O Nubank, fintech fundada em 2013 e listada na bolsa de Nova York (NYSE), registrou um desempenho histórico no segundo trimestre de 2025, superando pela primeira vez o Banco do Brasil (BB) em lucro líquido. O resultado, impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito e pelo controle rigoroso de despesas, consolidou a posição do roxinho entre os grandes players do sistema financeiro brasileiro e internacional.
Enquanto o Nubank apresentou lucro contábil de US$ 637 milhões (R$ 3,41 bilhões), o Banco do Brasil fechou o mesmo período com R$ 3,03 bilhões, evidenciando um contraste de cenários entre a instituição centenária e a fintech digital.
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Banco do Brasil sofre pressão do agronegócio

O agronegócio, tradicional motor de crescimento do Banco do Brasil, tornou-se em 2025 um dos principais fatores de fragilidade. A inadimplência do setor pesou sobre os resultados do segundo trimestre, ampliando a distância em relação aos grandes bancos privados e, agora, até mesmo frente ao Nubank.
De acordo com analistas, a instituição estatal enfrentou não apenas a deterioração da carteira ligada ao agro, mas também aumento nas provisões para outros segmentos de crédito.
Ajustes contábeis e queda histórica nos lucros do BB
Em termos ajustados, o Banco do Brasil registrou lucro de R$ 3,784 bilhões, o que representou uma queda anual de 60%, configurando o menor nível desde 2020. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 8,4%, o patamar mais baixo desde 2016.
O banco, como em anos anteriores, classificou como “não recorrentes” despesas ligadas a planos econômicos. “O BB classificou como ‘não recorrentes’ as despesas de R$ 750 milhões (depois de impostos e ajustes de divisão de lucros) relacionado a planos econômicos – algo que vem fazendo ao longo de toda a série histórica. A questão, contudo, é que dada a grande queda nos lucros, isso agora responde por 20% dos ganhos ajustados”, destacou relatório do BTG Pactual.
Esse artifício contábil, embora recorrente desde 2014, chamou mais atenção em 2025 devido ao peso representativo nos resultados líquidos.
O desempenho do Nubank em números
O Nubank não apenas superou o Banco do Brasil em lucro contábil, como também impressionou com seu lucro ajustado de US$ 694,5 milhões (R$ 3,76 bilhões), número 5% acima do consenso dos analistas da Bloomberg e 42% superior ao mesmo período de 2024.
O indicador de rentabilidade também surpreendeu: o ROE do Nubank atingiu 28%, muito acima da média do setor bancário brasileiro e em claro contraste com os 8,4% reportados pelo BB.
Segundo especialistas, os resultados foram impulsionados por três pilares:
- Expansão da carteira de crédito, especialmente no segmento de pessoas físicas;
- Melhoria das margens financeiras líquidas, reflexo da eficiência no uso de capital;
- Controle de despesas operacionais, sustentando a escalabilidade do modelo digital.
Impacto no mercado financeiro

O desempenho do Nubank refletiu diretamente no humor dos investidores. As ações da fintech tiveram forte valorização na NYSE após a divulgação do balanço, e os papéis brasileiros ligados ao setor bancário também reagiram, com parte dos investidores revisando projeções para o 2º semestre.
Enquanto isso, o Banco do Brasil viu suas ações sofrerem pressões na B3, diante da percepção de maior risco ligado ao agronegócio e da queda abrupta de rentabilidade.
A disparidade de resultados reforça uma tendência observada nos últimos anos: a ascensão das fintechs e bancos digitais como concorrentes reais das instituições tradicionais.
Nubank x Banco do Brasil: choque de modelos de negócio
O contraste entre Nubank e Banco do Brasil vai além dos números e reflete modelos de negócios radicalmente diferentes.
- O Nubank aposta em tecnologia, baixo custo operacional e escalabilidade digital, oferecendo serviços acessíveis e com usabilidade simplificada.
- O Banco do Brasil, apesar de digitalizar parte de sua operação, ainda mantém forte presença física e custos elevados de estrutura, além de sua histórica exposição ao crédito agrícola.
Esse choque de estratégias ajuda a explicar por que, em um cenário de inadimplência crescente, o BB sofreu tanto, enquanto o Nubank conseguiu manter margens sólidas e até expandir sua lucratividade.
Expectativas para o 2º semestre de 2025
Para analistas de mercado, a grande questão agora é se o Nubank conseguirá sustentar esse ritmo de crescimento ao longo de 2025 e se o Banco do Brasil será capaz de reverter a trajetória negativa.
- O BB deve continuar pressionado pelo desempenho do agronegócio e por provisões mais robustas.
- O Nubank deve buscar ampliar sua base de clientes premium e expandir linhas de crédito com maior rentabilidade.
Apesar do otimismo com a fintech, alguns especialistas alertam que a expansão acelerada da carteira de crédito pode aumentar riscos de inadimplência futura.
Repercussão no setor bancário
O caso também reacendeu debates sobre a competitividade do setor bancário no Brasil. Pela primeira vez, um banco digital jovem superou em lucro uma das maiores instituições tradicionais do país.
Esse movimento reforça que as barreiras históricas do mercado estão cedendo frente a novas tecnologias e modelos mais ágeis, impondo desafios para bancos centenários que precisam se reinventar diante da digitalização.
Com informações de: Exame

