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Afastamentos no INSS chegam a 3,5 milhões em 2024; coluna é a principal causa

Os afastamentos no INSS por incapacidade temporária chegaram a 3,5 milhões em 2024, número 39% maior do que em 2023. A principal causa foi a hérnia de disco, que liderou as concessões de benefícios com mais de 205 mil casos.

O crescimento acentuado reforça a urgência de políticas preventivas nos ambientes de trabalho. Condições físicas, como problemas de coluna, e transtornos mentais, como ansiedade, se tornaram os principais desafios à saúde laboral brasileira.

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Imagem: ChinnaPong/shutterstock.com

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INSS: Principais causas de afastamento em 2024

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, entre janeiro e dezembro de 2024, o INSS concedeu milhões de benefícios por incapacidade temporária, antes conhecidos como auxílio-doença. As causas mais registradas foram:

  • Hérnia de disco: 205.100 benefícios.
  • Dor lombar: 172.400 afastamentos.
  • Fraturas na perna: 147.600 registros.
  • Transtornos mentais (como ansiedade): 472.300 casos.

As doenças ortopédicas permanecem no topo do ranking, mas a evolução dos transtornos emocionais chama atenção de especialistas em saúde ocupacional.

Hérnia de disco e lombalgia: líderes de afastamentos

Impacto no ambiente de trabalho

A hérnia de disco ocorre quando um dos discos intervertebrais se desloca, pressionando os nervos da coluna. A dor pode ser intensa, limitando a mobilidade e exigindo repouso prolongado. Em 2024, ela foi responsável por mais de 205 mil afastamentos no INSS.

A lombalgia, também frequente, surge por posturas inadequadas e esforços repetitivos, sobretudo em ocupações com carga física elevada ou em escritórios com pouca ergonomia.

Principais fatores de risco

  • postura por longos períodos.
  • Levantamento de peso sem preparo adequado.
  • Falta de pausas em atividades repetitivas.
  • Sedentarismo e excesso de peso.

Ambientes corporativos que não adotam práticas ergonômicas correm maior risco de afastamentos e indenizações trabalhistas, segundo advogados da área.

Crescimento dos transtornos mentais no trabalho

Dados alarmantes

Em 2024, os transtornos mentais resultaram em mais de 472 mil afastamentos. A ansiedade e a depressão são os diagnósticos mais frequentes, seguidos da síndrome de burnout, reconhecida como doença ocupacional pela OMS desde 2022.

Embora o número oficial de casos de burnout seja relativamente baixo (cerca de 4 mil), especialistas apontam para uma subnotificação e dificuldade no diagnóstico em perícias.

Causas psicológicas em alta

  • Pressão constante por produtividade.
  • Falta de desconexão digital no home office.
  • Ausência de programas de saúde mental nas empresas.
  • Pouca atenção aos limites emocionais dos colaboradores.

Apenas 46% dos municípios brasileiros oferecem algum tipo de atendimento em saúde mental na rede pública, segundo a Iniciativa SmartLab 2025.

Novas regras do INSS para 2025

Benefícios por incapacidade temporária

Em 2025, o INSS continua permitindo a dispensa da perícia presencial para afastamentos com atestado médico de até 90 dias. Os documentos devem ser enviados via aplicativo Meu INSS.

Requisitos para concessão

  • Documento com nome completo e diagnóstico.
  • CID (Código Internacional de Doenças).
  • Assinatura e CRM do médico.
  • Data de início do afastamento e tempo de repouso estimado.

O valor do benefício corresponde a 91% da média salarial dos últimos salários de contribuição, respeitando o teto de R$ 7.786,02 e o salário mínimo de R$ 1.518 em 2025.

Estabilidade e direitos trabalhistas

Nos casos de doença ocupacional, o trabalhador tem direito a 12 meses de estabilidade no emprego após a alta médica, além do depósito do FGTS durante o período de afastamento.

Doenças ocupacionais em destaque

Atualização na lista de doenças

A Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT) foi atualizada em 2023, com a inclusão de 165 novas patologias, entre elas o burnout, transtornos psíquicos e lesões causadas por trabalho repetitivo.

Essas atualizações ampliam o reconhecimento legal de doenças adquiridas no ambiente profissional e garantem mais proteção jurídica ao trabalhador.

Setores com maior risco

  • Construção civil
  • Bancos e instituições financeiras
  • Indústrias com linhas de produção automatizadas
  • Transportes (motoristas de caminhão, por exemplo)

Nessas áreas, funções com movimentos repetitivos, pressão constante e pouco suporte emocional estão entre os fatores mais recorrentes para afastamentos.

Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)

A emissão da CAT é obrigatória em casos de doenças ocupacionais e deve ser feita pelo empregador, sindicato ou pelo próprio trabalhador. A CAT garante acesso a benefícios como:

  • Auxílio-doença acidentário
  • Estabilidade de 12 meses no emprego
  • Pagamento do FGTS durante o afastamento

O não preenchimento da CAT pode ser questionado na Justiça, especialmente quando há provas clínicas da relação entre o trabalho e a doença.

Prevenção: a solução que evita prejuízos

Ações nas empresas

Empresas que investem em prevenção conseguem reduzir afastamentos e aumentar a produtividade. A revisão da NR-1, em 2024, intensificou a obrigação legal de adoção de medidas de segurança e saúde.

Medidas eficazes:

  • Mobiliário ergonômico, como cadeiras ajustáveis.
  • Limites em reuniões virtuais e demandas por aplicativos.
  • Programas de saúde mental e pausas programadas.
  • Treinamentos periódicos em segurança do trabalho.

Negligenciar essas práticas pode resultar em multas trabalhistas, processos e reputação negativa para a empresa.

Saúde da mulher e mioma uterino

Terceira maior causa entre as mulheres

Com 46.900 casos em 2024, o mioma uterino ainda é uma das principais causas de afastamento entre trabalhadoras. Embora tenha perdido posição no ranking, o impacto na qualidade de vida é significativo.

Sintomas e consequências

O mioma afeta até 80% das mulheres em idade fértil, podendo provocar dores pélvicas, sangramentos intensos e até infertilidade. O tratamento cirúrgico (miomectomia) pode exigir afastamentos de até 30 dias.

Políticas de apoio

Empresas podem criar políticas de saúde específicas para mulheres, como:

  • Exames ginecológicos regulares.
  • Flexibilidade na jornada para acompanhamento médico.
  • Programas de acolhimento durante o ciclo menstrual ou tratamentos.

A conscientização é crucial para reduzir o tempo de afastamento e aumentar o bem-estar das trabalhadoras.

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Imagem: Freepik e Canva

O avanço de afastamentos no INSS em 2024 reflete falhas sistêmicas na prevenção de doenças ocupacionais e no cuidado com a saúde mental e física dos trabalhadores. Condições como hérnia de disco, transtornos mentais e doenças femininas afetam milhões de pessoas, gerando prejuízos tanto para o setor produtivo quanto para os próprios segurados.

O ano de 2025 será marcado por novas regras e oportunidades para aprimorar os processos de concessão de benefícios e garantir mais dignidade no ambiente profissional. Empresas e trabalhadores devem, em conjunto, adotar medidas de prevenção, investir em ergonomia e promover o diálogo sobre saúde emocional. Somente assim será possível frear o crescimento dos afastamentos e transformar o trabalho em um espaço mais seguro e humano.