Projeção da inflação em 2025 cai pela 8ª semana consecutiva, aponta Focus
Mercado prevê IPCA menor em 2025 e 2026, abaixo do teto da meta de inflação, mostra Focus.
Por Fernanda Ramos
A inflação brasileira continua dando sinais de alívio para os próximos anos. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (21), analistas do mercado financeiro reduziram pela oitava semana consecutiva a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025. Essa trajetória reflete a expectativa de maior controle dos preços e aproximação da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O levantamento semanal, que ouve cerca de uma centena de economistas, também aponta que, pela primeira vez em meses, as previsões para a inflação de 2026 caíram para um nível abaixo do teto da meta oficial. Já as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a taxa básica de juros (Selic) seguem praticamente estáveis.
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IPCA recua para 2025 e 2026, aproximando-se da meta
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com
De acordo com os números apresentados, a expectativa para a alta do IPCA em 2025 passou de 5,17% para 5,10% na última semana. Já para 2026, a previsão recuou de 4,50% para 4,45%. Isso coloca a inflação esperada para o ano abaixo do teto da meta, que é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, podendo variar entre 1,5% e 4,5%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou recentemente, em carta aberta, que a expectativa é de que a inflação volte a se enquadrar no intervalo de tolerância da meta já no final do primeiro trimestre de 2026, após seis meses consecutivos de descumprimento em 2024.
Projeção para o PIB pouco se altera
Enquanto as previsões para a inflação mostram queda consistente, as estimativas para o crescimento da economia brasileira permanecem praticamente estáveis. Para 2025, o mercado mantém a previsão de alta de 2,23% para o PIB. Já para 2026, houve uma ligeira redução, de 1,89% para 1,88%.
Esse leve recuo reflete um cenário de acomodação do crescimento econômico à medida que a política monetária contracionista para controlar a inflação segue em vigor, com taxas de juros ainda elevadas nos próximos anos.
Juros seguem estáveis, mas ainda altos
Segundo o Focus, a taxa básica de juros (Selic) deve encerrar 2025 em 15%, permanecendo em patamar elevado para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a expectativa é que a Selic recue para 12,50%, sem alterações em relação à pesquisa anterior.
Esse cenário de juros altos prolongados está em linha com a estratégia do BC de priorizar o combate à inflação e ancorar as expectativas do mercado para dentro do intervalo de metas nos anos seguintes.
Por que as projeções para a inflação estão caindo?
Alguns fatores ajudam a explicar a sequência de revisões para baixo na expectativa do IPCA para os próximos anos. Entre eles estão:
Política monetária restritiva: as taxas de juros elevadas reduzem a demanda agregada e ajudam a conter a alta dos preços.
Desinflação global: com a redução das pressões inflacionárias nos Estados Unidos e na Europa, o impacto nos preços das commodities tende a ser menor.
Melhoria das expectativas fiscais: o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal contribui para reduzir o prêmio de risco embutido nos preços.
Ainda assim, os economistas seguem atentos a fatores como o comportamento do câmbio, a trajetória dos preços administrados (como combustíveis e energia) e os riscos climáticos para a safra agrícola.
Meta de inflação: um desafio ainda em curso
A meta de inflação fixada pelo CMN para os próximos anos é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, para o Banco Central, uma inflação entre 1,5% e 4,5% ainda seria considerada dentro do objetivo. O descumprimento da meta em 2024 gerou críticas ao BC e aumentou a pressão por uma condução mais agressiva da política monetária.
Por isso, a convergência gradual da inflação para dentro do intervalo tolerável é fundamental para restaurar a credibilidade da autoridade monetária.
Como o cenário externo pode impactar?
Embora o cenário doméstico esteja evoluindo de forma positiva, fatores externos ainda representam riscos. Entre eles:
A política monetária do Federal Reserve, nos EUA, que influencia o fluxo de capitais para países emergentes.
O comportamento dos preços do petróleo e das commodities agrícolas, que impactam diretamente a inflação brasileira.
A desaceleração da economia chinesa, importante parceiro comercial do Brasil.
Um agravamento desses fatores pode levar a novas pressões inflacionárias e atrasar o processo de convergência para a meta.
O que esperar nos próximos meses?
Imagem: Immersion Imagery / Shutterstock.com
O cenário mais provável para os próximos meses é de manutenção da taxa Selic em patamar elevado, com cortes graduais apenas quando houver sinais mais claros de controle da inflação. O Banco Central continuará monitorando a evolução das expectativas de inflação e as condições do mercado de trabalho, que segue aquecido.
Além disso, as reformas estruturais e a execução da nova âncora fiscal pelo governo federal também serão determinantes para consolidar um ambiente econômico mais estável.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.