A decisão de retomar a tributação sobre os veículos elétricos no Brasil marcou o início de uma nova fase para o setor automotivo nacional. O Governo Federal resolveu reequilibrar o mercado, interrompendo a isenção que vigorava há anos e que havia impulsionado a popularização dos carros eletrificados.
A medida, coordenada pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), tem como objetivo proteger a indústria automotiva local diante do crescimento expressivo de fabricantes estrangeiros, principalmente de marcas chinesas como BYD e GWM, que lideram o segmento no país.
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O mercado de veículos elétricos no Brasil
Crescimento acelerado e domínio estrangeiro
Nos últimos anos, o mercado brasileiro de veículos elétricos apresentou uma evolução acelerada. Dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) indicam que, somente no primeiro semestre de 2025, foram vendidos 86.849 veículos eletrificados, uma alta de 9,5% em relação ao mesmo período de 2024.
O destaque fica por conta da BYD, que lidera o segmento de carros totalmente elétricos com 76,4% de participação. Foram mais de 30 mil unidades vendidas em seis meses. Enquanto isso, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (ABEIFA) aponta que quase metade dos carros importados são elétricos, híbridos ou híbridos plug-in.
O fim da isenção e a nova carga tributária
Até o final de 2023, veículos elétricos e híbridos estavam isentos de imposto de importação, o que favorecia a entrada de modelos estrangeiros com preços mais competitivos. Com as mudanças, o governo estabeleceu uma tabela progressiva de aumento das alíquotas.
Escalonamento do imposto até 2026
- Carros 100% elétricos (BEVs): o imposto começou em 10% em janeiro de 2024, subiu para 18% em julho e chegará a 35% em julho de 2026.
- Híbridos convencionais (HEVs) e híbridos plug-in (PHEVs): também seguirão a mesma alíquota final de 35%.
Essa transição gradual dá tempo para as montadoras se adaptarem, mas a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) pressiona o governo para antecipar a alíquota máxima para este ano.
Por que a tributação voltou?
Proteger a indústria nacional
A principal justificativa para a volta do imposto é fortalecer a produção local de veículos elétricos. O crescimento de montadoras estrangeiras ameaça a indústria nacional, que precisa avançar em tecnologia e infraestrutura para competir em pé de igualdade.
Com as novas tarifas, o governo quer reduzir a dependência de importações e fomentar o desenvolvimento de fábricas e linhas de montagem no país.
Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER)
O que é o MOVER?
Em paralelo à tributação, foi lançado o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) em junho de 2024. Ele substitui o antigo Rota 2030, oferecendo incentivos fiscais e linhas de crédito para empresas que investirem em tecnologias limpas.
Além disso, o MOVER visa acelerar a descarbonização da frota, promover a pesquisa e o desenvolvimento de soluções para uma mobilidade mais sustentável.
Quais são os incentivos?
- Redução de impostos sobre peças e componentes produzidos localmente.
- Linhas de financiamento para instalação de fábricas e centros de pesquisa.
- Apoio para projetos de inovação tecnológica em baterias, motores e carregadores.
Reação das montadoras
Novas fábricas no Brasil
A resposta da indústria veio rapidamente. A BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA) em julho de 2025, enquanto a GWM já anunciou a produção em Iracemápolis (SP) no mesmo período.
Outras montadoras, como Caoa Chery, Geely e GAC, também planejam ampliar suas operações no país, garantindo mais competitividade diante da tributação de importação.
Foco na produção local
Esses investimentos ajudam a manter preços mais acessíveis para o consumidor, já que carros fabricados localmente não sofrem o impacto total da alíquota de importação. Além disso, impulsionam a geração de empregos e fomentam a cadeia de fornecedores.
Impacto para o consumidor brasileiro
Preço deve subir no curto prazo
O aumento gradual do imposto certamente terá impacto no preço dos veículos elétricos importados. Especialistas apontam que a alta de custos poderá reduzir a procura no curto prazo, tornando os modelos eletrificados menos competitivos em relação aos veículos movidos a combustíveis fósseis.
Alternativas e tendências
Com o crescimento da produção local, a expectativa é que os preços se equilibrem a médio e longo prazo. Modelos populares e compactos podem ganhar força, democratizando o acesso aos carros elétricos.
Além disso, o avanço na infraestrutura de carregamento, cada vez mais presente em grandes centros urbanos, contribui para estimular o uso desses veículos no país.
Desafios para o setor automotivo
Logística e infraestrutura
Apesar do incentivo à produção local, o setor ainda enfrenta desafios logísticos. A falta de uma rede de recarga rápida em algumas regiões pode dificultar a popularização dos carros elétricos, além de questões envolvendo o descarte de baterias e a qualificação da mão de obra.
Concorrência global
Montadoras chinesas continuam investindo pesado em tecnologia e preço competitivo. Para manter o mercado aquecido, a indústria brasileira precisará inovar constantemente e aproveitar ao máximo os incentivos do MOVER.

A retomada da tributação sobre veículos elétricos mostra que o governo brasileiro busca proteger a indústria local enquanto organiza a transição para uma frota mais sustentável. Embora a mudança traga incertezas para consumidores que desejam migrar para um carro eletrificado, ela também abre oportunidades para gerar empregos, desenvolver tecnologia nacional e criar um ambiente de produção mais competitivo.
No final, a chave será o equilíbrio: um mercado fortalecido, com produção nacional robusta, preços competitivos e políticas públicas que apoiem a inovação. Para o consumidor, a dica é ficar atento às novidades, avaliar o custo-benefício de cada modelo e entender como as mudanças vão moldar o futuro da mobilidade no país.




