Homem fatura R$ 1,8 milhão ao minerar um bloco de Bitcoin sozinho — feito raríssimo em 2025
Em 3 de julho de 2025, um minerador individual realizou um feito excepcional: ele minerou sozinho o bloco número 903.883 da rede Bitcoin, utilizando uma rig com poder limitado e conquistou 3,173 BTC, avaliado em cerca de US$ 348 mil, ou aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Num ambiente dominado por mega operações com poder computacional gigantesco, esse é um evento que ocorre apenas uma vez a cada oito anos, segundo estimativas técnicas.
A conquista foi possível graças à CKpool, plataforma voltada para mineradores solo que permite disputar recompensas completas, sem dividir ganhos com grandes pools — mesmo com potência reduzida. Segundo Con Kolivas, desenvolvedor da plataforma, as chances de sucesso com 2,3 PH/s são de 1 em 2.800 por dia, ou seja, cerca de 0,004% de probabilidade diária.
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Minerando um bloco sozinho — um experimento quase impossível
O que significa mineração solo?
O modelo de solo mining permite que um minerador utilize infraestrutura própria — sem estar atrelado a pools centralizados — e receba 100% da recompensa do bloco, incluindo taxa de transações e recompensa base (3,125 BTC após o halving de 2024).
Em contraste, a maioria dos mineradores participa de pools cooperativos, onde os ganhos são divididos proporcionalmente ao poder de hash contribuído.
A infraestrutura usada no evento
Embora o minerador tivesse apenas 2,3 PH/s de poder computacional — uma fração minúscula do total estimado da rede (cerca de 880 EH/s) — ele conseguiu resolver o enigma criptográfico necessário. Isso representa aproximadamente 0,00026% da taxa total de mineração do Bitcoin.
Estratégia de rentabilidade: equipamento modesto e muita sorte
Especialistas como o historiador de Bitcoin Pete Rizzo qualificaram este triunfo como uma vitória contra probabilidades astronômicas, destacando que até mesmo equipamentos antigos ou geração anterior de ASICs podem resultar em ganhos expressivos, se a sorte estiver ao lado do minerador.
Probabilidade e contexto estatístico da façanha

Chance estimada de sucesso
A estimativa técnica mais utilizada para blocos minerados com 2,3 PH/s aponta uma chance de 1 em 2.800 por dia, ou aproximadamente uma vez a cada oito anos. Esses dados refletem a enorme disparidade entre capacidades individuais e grandes pools de mineradores.
Frequência histórica e replicação
Este evento representa o segundo caso de sucesso solo com recompensa acima de US$ 300 mil em 2025, após outro feito similar em junho (bloco 899.826), além de uma ocorrência em fevereiro. Casos anteriores também ocorreram em abril de 2024.
Técnica de mineração e a mecânica por trás do sucesso
Ajuste de nonce e dificuldade da rede
A mineração de Bitcoin exige encontrar um hash abaixo de um determinado alvo via SHA‑256. Com a dificuldade da rede atingindo níveis recordes (~126 trilhões), descobrir um bloco torna-se um trabalho de tentativas massivas — trilhões por segundo.
Hashrate temporário: uso de infraestrutura alugada
Em blocos anteriores, mineradores solo chegaram a aumentar temporariamente os hashrates (como 259 PH/s) via contratação de poder computacional em nuvem. Essa estratégia viabiliza um “tiro certeiro”, com potencial de recompensa significativa.
Riscos e custos da abordagem
Mesmo cases extraordinários demonstram que o modelo é muito arriscado e caro, com custo alto de energia, hardware e infraestrutura, tornando-o pouco viável como estratégia contínua para a maioria dos entusiastas.
Recompensa total e valor obtido
3,173 BTC em uma tacada só
A recompensa do bloco incluiu o subsídio fixo de 3,125 BTC (valor vigente após halving), acrescido das taxas de transação, totalizando 3,173 BTC — cerca de US$ 348 mil a US$ 349 mil no dia da mineração.
Então, quanto em reais?
Convertendo ao câmbio aproximado na data (US$ 1 ≈ R$ 5,50), isso corresponde a cerca de R$ 1,8 milhão, um valor impressionante para alguém que não opera com infraestrutura profissional.
Significado do evento no panorama da descentralização
A mineração ainda permanece aberta a qualquer indivíduo
Apesar da concentração de poder entre grandes mineradoras — como Foundry USA, Antpool e Binance Pool — este tipo de acontecimento reforça que a essência do Bitcoin continua descentralizada, possibilitando conquistas por indivíduos isolados.
Reflexões sobre centralização e governança
A predominância de grandes pools levanta preocupações sobre concentração de poder. Este caso serve como lembrete de que, em tese, qualquer pessoa pode participar e ser recompensada — ainda que de forma imprevisível.
Riscos e limitações do solo mining
Nenhuma consistência nos rendimentos
Para a maioria dos mineradores individuais, a taxa de falha e o custo operacional superam os ganhos potenciais. Ao contrário dos pools, o solo mining depende exclusivamente do acaso.
Exigência de continuidade técnica e disponibilidade
Além da chance ínfima, o equipamento precisa funcionar 24/7 e com estabilidade absoluta — o que requer manutenção, conexão estável e controle de temperatura — fatores muitas vezes subestimados por entusiastas.
O futuro do solo mining e alternativas estratégicas
Nova era de “hash burst” usando recursos sob demanda
O modelo de alugar poder computacional para executar “picos calculados” de hash se consolidou como recurso estratégico. Ainda que não garanta sucesso, reduz barreiras de entrada para tentativas esporádicas.
Pools híbridos e alternativos
Algumas plataformas e mineradores têm adotado estratégias mistas, combinando mineração em pool com tentativas solo em momentos com menores custos de energia ou dificuldade.
Papel das redes decentralizadas e open-source
Plataformas como a Solo CKpool, sem fins lucrativos e com taxa de apenas 2%, mantêm a possibilidade desse modelo vivo para entusiastas. O projeto reforça o caráter aberto da rede Bitcoin.
Considerações finais

A conquista de um minerador solo que faturou R$ 1,8 milhão ao resolver um bloco de Bitcoin sozinho é uma história emblemática sobre o inesperado e o descentralizado na era da mineração industrial.
Apesar da improbabilidade técnica — com chance estimada de 1 em 2.800 por dia — episódios como esse demonstram que a rede Bitcoin continua acessível a qualquer participante, por menor que seja seu poder de hashrate.
Esse caso não representa uma estratégia de mercado viável para a maioria, mas ilumina a persistência das raízes originais do projeto: permitir que qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa participar na validação de blocos e ser recompensada, ainda que saiba que a sorte é parte determinante.