Lucro do banco do brasil (bbas3) cai 20,7% no primeiro trimestre de 2025
O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 7,3 bilhões no primeiro trimestre de 2025, resultado que representa uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho ficou abaixo da expectativa de mercado, que projetava um lucro próximo a R$ 9 bilhões, segundo estimativas da Bloomberg.
A retração marca o fim de um ciclo de 16 trimestres consecutivos de crescimento no lucro anual. Além disso, o BB foi o único entre os grandes bancos a apresentar recuo nos resultados do período, em contraste com concorrentes como Itaú, Bradesco e Santander.
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Impactos do agronegócio e da nova regulação contábil
De acordo com comunicado divulgado ao mercado nesta quinta-feira (15), dois fatores principais explicam o desempenho abaixo do esperado:
- a deterioração da carteira de crédito do agronegócio;
- e os impactos da Resolução CMN nº 4.966/2021, que alinhou as práticas contábeis brasileiras às normas internacionais.
A inadimplência do setor agropecuário, em especial, aumentou de forma relevante, com um volume crescente de empresas entrando em recuperação judicial.
Dados da Monitor RGF mostram que 341 companhias do setor ingressaram com pedidos de recuperação no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 38% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Essa piora elevou o índice de inadimplência no Banco do Brasil acima de 90 dias para 3,9%, um avanço de 1 ponto percentual. No crédito agro, o índice subiu 1,44 ponto percentual em 12 meses, encerrando março em 3,04%.
Desempenho inferior aos principais concorrentes
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), um dos principais indicadores de rentabilidade, também sofreu queda expressiva, recuando 498 pontos-base no trimestre. O BB encerrou o período com um ROE de 16,7%, abaixo do Itaú (23%), Santander (17%) e apenas ligeiramente acima do Bradesco (14,4%).
Esse resultado comprometeu a posição do banco frente aos pares de mercado, que conseguiram manter estabilidade ou apresentar ganhos no trimestre.
A piora nos indicadores levou a instituição a pausar temporariamente seu guidance (projeções de resultados), incluindo as metas de margem financeira bruta, custo do crédito e lucro líquido ajustado.
O peso da Resolução CMN nº 4.966/2021
A Resolução 4.966, do Conselho Monetário Nacional, passou a exigir dos bancos novos critérios para reconhecimento contábil de receitas e provisionamento para perdas, alinhando os padrões brasileiros ao IFRS 9.
Entre os principais efeitos dessa mudança estão:
- Postergar o reconhecimento de juros sobre inadimplência, de 60 para 90 dias
- Reconhecer juros de créditos classificados como Estágio 3 apenas quando efetivamente recebidos (regime de caixa)
Essa mudança teve impacto direto na linha de receitas, com redução de aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo o banco.
Além disso, o banco foi obrigado a aumentar as provisões para perdas com crédito (PDD). O saldo dessa conta chegou a R$ 89 bilhões, alta de 45% em relação ao mesmo período de 2024 e de 34% ante dezembro de 2024.
Queda na margem financeira e receitas estáveis
A margem financeira bruta, indicador que reflete a rentabilidade das operações de crédito, caiu 7,2% na comparação anual, para R$ 23,9 bilhões. O desempenho foi afetado pelo descasamento entre ativos prefixados e passivos pós-fixados, além das mudanças contábeis trazidas pela nova regulação.
Já as receitas com prestação de serviços ficaram praticamente estáveis, somando R$ 8,4 bilhões — crescimento de apenas 0,2% frente ao primeiro trimestre de 2024, e recuo de 9% ante o quarto trimestre do mesmo ano.
As despesas administrativas, por sua vez, somaram R$ 9,5 bilhões, sem variações relevantes no trimestre.
Carteira de crédito continua em expansão
Mesmo diante do cenário desafiador, o Banco do Brasil conseguiu ampliar sua carteira de crédito. No total, houve crescimento de 14% em relação ao primeiro trimestre de 2024 e avanço de 1,1% em relação ao último trimestre do ano passado.
A carteira de crédito para pessoas jurídicas foi destaque, atingindo R$ 459,9 bilhões, avanço de 22,4% em 12 meses. As grandes empresas responderam por R$ 141,3 bilhões, enquanto o segmento MPME (micro, pequenas e médias empresas) totalizou R$ 123,8 bilhões.
No agronegócio, a carteira alcançou R$ 406,2 bilhões, crescimento de 9% em um ano. Somente nos nove primeiros meses do plano safra 2024/2025 (julho de 2024 a março de 2025), o banco desembolsou R$ 152,5 bilhões em crédito ao setor, além de outros R$ 22 bilhões na cadeia de valor do agro.
Guidance pausado: incertezas sobre o futuro
Diante da piora dos indicadores e das dificuldades impostas pelo novo ambiente regulatório, o Banco do Brasil anunciou a suspensão de suas projeções de desempenho.
Segundo a instituição, a inadimplência no agronegócio e as novas exigências contábeis criaram um cenário de incerteza que compromete a previsibilidade de margens e lucros.
A CEO do banco, Tarciana Medeiros, classificou o primeiro trimestre como um “período de transição”, e reafirmou o compromisso da instituição com a entrega de resultados sólidos, apesar do momento adverso.
“Diante deste cenário, ratifico que seguimos focados no nosso compromisso de entregar um resultado condizente com o tamanho do Banco do Brasil”, afirmou Medeiros.
Comparativo com os concorrentes
Enquanto o Banco do Brasil sofreu recuo no lucro e na rentabilidade, os demais grandes bancos brasileiros apresentaram desempenho mais estável:
- Itaú Unibanco (ITUB4): ROE de 23%, crescimento no lucro
- Santander Brasil (SANB11): ROE de 17%, resultados consistentes
- Bradesco (BBDC4): ROE de 14,4%, leve recuperação após trimestres fracos
Essa diferença aumenta a pressão sobre o BBAS3, tanto do ponto de vista operacional quanto na percepção dos investidores.
Impacto nas ações BBAS3
Com o anúncio dos resultados, os papéis do Banco do Brasil podem sofrer pressão no curto prazo, principalmente diante das expectativas frustradas e do cenário de maior inadimplência.
Analistas de mercado devem revisar suas projeções para o ano, especialmente em relação aos lucros esperados e à capacidade do banco em manter sua política de dividendos robustos, que sempre foi um dos atrativos da ação.
Ainda assim, o ativo continua sendo considerado por muitos analistas como uma opção sólida para investidores de longo prazo, especialmente aqueles que buscam dividendos consistentes e exposição ao setor financeiro.
Conclusão
O primeiro trimestre de 2025 foi marcado por desafios para o Banco do Brasil. A combinação de aumento na inadimplência, sobretudo no agronegócio, e os efeitos das novas exigências contábeis impostas pela Resolução CMN nº 4.966/2021 impactaram de forma significativa os resultados do banco.
Com um lucro de R$ 7,3 bilhões — bem abaixo das expectativas —, queda na rentabilidade e suspensão do guidance, o BBAS3 enfrenta um cenário de incerteza que exigirá atenção redobrada dos investidores e resiliência da gestão.
Apesar do momento difícil, a expansão da carteira de crédito e a solidez da instituição continuam sendo pontos positivos, que poderão favorecer uma recuperação a médio e longo prazo, caso o ambiente macroeconômico e regulatório se estabilize.