Bitcoin supera US$ 108 mil: quais cenários aguardam em julho após semanas otimistas?
Antes do encerramento de junho, o Bitcoin recuperou força e subiu novamente para US$ 108 000, encerrando o início da semana negociado a US$ 107 958, com ganhos diários de 0,6%, semanais de 8,6% e mensais de 2,3%. Essa recuperação vigorosa se deu após o recuo recente para mínimas de US$ 98 523.
Mister Crypto resumiu o movimento com entusiasmo no X:
“Cruzamento positivo na Liquidez Global. O Bitcoin está prestes a explodir!”
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O que está impulsionando o Bitcoin nesta semana
1. Retomada pós-queda e melhora geopolítica
Depois da queda brusca abaixo dos US$ 100 000 em 22 de junho, o cenário global mostrou sinais de estabilidade. O cessar-fogo entre Irã e Israel reduziu a aversão ao risco, beneficiando ativos como o BTC . Além disso, expectativas de acordos entre EUA, UE e China também contribuíram para o bom momento.
2. Fluxo institucional recorde via ETFs
Os dados das últimas semanas indicam que os ETFs de Bitcoin nos EUA registraram entradas líquidas de US$ 2,2 bilhões entre 10 e 25 de junho, com o IBIT da BlackRock liderando o movimento ao captar mais de US$ 436 milhões em apenas um dia. Esse fluxo demonstra confiança institucional crescente, mesmo em meio à volatilidade geopolítica.
3. Dólar em baixa histórica: efeito no BTC
O índice do dólar (DXY) caiu para o menor nível em três anos, atingindo zonas próximas a 97–98 pontos. A desvalorização da moeda fortalece a narrativa do Bitcoin como reserva alternativa, alinhando-se com tendências históricas de valorização após quedas do DXY.
Análise técnica: o que observar
Reversão em “V” e sinal de força
Após tocar os US$ 98 240, o Bitcoin formou uma reversão em “V” e voltou para a zona de US$ 107 000–108 000, com sequências de pequenas velas verdes, indicando pressão de compra contínua, embora sinais de enfraquecimento estejam aparecendo .
Níveis críticos:
- Resistência: US$ 109 000 — rompimento pode abrir caminho para novas máximas;
- Suporte psicológico: US$ 105 000 — perda pode desencadear recuo à zona de US$ 100 000;
- RSI: em 49, indicando equilíbrio, sem tendência clara .
Eventos-chave que podem definir julho
Discurso de Powell no BCE (1 de julho)
Com Powell participando do fórum do BCE em Sintra, os discursos sobre juros trazem volatilidade em potencial. Indicadores dovish podem fortalecer o BTC, enquanto recados cautelosos podem travar o movimento.
Tarifa EUA – prazo em 9 de julho
O vencimento da suspensão de tarifas comerciais pode gerar impacto macro. Se Trump não estender o prazo, o dólar pode ter alta temporária, aumentando a aversão a risco e pressionando negativamente o Bitcoin .
Relatórios econômicos: payroll/PCE e inflação
Indicadores como payroll (3 de julho) e dados do PCE afetam expectativas de juros. Alta inflacionária pode postergar cortes do Fed e fortalecer o dólar; já dados tranquilos podem dar suporte ao BTC .
Cenários possíveis para o Bitcoin em julho

Cenário A – Alta sustentada
- Gatilhos: dólar fraco, cortes de juros previsíveis, estabilidade geopolítica.
- Possível: rompimento acima de US$ 109 000; alvo: máximas históricas (~US$ 112 000).
Cenário B – Consolidação lateral
- Gatilhos: indecisão em discursos, neutralidade nos indicadores econômicos.
- Possível: faixa de US$ 105 000–109 000 com oscilações contidas.
Cenário C – Correção inevitável
- Gatilhos: fortalecimento do dólar, anúncio de tarifas, dados inflacionários fortes.
- Possível: queda a US$ 105 000, testando patamares inferiores com suporte em US$ 100 000.
Sintonia macro: dólar, juros e geopolítica
- Dólar: em baixa histórica, mas sob risco de alta se política americana virar.
- Juross: Fed com chance de corte em julho e setembro; política de Trump pressiona o Fed .
- Geopolítica: cessar-fogo no Oriente Médio trouxe alívio, mas antigas tensões podem voltar.
Perspectiva para investidores
Curto prazo (dias a semanas)
- Preste atenção à fala de Powell, indicadores econômicos e anúncios de tarifas.
- Acompanhe o comportamento técnico: suporte em US$ 105 000 e resistência em US$ 109 000.
Médio prazo (mês de julho)
- Cenário base tende a ser de leve alta ou lateralidade, com alguma pressão adversa possível.
- Risco-reserva dinâmica: preparar para reteste de suporte se dólar reagir.
Longo prazo (após julho)
- ETFs seguem como aporte constante; dólar pode continuar fraco e elevar apelo ao BTC.
- Demanda institucional, escassez pós-halving e adoção constante reforçam tendência cíclica de alta.
Resumo: o que monitorar para aproveitar oportunidades
- Fluxos institucionais via ETFs, mantendo a confiança no digital gold;
- Política monetária americana e força do dólar;
- Eventos macroeconômicos e geopolíticos que podem provocar volatilidade.
Um mercado movido por tensão global pede equilíbrio entre prudência e visão de longo prazo. O Bitcoin está bem posicionado, mas precisa de clareza macro para cimentar novos patamares.