O Ministério da Saúde confirmou que, ainda em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a ofertar gratuitamente o implante hormonal contraceptivo subdérmico, conhecido pelo nome comercial Implanon.
A medida, aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), é considerada um avanço no acesso à saúde reprodutiva e no fortalecimento das políticas de planejamento familiar no Brasil.
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A expectativa é de que 500 mil dispositivos sejam distribuídos já neste ano, beneficiando principalmente mulheres adultas entre 18 e 49 anos. O método, que custa até R$ 4 mil na rede privada, será incluído gratuitamente na rede pública.
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O que é o Implanon e como ele funciona?

Implante subdérmico de longa duração
O Implanon é um pequeno bastão de 3 cm, inserido sob a pele do braço da mulher, que libera continuamente o hormônio etonogestrel. Esse hormônio atua impedindo a ovulação e tornando o muco do colo do útero mais espesso, dificultando a entrada dos espermatozoides.
Duração e eficácia
- Duração: até 3 anos;
- Taxa de falha: cerca de 5 casos a cada 10 mil mulheres;
- Recuperação da fertilidade: imediata após remoção.
O implante não requer manutenção contínua, ao contrário de pílulas ou injeções. Uma vez colocado, oferece alta segurança durante todo o período de validade.
Quem terá direito ao novo implante gratuito do SUS?
Expansão do público-alvo
Até então, o Implanon era fornecido no SUS apenas para grupos específicos, como:
- Mulheres com HIV/AIDS em uso de dolutegravir;
- Pacientes em uso de talidomida ou tratamento com aminoglicosídeos;
- Mulheres privadas de liberdade;
- Trabalhadoras do sexo.
Com a nova política, todas as mulheres entre 18 e 49 anos poderão acessar o método de forma gratuita. A ampliação da oferta representa um importante passo para garantir o direito à contracepção segura e eficaz para a população em idade fértil.
Como será a implementação pelo SUS?
Etapas previstas após a publicação da portaria
A portaria que oficializa a inclusão do Implanon será publicada nos próximos dias. A partir disso, o Ministério da Saúde e suas áreas técnicas terão até 180 dias para implementar efetivamente a oferta. As ações incluem:
- Atualização dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas;
- Capacitação de profissionais de saúde para aplicação e manejo do implante;
- Aquisição e distribuição dos dispositivos em todo o território nacional.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, o processo será monitorado para garantir que o acesso seja uniforme, independentemente da região.
Por que o SUS está investindo nesse método?
Redução da mortalidade materna e planejamento familiar
A oferta do implante integra uma política mais ampla de redução da mortalidade materna e promoção dos direitos reprodutivos. A medida está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e busca:
- Reduzir em 25% a mortalidade materna geral até 2027;
- Diminuir em 50% a mortalidade entre mulheres negras.
Vantagens dos métodos LARC
O Implanon faz parte dos métodos conhecidos como LARC (Long Acting Reversible Contraceptives), ao lado do DIU de cobre e do DIU hormonal. Eles têm em comum:
- Alta eficácia;
- Longa duração;
- Baixa dependência da usuária.
Segundo especialistas, quanto maior a variedade de métodos disponíveis, maior a adesão e a eficácia da política de contracepção.
O que dizem os especialistas?
Ampla aceitação entre ginecologistas
A ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo, considera a novidade um marco:
“A ampliação da oferta permite maior aderência, pois cada mulher pode encontrar o método que melhor se adapta à sua realidade”, afirma.
Ela ressalta que o Implanon é um método seguro, eficaz e reversível, e que sua distribuição ampla é uma oportunidade para transformar o cenário da contracepção no Brasil.
Como é feita a aplicação do Implanon?
Procedimento simples e rápido
A aplicação do implante é feita em consultório médico, com anestesia local. O procedimento dura poucos minutos e não exige internação. Veja como funciona:
- Avaliação médica e orientação sobre o método;
- Anestesia local no braço não dominante;
- Inserção subdérmica do bastonete;
- Acompanhamento e retorno após 1 mês (se necessário).
Após os três anos de uso, o implante é retirado e pode ser substituído por outro, caso a paciente deseje continuar o uso.
Existe risco de efeitos colaterais?
Possíveis reações e contraindicações
Como qualquer método hormonal, o Implanon pode causar efeitos adversos em algumas usuárias. Os mais comuns incluem:
- Irregularidade menstrual;
- Dor de cabeça;
- Sensibilidade nos seios;
- Alterações de humor ou libido.
O método é contraindicado para mulheres com:
- Doença hepática ativa;
- Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar;
- Câncer de mama atual ou suspeita.
O acompanhamento médico é essencial para avaliar a adequação do método ao perfil de cada paciente.
Implanon é diferente do “chip da beleza”?
Esclarecimento importante sobre o uso de implantes hormonais
Especialistas alertam para a diferença entre o Implanon e os chamados “chips da beleza”, amplamente divulgados em clínicas estéticas. Estes últimos geralmente contêm hormônios androgênicos ou esteroides anabolizantes, usados de forma controversa para fins estéticos ou ganho de massa muscular.
A Anvisa proíbe esse tipo de uso, e o Implanon, aprovado para contracepção, não tem relação com esses implantes estéticos.
Expectativas para o futuro

Descentralização e fortalecimento do SUS
A ampliação do acesso ao Implanon representa não só um avanço em termos de política reprodutiva, mas também um desafio logístico e estrutural para o SUS.
A descentralização da oferta, com capacitação de profissionais em todas as regiões do país, será determinante para o sucesso da medida. Ilza Monteiro destaca:
“Essa é a chance de democratizar o acesso ao método. Com organização, o SUS pode ser exemplo de política pública em contracepção segura e acessível.”
Considerações finais
Com a inclusão do Implanon na rede pública, o Brasil amplia significativamente o acesso a métodos contraceptivos modernos e eficazes.
A medida se soma a outras ações de promoção da saúde da mulher e reforça o compromisso do Estado com a autonomia reprodutiva, a equidade no atendimento e a redução da mortalidade materna.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

