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Brasileiros com mais de 10 anos usam celular e internet cada vez mais, diz IBGE

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou um retrato detalhado da posse de telefones celulares no Brasil em 2024. De acordo com os dados, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade possuem um celular para uso pessoal, o que corresponde a 88,9% da população nessa faixa etária.

Os números refletem o avanço da tecnologia e o papel central dos dispositivos móveis na vida cotidiana da população, mas também evidenciam desafios, como a diferença de acesso entre áreas urbanas e rurais e as barreiras econômicas e educacionais para alguns grupos.

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Imagem: Freepik

Panorama nacional da posse de celulares

O levantamento mostrou que 90,5% dos moradores de áreas urbanas possuem celular, enquanto nas áreas rurais esse percentual é de 77,2%. A diferença, embora ainda significativa, diminuiu ao longo dos anos graças à popularização de planos pré-pagos, aparelhos mais acessíveis e à expansão da cobertura de internet móvel em regiões antes isoladas.

Posse por sexo

Outro dado relevante é a diferença entre homens e mulheres. Em 2024, 90,2% das mulheres com 10 anos ou mais possuem celular, contra 87,5% dos homens. Essa diferença pode ser explicada pelo uso crescente de aplicativos de comunicação e redes sociais, onde as mulheres apresentam maior engajamento em pesquisas de comportamento digital.

A evolução histórica do acesso ao celular

O acesso aos celulares no Brasil apresentou crescimento expressivo nos últimos anos:

  • 2016: 77,4% das pessoas com 10 anos ou mais possuíam celular.
  • 2023: percentual subiu para 87,6%.
  • 2024: atingiu 88,9%.

Nas áreas rurais, o avanço foi ainda mais notável. Em 2016, apenas 54,6% da população rural tinha celular. Em 2024, esse número saltou para 77,2%, um crescimento de mais de 20 pontos percentuais em oito anos.

Acesso à internet via celular

Outro ponto de destaque da pesquisa é o acesso à internet nos celulares. Entre 2023 e 2024, o percentual da população com 10 anos ou mais que possuía celular com conexão à internet subiu de 96,7% para 97,5%.

Esse avanço reflete não apenas a maior disponibilidade de redes móveis 4G e 5G, mas também o aumento da digitalização de serviços públicos e privados, como bancos digitais, e-commerce, ensino remoto e serviços de saúde.

Desigualdade entre áreas urbanas e rurais

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Imagem: Freepik

Apesar do crescimento, as diferenças entre áreas urbanas e rurais ainda são significativas. Em 2024, 90,2% dos moradores de cidades utilizaram a internet, enquanto 81% dos moradores do campo tiveram acesso.

Esse abismo reflete a falta de infraestrutura em regiões mais afastadas, onde a oferta de banda larga fixa e a qualidade do sinal móvel ainda são limitadas.

Acesso à internet por região

A pesquisa também destacou diferenças regionais:

  • Norte: 83,7% da população com acesso à internet;
  • Nordeste: 84,0%;
  • Sudeste: 91,3%;
  • Sul: 92,1% (estimado a partir de análises anteriores do IBGE);
  • Centro-Oeste: 92,6%.

Esses dados mostram que, embora o país tenha avançado, regiões mais ricas como Sudeste e Centro-Oeste possuem índices de conectividade mais elevados, enquanto Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios relacionados à infraestrutura tecnológica.

Por que parte da população não possui celular?

Entre as pessoas com 10 anos ou mais que não possuem um celular, os principais motivos apontados foram:

  • Não saber usar o aparelho (30,4%) – barreira comum entre pessoas mais idosas ou com pouca familiaridade com tecnologia;
  • Falta de necessidade (21,8%) – especialmente entre pessoas que preferem usar telefones fixos ou dependem de celulares de familiares;
  • Alto custo do aparelho (19,4%) – reflexo do preço de smartphones e da instabilidade econômica;
  • Uso do celular de outra pessoa (10,8%) – compartilhamento de dispositivos entre membros da família;
  • Preocupações com privacidade e segurança (7,6%) – medo de golpes ou perda de dados;
  • Serviço caro (2,4%) – planos de telefonia ainda considerados caros em relação à renda;
  • Ausência de internet nos locais que frequentam (0,5%) – especialmente em áreas rurais isoladas.

Impacto da tecnologia móvel no Brasil

O celular se consolidou como principal meio de acesso à internet no Brasil, especialmente entre as classes mais baixas, onde o custo de computadores e notebooks é mais elevado. Serviços como aplicativos bancários, plataformas de ensino online e redes sociais tornaram o smartphone indispensável para atividades do dia a dia.

Digitalização de serviços

Nos últimos anos, a digitalização de serviços públicos – como a carteira de trabalho digital, o aplicativo Meu INSS e o sistema Gov.br – impulsionou a demanda por celulares conectados. Com isso, o acesso a smartphones passou a ser não apenas uma questão de lazer, mas também de cidadania e inclusão social.

Inclusão digital e desafios

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios na inclusão digital, especialmente para pessoas com menor escolaridade ou renda. O dado de que 30,4% não sabem usar o celular mostra a necessidade de políticas de educação tecnológica, capacitando a população para utilizar ferramentas digitais com segurança.

Além disso, o alto custo dos aparelhos e planos de dados segue como barreira. Embora o mercado de celulares usados e recondicionados tenha crescido, a inflação e a desvalorização cambial ainda impactam os preços de modelos novos.

O futuro do acesso à telefonia móvel

Com a chegada e expansão da tecnologia 5G no Brasil, espera-se uma ainda maior penetração dos serviços móveis. A velocidade e a baixa latência prometem impulsionar o uso de aplicações avançadas, como realidade aumentada, streaming em alta definição e Internet das Coisas (IoT).

No entanto, especialistas alertam que, sem investimentos na infraestrutura das regiões mais isoladas, as desigualdades entre áreas urbanas e rurais podem aumentar.

Comparação com outros países da América Latina

Imagem de um celular com a tela na logo do IBGE
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Quando comparado a outros países da América Latina, o Brasil apresenta uma das maiores taxas de penetração de telefonia móvel, mas ainda fica atrás de países como Chile e Uruguai no quesito qualidade de conexão e acessibilidade. A disparidade de renda e a extensão territorial são fatores que explicam parte dessas diferenças.

Perspectivas para 2025

Os dados da PNAD indicam que a tendência de crescimento deve continuar em 2025, impulsionada pela popularização de smartphones de baixo custo e pela expansão de planos pré-pagos com internet ilimitada. Programas de inclusão digital também deverão colaborar para reduzir a parcela da população que ainda não tem acesso ao celular.

A expectativa é que a taxa de posse de celulares no Brasil ultrapasse 90% da população com 10 anos ou mais nos próximos anos, consolidando o smartphone como o principal dispositivo de comunicação do país.

Imagem: rafapress / shutterstock.com