futuro, fortalecendo a cadeia produtiva, promovendo a geração de empregos e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.

O vice-presidente do grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschmidt, também destacou a relevância da decisão, classificando-a como um “marco” para o setor. Ele ressaltou o papel do Brasil como líder na produção de combustíveis renováveis e a capacidade do país em utilizar sua matéria-prima de forma sustentável.

Perspectivas para o futuro

Especialistas apontam que o aumento dos percentuais de biocombustíveis representa um passo importante na transição energética brasileira. A expectativa é de que, nos próximos anos, o governo continue ampliando o uso de fontes renováveis, reforçando o compromisso com a sustentabilidade.

Além disso, há expectativa de que novas políticas de incentivo à produção e ao consumo de biocombustíveis sejam anunciadas, envolvendo também o setor de transporte público e grandes frotas de veículos.

Com o início da vigência das novas regras já em agosto, motoristas, empresas de transporte e produtores do setor devem começar a sentir os impactos da mudança ainda no segundo semestre de 2025.