Invesco Galaxy solicita ETF de Solana; 9 gestoras competem pelo produto
Os Estados Unidos podem estar próximos de ver um novo avanço no mercado de ativos digitais regulados. A gestora de ativos Invesco Galaxy entrou oficialmente na corrida para lançar o primeiro ETF (Exchange-Traded Fund) de Solana, juntando-se a outras oito instituições financeiras que também buscam aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
O movimento marca mais um capítulo da crescente institucionalização das criptomoedas, indo além de Bitcoin e Ethereum.
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Proposta da Invesco Galaxy mira a Solana como ativo central
Registro na SEC e custódia com a Coinbase
A proposta da Invesco Galaxy foi protocolada junto à SEC por meio de uma declaração no Formulário S-1. O objetivo é criar um ETF que acompanhe o desempenho da Solana (SOL), criptomoeda que atualmente ocupa a sexta posição em valor de mercado global. O fundo será custodiado pela Coinbase Custody e, conforme declarado, buscará “refletir o desempenho do preço à vista da Solana”.
O produto será negociado na bolsa Cboe BZX, sob o ticker QSOL. No entanto, além do S-1, as gestoras ainda precisam protocolar o Formulário 19b-4, que propõe formalmente uma mudança de regra à SEC — etapa essencial para o início da análise regulatória.
Staking de ativos pode gerar receitas para o fundo
Um dos diferenciais do ETF proposto é a possibilidade de staking de Solana. De acordo com o documento, a Invesco e a Galaxy poderão realizar staking de parte dos ativos do fundo com provedores confiáveis. Esse processo permite que os fundos ganhem recompensas em tokens por participarem da validação da rede Solana, uma prática comum em blockchains baseadas em proof-of-stake (PoS).
Essas recompensas podem ser consideradas como receita do próprio ETF, agregando uma nova camada de retorno potencial ao produto. Outras gestoras, como VanEck e Bitwise, também incluíram linguagem semelhante em seus registros atualizados, indicando uma tendência do mercado em agregar staking como componente essencial dos novos ETFs cripto.
Corrida acirrada: nove empresas miram o mesmo alvo
Nomes de peso disputam aprovação simultânea
Com o registro da Invesco Galaxy, sobe para nove o número de gestoras que buscam lançar um ETF de Solana. Além da Invesco, fazem parte da disputa:
- Grayscale
- VanEck
- Bitwise
- 21Shares
- CoinShares
- Canary Capital
- Franklin Templeton
- Fidelity Investments
Dessas, apenas a Canary Capital ainda não lançou ETFs de Bitcoin ou Ethereum, mas possui histórico de pedidos relacionados a altcoins, o que reforça sua estratégia voltada a ativos digitais emergentes.
Reguladores devem evitar vantagem competitiva
Analistas de mercado apontam que a SEC tende a aprovar os ETFs de Solana simultaneamente, para evitar vantagem competitiva entre as gestoras. Segundo James Seyffart, analista da Bloomberg, a aprovação pode ocorrer ainda em julho de 2025, o que coincide com a expectativa de liberação de outros ETFs baseados em cestas de criptomoedas.
Eric Balchunas, também analista da Bloomberg, afirma que os investidores devem se preparar para um “verão dos ETFs de altcoins”, com a Solana liderando esse novo movimento de expansão regulada.
A dupla atribui 90% de chance de aprovação dos ETFs de Solana, com o prazo final para análise pela SEC marcado para 10 de outubro.
O contexto regulatório e o otimismo do mercado
Impacto da política dos EUA nas criptomoedas
A crescente expectativa em torno dos ETFs de Solana ocorre em um ambiente político mais receptivo às criptomoedas. A administração Trump, ao sinalizar uma possível flexibilização das regras regulatórias para ativos digitais, gerou uma nova onda de otimismo entre investidores institucionais.
O Bitcoin, beneficiado por esse sentimento positivo, voltou a atingir máximas históricas em 2025, e empresas de capital aberto aumentaram suas reservas em BTC como parte de uma estratégia de proteção e diversificação patrimonial.
Esse cenário reforçou o interesse de grandes gestoras por produtos atrelados a altcoins — ativos considerados mais voláteis, mas com maior potencial de valorização frente a novas aplicações em DeFi (finanças descentralizadas), jogos em blockchain e infraestrutura Web3.
O que esperar para o investidor e o mercado cripto?
ETFs de Solana podem ser um divisor de águas
A entrada da Solana no mercado de ETFs regulados pode representar uma nova fase para os investimentos institucionais em criptoativos. A Solana, conhecida por sua escalabilidade e baixas taxas de transação, se destaca entre as altcoins como uma das principais plataformas de contratos inteligentes.
Se aprovados, os ETFs de Solana deverão ampliar o acesso de investidores tradicionais à criptoeconomia, aumentando a liquidez da moeda e consolidando sua presença nos portfólios institucionais.
Riscos e vantagens
Por outro lado, o investidor precisa estar ciente de que, mesmo com a regulamentação dos ETFs, a volatilidade das criptomoedas continua elevada. Além disso, embora o staking possa gerar receita adicional, também introduz riscos operacionais e regulatórios, principalmente em um ambiente ainda em evolução legislativa nos Estados Unidos.
No entanto, os benefícios de diversificação, o potencial de valorização e o acesso facilitado por meio das corretoras tradicionais tornam os ETFs uma porta de entrada atrativa para quem deseja exposição à Solana sem precisar manter as criptomoedas diretamente em carteiras digitais.
Imagem: Foreks.com/Reprodução