A Petrobras (PETR4) há muito ocupa lugar de destaque no imaginário dos investidores que buscam renda passiva. Conhecida como a “rainha dos proventos”, a petroleira estatal construiu um histórico de pagamentos robustos que chegaram a impressionantes dividend yields acima de 20% ao ano em ciclos recentes.
No entanto, o cenário de 2025 exige uma leitura mais cautelosa. Apesar das promessas da nova CEO da companhia, Magda Chambriard, de que “muito esforço será feito” para garantir dividendos extraordinários, especialistas do mercado financeiro começam a reavaliar se esses pagamentos excepcionais realmente devem acontecer.
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Dividendos extraordinários: esperança ou ilusão?
A possibilidade de dividendos extraordinários sempre desperta entusiasmo entre os investidores da Petrobras. Essas distribuições, feitas além do lucro recorrente, geralmente ocorrem quando a empresa registra resultados excepcionais — seja pela alta do petróleo, controle de custos ou mudanças estratégicas.
O que dizem os analistas
Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, os tempos de dividendos fora da curva parecem ter ficado para trás. Em sua análise, mesmo com as recentes tensões geopolíticas entre Israel e Irã, que elevaram momentaneamente o preço do barril de petróleo Brent, a cotação atual de US$ 68,60 não sustenta o pagamento de dividendos adicionais.
“Para que a Petrobras volte a pagar dividendos extraordinários, o petróleo teria que girar em torno de US$ 80 por barril de forma sustentada”, afirma Hungria.
Dessa forma, os investidores que se habituaram com dividend yields de 20% a 25% precisarão ajustar suas expectativas. A nova realidade indica um patamar mais modesto, mas ainda interessante.
O “novo normal” dos dividendos da Petrobras
Faixa de dividendos esperada em 2025
De acordo com Hungria, o novo cenário para a Petrobras aponta para dividend yields entre 10% e 12% ao ano. Embora inferior aos anos anteriores, esse retorno ainda está acima da média de mercado, especialmente em comparação com empresas de setores menos voláteis.
Petrobras continua gerando caixa
Apesar da menor expectativa para proventos extraordinários, a empresa mantém capacidade de geração de caixa saudável. Mesmo com a cotação do petróleo abaixo de US$ 70, a estatal segue eficiente em suas operações e com baixa alavancagem, o que sustenta a política de remuneração aos acionistas.
PETR4 barata em relação aos lucros
Outro fator que reforça a atratividade da empresa é o seu valuation. Atualmente, as ações PETR4 são negociadas a 3,9 vezes o lucro, o que representa um múltiplo bastante descontado em relação ao mercado. Esse dado sugere que a ação pode estar subavaliada, oferecendo margem para valorização futura.
Desempenho inferior ao Ibovespa
Enquanto o Ibovespa acumula alta de mais de 13% em 2025, as ações da Petrobras registram queda de cerca de 12% no mesmo período. Essa discrepância pode indicar uma oportunidade de compra, principalmente para quem visa longo prazo e diversificação com foco em dividendos.
Petrobras na carteira de dividendos: manter ou vender?

A resposta, segundo Ruy Hungria, não é binária. Ele recomenda manter PETR4 na carteira, desde que o investidor tenha clareza sobre os riscos e alinhe suas expectativas ao novo cenário.
Riscos políticos seguem relevantes
Por ser uma estatal, a Petrobras está exposta a interferências políticas, especialmente em momentos de trocas de comando, alterações na política de preços dos combustíveis e decisões estratégicas. Esse risco não é novo, mas precisa ser considerado, pois pode impactar o nível de lucros e a distribuição de dividendos.
Não colocar todos os ovos no mesmo cesto
O analista reforça que PETR4 não deve ser a única ação pagadora de dividendos em uma carteira voltada para renda passiva. Diversificação é a chave para mitigar riscos específicos do setor e da política brasileira.
Alternativas complementares à Petrobras
Hungria sugere que investidores ampliem sua carteira com outras empresas que mantêm histórico consistente de dividendos, mesmo que com menor volatilidade ou exposição política. Entre os setores recomendados estão:
- Energia elétrica: empresas como Taesa (TAEE11), Engie (EGIE3) e Copel (CPLE6) são exemplos de companhias com fluxo estável e bons dividendos.
- Saneamento: Sabesp (SBSP3) e Sanepar (SAPR11) também mantêm pagamentos regulares e apresentam bom potencial com a agenda de privatizações.
- Financeiro: Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) são players sólidos com bom histórico de distribuição.
- Logística e infraestrutura: empresas com concessões de rodovias ou ferrovias também oferecem alternativas defensivas e atrativas em termos de proventos.
Expectativa para o segundo semestre de 2025

Com a combinação de petróleo em patamares moderados e perspectivas de estabilidade na política econômica, o segundo semestre pode ser um período de recomposição de preços para PETR4, ainda que sem dividendos extraordinários.
Se houver recuperação do preço do barril ou surpresas positivas no resultado da empresa, o mercado pode precificar isso rapidamente, elevando o valor das ações e, possivelmente, o nível de proventos.
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