Lucratividade da mineração Bitcoin salta quase 20% em maio, aponta Jefferies
A lucratividade da mineração do Bitcoin (BTC) teve um forte salto de 18,2% em maio, impulsionada por uma valorização de 20% no preço da criptomoeda e apenas 3,5% de aumento no hashrate da rede, segundo o relatório divulgado pelo banco de investimentos Jefferies na segunda-feira.
📌 DESTAQUES:
Relatório da Jefferies mostra lucro da mineração de Bitcoin subindo 18,2% em maio, impulsionado por preço do BTC (+20%) e aumento moderado do hashrate (+3,5%).
Esses dados evidenciam a capacidade dos mineradores de ampliar margens em um cenário de valorização acelerada.
Jeffries ainda chama atenção para o papel do Bitcoin como ativo de proteção contra inflação, similar ao ouro, especialmente em meio aos déficits fiscais crescentes nos EUA e em outras economias”, segundo os analistas Jonathan Petersen e Jan Aygul.
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A dinâmica de preço e hashrate que favoreceu os mineradores
O Bitcoin apresentou uma valorização próxima a 20% no período, alimentando diretamente a receita de quem valida blocos na rede. Tal valorização é crítica, já que o ganho em dólar por block reward segue atrelado ao valor da criptomoeda.
O hashrate, que indica o poder computacional da rede, teve aumento modesto de apenas 3,5%. Isso significa que a dificuldade de encontrar blocos subiu menos que o preço do BTC, ampliando o “hashprice” – receita por EH/s – para os mineradores.
Destaques na mineração pública dos EUA
As empresas mineradoras listadas nos EUA extrairam 3.754 BTC em maio, ante 3.278 BTC em abril, um aumento significativo de quase 15% na produção.
Minério concentrado em poucos players
A participação dos mineradores norte-americanos subiu de 24,1% para 26,3% da rede. Dois nomes se destacaram:
- Mara Holdings (MARA) liderou, extraindo 950 bitcoins, alta de 35% em relação ao mês anterior. Seu hashrate instalado atingiu 58,3 EH/s, também o maior entre as empresas, embora o banco tenha reduzido seu preço‑alvo de US$ 18 para US$ 16, mantendo avaliação neutra.
- CleanSpark (CLSK) veio em seguida, com 694 BTC extraídos e hashrate de 45,6 EH/s.
Crescimento de hashrate e receita por EH/s
Liderança da Mara Holdings
A Mara continua com maior capacidade computacional instalada — 58,3 EH/s — reforçando sua posição dominante no setor.
Trajetória robusta da CleanSpark
A CleanSpark reportou hashrate de 45,6 EH/s, com projeção de ultrapassar 50 EH/s em junho. A empresa também ampliou sua tesouraria em BTC, embora tenha vendido parte no mês.
Hashprice favorável e receita por EH/s
Estimativa do JPMorgan
De acordo com o JPMorgan, mineradores de Bitcoin alcançaram US$ 51.600 por EH/s em receita diária de recompensa por bloco em maio – aumento de 16% frente a abril. Já o lucro bruto por EH/s saltou impressionantes 36% mês a mês, alcançando cerca de US$ 27.900.
Esse avanço é reflexo direto do cenário otimista: alta do BTC com controle adequado do aumento do hashrate.
Reações dos bancos: ajustes na recomendação
Jefferies
O banco reduziu o preço‑alvo da MARA de US$ 18 para US$ 16, repetindo avaliação neutra (“hold”), apesar dos resultados positivos.
JPMorgan
Em relatório recente, o JPMorgan elevou os preços‑alvo de:
- CleanSpark (para US$ 14),
- Riot Platforms (para US$ 14),
- MARA (para US$ 19), mantendo as ações como neutras (MARA) ou com recomendação positiva (“overweight”) nos demais.
Cenário operacional e novas estratégias
A Jefferies cita que mineradoras nos EUA estão diversificando receitas, migrando parte aos mercados de AI e computação de alto desempenho (HPC), em busca de margens adicionais.
A JPMorgan também destacou redução de custos por blocos em empresas como a IREN, que conseguiu alcançar US$ 36.400 por BTC extraído, melhor margem do grupo.
Q1: receitas crescentes com prejuízos
Dados do Q1 mostram crescimento robusto de receita nos players: MARA +30% (US$ 214M), CleanSpark +63% (US$ 182M), embora com prejuízos líquidos de US$ 533M e ** US$ 139M**, respectivamente.
Esse quadro sugere investimento contínuo em expansão e infraestrutura, impactando o lucro líquido.
Implicações para o setor de mineração
Lucro por EH/s atrakivo
O aumento de hashprice e controle do hashrate tornaram maio um mês de ganhos sólidos para os mineradores. A tendência atrai capital e fortalece operações que apostam em eficiência.
Seleção natural por eficiência
Mineradoras menores ou menos eficientes enfrentam pressão com menor rentabilidade. As empresas grandes crescem em participação, evidenciando uma seleção natural no mercado.
Pressão regulatória e energética
Expansão rápida pressiona o consumo energético e eleva atenção regulatória sobre consumo e sustentabilidade. O movimento para AI/HPC e energias limpas acompanha essa tendência.
Cenário futuro: o que esperar?
Preço do BTC continuará no centro
A lucratividade seguirá atrelada ao preço do BTC. Quedas extraprovas podem anular ganhos por EH/s; alta contínua pode impulsionar ainda mais.
Hashrate deve subir, desafiar ganhos
A competição motivará novas adições de hashrate. Se crescer mais rápido que o preço do BTC, hashprice recua, exigindo melhoria operacional.
Mineradoras adaptam portfólios
Expandir receitas para computação de IA, contratos de energia e infraestrutura diversificada será chave para mitigar pressão da mineração pura.
Considerações finais
O mês de maio marcou forte recuperação na mineração de Bitcoin, com +18,2% de lucratividade, sustentada por valorização expressiva do BTC e competição contida pelo hashrate. A performance robusta de MARA e CleanSpark reforça a liderança dos EUA, enquanto os ajustes de analistas refletem um mercado otimista, porém cauteloso.
A evolução aponta para um setor em consolidação, com player escalonando capacidade, ampliando serviços e buscando sustentabilidade. A mineração se torna mais profissionalizada, atraindo fluxos de capital e exigindo governança sobre energia e tecnologias complementares, como IA e HPC.
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