Marco Legal impõe nova exigência: seguradoras devem justificar negativas com dados
O setor de seguros no Brasil passa por uma transformação estrutural com a entrada em vigor da Lei Nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024, que institui o novo Marco Legal dos Seguros.
A legislação traz regras mais claras e rigorosas sobre a negativa de indenizações, exigindo das seguradoras provas objetivas de que houve agravamento do risco por parte do segurado.
Em paralelo, cresce a adoção de inteligência artificial (IA) e Big Data como ferramentas essenciais para análise de sinistros com precisão, agilidade e segurança jurídica.
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O que diz a nova Lei 15.040/2024?
O Artigo 16 da lei estabelece:
“Sobrevindo o sinistro, a seguradora somente poderá recusar-se a indenizar caso prove o nexo causal entre o relevante agravamento do risco e o sinistro caracterizado.”
Isso significa que não basta mais alegar subjetivamente que o cliente descumpriu obrigações contratuais. Agora, é preciso apresentar evidências concretas, o que exige novas abordagens tecnológicas e operacionais por parte das seguradoras.
Fim da subjetividade: o novo padrão probatório
A nova legislação reforça um paradigma mais técnico e menos subjetivo. Em vez de suposições baseadas em suspeitas ou perfis genéricos, a seguradora precisa:
- Demonstrar que houve agravamento relevante do risco;
- Provar que esse agravamento teve relação direta com o sinistro;
- Apresentar dados objetivos, registros, imagens ou histórico para fundamentar a negativa.
Esse cenário exige inovação tecnológica para que as companhias não apenas cumpram a lei, mas também otimizem seus processos internos.
A resposta tecnológica: IA e Big Data ganham protagonismo
Para atender às novas exigências legais e operacionais, as seguradoras estão investindo massivamente em tecnologias de análise preditiva e processamento em larga escala. É nesse contexto que empresas como a Carbigdata ganham relevância.
Quem é a Carbigdata?
A Carbigdata é uma empresa especializada em inteligência de dados aplicada ao setor automotivo e de seguros. Com uma base que abrange mais de 80% da frota circulante no Brasil, a startup consegue fornecer:
- Histórico de circulação veicular;
- Indícios de uso comercial ou desvios de perfil;
- Cruzamento de dados para detecção de fraudes;
- Agilidade na precificação e vistoria digital.
A visão do CEO
Pedro de Paula, fundador e CEO da Carbigdata, afirma:
“Antes, a negativa de um sinistro podia ser mais subjetiva; hoje, a regra é clara: é preciso comprovar o motivo, apresentar evidências concretas. Vejo que isso representa um desafio grande, mas também uma chance de atuar de forma mais precisa contra fraudes.”
Como a tecnologia impacta a análise de sinistros?
Inteligência artificial como ferramenta de decisão
A IA permite automatizar e refinar a avaliação de sinistros, principalmente em três pilares:
1. Reconhecimento de padrões
Algoritmos são treinados para identificar inconsistências e padrões repetitivos que podem indicar tentativa de fraude, como:
- Reincidência de sinistros com perfis semelhantes;
- Histórico incomum de manutenção;
- Localizações divergentes entre ocorrência e perfil habitual do veículo.
2. Validação de dados em tempo real
A IA possibilita verificação instantânea de informações fornecidas pelo segurado, como endereço, uso do veículo e histórico de circulação. Isso elimina a necessidade de análises manuais demoradas.
3. Classificação automática de riscos
Com base nos dados da Carbigdata, é possível ajustar o risco real do cliente com mais exatidão, influenciando desde o valor da apólice até a decisão sobre a cobertura do sinistro.
Big Data como base de evidências
O Big Data transforma a quantidade massiva de dados veiculares em inteligência prática para seguradoras. A Carbigdata, por exemplo, utiliza essa abordagem para:
- Verificar se o veículo circulava em área de alto risco;
- Identificar discrepâncias no uso informado (uso particular vs. comercial);
- Reduzir a necessidade de vistoria presencial, acelerando a emissão de apólices e análise de danos.
Aplicações práticas: do roubo à precificação
Roubo e furto: cada segundo conta
Ao registrar um roubo ou furto, o tempo de resposta é essencial. Segundo De Paula:
“Quando um veículo é roubado ou furtado, cada segundo conta. É justamente essa amplitude da nossa base que permite gerar insights e informações cruciais muito rapidamente.”
As informações coletadas em tempo real permitem que a seguradora:
- Confirme a movimentação recente do veículo;
- Verifique se há uso indevido ou fora do perfil habitual;
- Inicie o processo de ressarcimento ou rastreamento com maior rapidez.
Precificação mais justa e sem atrito
A tecnologia permite validar o estado do veículo antes mesmo da emissão da apólice, sem necessidade de o cliente enviar múltiplas fotos ou passar por vistorias físicas.
Vantagens para o cliente:
- Menos burocracia;
- Agilidade na contratação;
- Processo mais seguro e transparente.
Vantagens para a seguradora:
- Redução de custos operacionais;
- Menor taxa de sinistros fraudulentos;
- Dados confiáveis para cálculo de prêmio e cobertura.
O futuro da análise de sinistros no Brasil
IA e compliance andam juntos
A nova legislação obriga o mercado a ser mais técnico e embasado. A IA surge como aliada no cumprimento da lei, oferecendo:
- Transparência;
- Rastreabilidade das decisões;
- Documentação completa para fins jurídicos.
O desafio da ética e proteção de dados
Com a coleta e uso intensivo de dados, surgem também preocupações com privacidade e segurança da informação. As seguradoras devem estar alinhadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e manter políticas claras de uso e compartilhamento de dados.
Integração entre tecnologias e pessoas
Embora a IA assuma tarefas repetitivas e analíticas, a decisão final deve seguir princípios humanos e éticos. O papel dos analistas e peritos não desaparece, mas se transforma, com foco em interpretação estratégica dos dados gerados pelas máquinas.
Considerações finais
A chegada da Lei 15.040/2024 marca um novo momento para o setor de seguros no Brasil. O que antes era analisado de forma subjetiva agora precisa ser comprovado com dados objetivos e auditáveis. Nesse cenário, inteligência artificial e Big Data deixam de ser tendência e se tornam requisitos fundamentais para garantir conformidade, agilidade e justiça no processo de análise de sinistros.
Empresas como a Carbigdata já mostram como a inovação pode transformar profundamente esse mercado, permitindo decisões mais rápidas, justas e fundamentadas. O futuro do setor será cada vez mais baseado em dados – e os que não se adaptarem, inevitavelmente ficarão para trás.