A cidade de Londrina, no norte do Paraná, vive um desafio financeiro expressivo em 2025: uma dívida acumulada de R$ 750 milhões referente ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Considerado uma das principais fontes de arrecadação do município, o tributo enfrenta índices elevados de inadimplência, com um quarto dos contribuintes em débito.
A Secretaria Municipal da Fazenda forneceu à imprensa os dados mais recentes que mostram a composição da dívida. Do valor total, R$ 521,7 milhões correspondem ao imposto principal; R$ 7,2 milhões referem-se a multas aplicadas; e R$ 221,1 milhões acumulam-se em juros. Há ainda R$ 82,2 milhões de valores de anos anteriores que estão em parcelamento ativo.
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Detalhamento do cenário atual
De acordo com o levantamento oficial, os lançamentos feitos neste ano também apresentam sinais de preocupação. Do total referente a 2025, R$ 89,3 milhões foram parcelados e estão sendo pagos em dia. No entanto, R$ 17,1 milhões estão em atraso e R$ 94,7 milhões já foram considerados inadimplentes. Esse montante se soma à dívida histórica, que chega a R$ 466,7 milhões, criando um cenário que preocupa a administração pública e compromete o equilíbrio fiscal do município.
Inadimplência ultrapassa um quarto dos contribuintes
A taxa de inadimplência do IPTU em Londrina gira em torno de 27%, percentual que o secretário da Fazenda, Éder Pires, considera elevado. Ele aponta que a origem do problema não está apenas na capacidade de pagamento da população, mas também no modelo ultrapassado de cobrança adotado ao longo dos anos.
Falta de proximidade com o contribuinte é apontada como causa
Gestão fiscal aposta em mudança de abordagem
Para o secretário Éder Pires, o relacionamento distante entre o poder público e o contribuinte contribuiu para o acúmulo de dívidas. “Na nossa avaliação, esse valor é fruto do formato de cobrança e, principalmente, da forma de relacionamento com o contribuinte que havia até então. Era um relacionamento distante. Você realmente só esperava os atos extremos, como execução fiscal e protesto, para se comunicar”, afirmou.
A atual gestão vem tentando reverter essa lógica por meio da modernização das ferramentas de cobrança e comunicação. A meta é deixar claro, desde cedo, que o débito está vencido e que o contribuinte poderá sofrer consequências legais. “Esse contribuinte precisa ser lembrado ou, eventualmente, até incomodado dentro do ato da cobrança”, explicou o secretário.
Novas ferramentas de notificação estão em uso
Entre as ações recentes da Secretaria da Fazenda estão a implantação de notificações eletrônicas, envio de SMS, e-mails e até mensagens via aplicativos de mensagem para informar sobre débitos pendentes antes que o processo se torne judicial. A intenção é reduzir a burocracia e aumentar a taxa de resolução espontânea por parte dos devedores.
Impactos da inadimplência para a cidade

Comprometimento de obras e serviços públicos
O alto índice de inadimplência tem reflexo direto nas finanças da cidade. O IPTU é um dos tributos que financiam áreas essenciais como saúde, educação, iluminação pública e manutenção urbana. Com a arrecadação comprometida, projetos e obras podem sofrer atrasos ou até mesmo cancelamentos por falta de recursos.
A Prefeitura de Londrina afirma que a dívida acumulada limita o planejamento orçamentário e enfraquece a capacidade de investimento do município. Medidas para recuperar parte do montante inadimplente são consideradas prioritárias para reequilibrar as contas públicas.
Renegociação e parcelamento: uma das saídas
Para facilitar a quitação dos débitos, o município mantém programas de renegociação, como o parcelamento com condições especiais. Cidadãos em débito com o fisco podem procurar a Secretaria da Fazenda para negociar dívidas antigas com descontos em multas e juros, dependendo do tempo e da forma de pagamento.
Nos próximos meses, a Prefeitura estuda lançar uma nova edição do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), com condições ainda mais atrativas, na tentativa de atrair um número maior de contribuintes inadimplentes.
Especialistas defendem educação fiscal e transparência
Conscientização pode ser chave para reduzir inadimplência
Especialistas em gestão pública afirmam que, além da modernização da cobrança, é fundamental investir em educação fiscal da população. A falta de compreensão sobre a importância do IPTU para o funcionamento da cidade pode contribuir para o descumprimento da obrigação tributária.
“É necessário mostrar ao cidadão como o recurso do IPTU é utilizado, criar uma relação de confiança e retorno visível à sociedade. Quando o morador percebe que a cidade está sendo cuidada com o seu dinheiro, a tendência é maior adesão ao pagamento do imposto”, afirma o economista público Rodrigo Maia, consultor em finanças municipais.
Transparência e retorno dos impostos
A confiança da população na gestão dos recursos públicos está diretamente relacionada à disposição em pagar tributos. Por isso, iniciativas que promovam maior transparência, como portais com dados de arrecadação e investimentos por bairro, podem estimular o pagamento em dia e reduzir a inadimplência de forma estruturada.
Conclusão
O desafio da inadimplência do IPTU em Londrina é uma realidade que afeta não apenas os cofres públicos, mas também a qualidade dos serviços oferecidos à população. Com uma dívida de R$ 750 milhões acumulada, a cidade precisa adotar medidas firmes, modernas e, sobretudo, humanizadas para reconquistar a confiança do contribuinte e promover uma recuperação gradual da receita.
A aposta da gestão municipal em novas formas de comunicação, junto com programas de renegociação e ações de conscientização, representa um passo importante para reverter esse cenário. O sucesso, porém, dependerá também do engajamento da população e do compromisso do poder público em garantir que cada centavo arrecadado retorne em benefícios visíveis à comunidade.
Imagem: jaturonoofer / shutterstock.com





