A agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito de longo prazo da Argentina em moedas estrangeira e local de Caa3 para Caa1, em meio à série de reformas econômicas promovidas pelo presidente Javier Milei. A perspectiva, antes positiva, foi revista para estável, indicando que a agência não espera novas mudanças no curto prazo.
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Medidas estruturais motivaram a decisão

A decisão reflete as medidas econômicas adotadas pelo governo argentino desde a posse de Milei, como a liberalização do câmbio, a redução de controles de capitais e a implementação de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses fatores ajudaram a ampliar a liquidez, reduziram pressões sobre o financiamento externo e diminuíram o risco de um novo calote, segundo avaliação da própria agência.
Reformas reduzem vulnerabilidades
Equilíbrio fiscal é destaque
No comunicado, a agência aponta que a posição fiscal equilibrada rompe com o histórico de dominância fiscal da Argentina, no qual o Banco Central financiava o déficit do governo. Esse novo cenário, segundo a Moody’s, contribui para uma recuperação econômica mais sustentável e diminui a vulnerabilidade do país a choques externos.
Alta dos salários reais e expansão do crédito
A Moody’s também observou que o processo de desinflação levou ao aumento dos salários reais, o que estimulou o consumo interno e contribuiu para uma melhora nos indicadores de crédito. O aperto fiscal também permitiu um aumento no volume de crédito disponível, não mais suprimido pelas demandas do setor público.
Câmbio mais livre e previsível
Outro ponto elogiado pela Moody’s foi a desmontagem das distorções cambiais, o que permitiu maior previsibilidade e melhor funcionamento do mercado interno. Segundo a agência, a transição para um novo regime cambial não gerou volatilidade excessiva nem nos mercados financeiros nem na atividade econômica geral.
PIB volta a crescer
Fim da recessão prolongada
O reflexo dessas reformas pode ser visto nos dados de crescimento. Nos últimos três meses de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino retornou ao território positivo, encerrando uma sequência de seis trimestres consecutivos de contração anual.
Projeções otimistas para 2025 e 2026
Com isso, a Moody’s projeta que o país terá um crescimento de 4% em 2025, com uma leve desaceleração para 3,5% em 2026. No entanto, a agência faz uma ressalva importante: os riscos seguem elevados, especialmente em relação ao cenário externo e ao ambiente político doméstico.
Próximos passos da Moody’s

Possibilidade de novo upgrade
A Moody’s sinaliza que pode voltar a elevar o rating argentino, caso o país continue avançando com reformas estruturais que corrijam desequilíbrios fiscais e econômicos históricos.
Reservas internacionais como fator chave
A agência também menciona que o aumento das reservas internacionais, impulsionado por fluxos de moeda estrangeira não endividados, pode sustentar futuras melhorias na classificação.
Apoio popular fortalece reformas
A recuperação econômica e o apoio popular às medidas de ajuste também são elementos levados em consideração. A Moody’s observa que o governo pode ganhar um mandato político mais forte nas eleições legislativas de outubro de 2025, o que daria mais espaço para acelerar sua agenda de reformas.
Riscos de novo rebaixamento
Vulnerabilidades permanecem no radar
Apesar da elevação da nota, a Moody’s deixa claro que riscos relevantes permanecem no radar. Entre os fatores que poderiam levar a um rebaixamento estão:
- Pressões na balança de pagamentos
- Escassez de moeda estrangeira
- Choques políticos ou econômicos
- Volatilidade financeira excessiva
Interrupção das reformas pode frear progresso
Qualquer evento que comprometa a estabilidade macroeconômica ou afete a continuidade das reformas pode representar um retrocesso na classificação da dívida soberana argentina.
Argentina ainda enfrenta desafios estruturais
Financiamento externo e investimentos
Mesmo com a elevação da nota, a Moody’s ressalta que a Argentina continua enfrentando sérias dificuldades de financiamento externo. Os baixos colchões de capital e os obstáculos ao investimento privado ainda pressionam a nota soberana.
Diferença entre rating e teto da moeda
Segundo a agência, a diferença de três níveis entre o teto da moeda local e o rating soberano reflete a melhoria da previsibilidade econômica e a redução da presença do Estado na economia. Isso contrasta com a fragilidade do saldo de pagamentos externos.
Já a diferença de apenas um nível entre o teto da moeda estrangeira e o teto da moeda local mostra que a política econômica atual tem sido eficaz e que o endividamento externo está em níveis relativamente baixos, mesmo com a baixa abertura da conta de capital.
Fitch também elevou classificação da Argentina

Fitch subiu nota em maio de 2025
Antes da Moody’s, a agência Fitch Ratings já havia melhorado a nota da Argentina em maio de 2025, passando de CCC para CCC+. Na ocasião, a agência destacou que a recuperação econômica e o processo de desinflação estavam superando as expectativas iniciais.
Novo regime cambial como divisor de águas
A Fitch também reconheceu o impacto positivo das mudanças no regime cambial, embora tenha alertado sobre a fragilidade das reservas internacionais, que ainda representam um ponto de vulnerabilidade diante de possíveis choques externos.
Conclusão
A elevação da nota de crédito da Argentina pela Moody’s representa um marco importante na política econômica do governo Javier Milei. Embora ainda esteja classificada em um patamar especulativo, a mudança de Caa3 para Caa1 sinaliza uma melhoria nas perspectivas macroeconômicas do país.
A trajetória, no entanto, segue cercada de incertezas políticas, desafios fiscais e riscos externos. A manutenção e aprofundamento das reformas serão determinantes para a continuidade dessa recuperação, em um cenário global cada vez mais volátil.




