Preço do café registra baixa pelo segundo mês; alta deve voltar em breve
O café, uma das bebidas mais consumidas do mundo e símbolo do Brasil, vive um momento de oscilação no mercado. Pelo segundo mês consecutivo, o consumidor sentiu certo alívio no bolso, com os preços registrando queda. No entanto, especialistas alertam: essa redução é passageira.
Segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o valor do quilo pode voltar a subir nas próximas semanas, alcançando até R$ 80, bem acima da média de R$ 66,70 registrada em junho de 2025. A expectativa é de alta entre 10% e 15%, impulsionada por fatores globais e internos.
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O que explica a queda atual?
Apesar de os preços terem recuado recentemente, a indústria já está pagando mais caro pelo grão vindo das fazendas. Essa diferença ainda não chegou totalmente ao consumidor final, mas a tendência é que isso ocorra em breve.
Produção pressionada no campo
No campo, as cotações voltaram a subir desde agosto, após meses de queda. Essa retomada se deve a uma combinação de elementos:
- Tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre o café brasileiro, que encareceu o produto na bolsa de Nova York, referência mundial do setor;
- Estoques internacionais baixos, consequência de quatro anos seguidos de problemas climáticos;
- Redução na produção de café arábica no Brasil, principal variedade cultivada no país;
- Geadas no Cerrado Mineiro, que causaram prejuízo estimado em 424 mil sacas (25 mil toneladas), segundo a StoneX Brasil.
O efeito do tarifaço norte-americano
A taxação dos Estados Unidos ainda não havia impactado de imediato os preços no Brasil até agosto, mas os reflexos já começam a ser sentidos.
Segundo especialistas, o café que antes tinha os EUA como destino será redirecionado a outros mercados, como a Europa. Isso pode gerar uma disputa maior entre compradores, pressionando ainda mais os preços.
A situação se complica porque países concorrentes, como a Colômbia, também sofrem com tarifas, mas bem menores, de apenas 10%. Assim, parte de sua produção deve ser redirecionada aos norte-americanos, abrindo espaço para o café brasileiro na Europa.
Estoques mundiais em níveis críticos
Além da questão comercial, existe um problema estrutural que preocupa a cadeia produtiva: os estoques globais estão em níveis historicamente baixos.
Desde 2020, Brasil, Vietnã e Colômbia, principais produtores mundiais, enfrentam safras afetadas por secas, geadas e outras adversidades climáticas. Isso reduziu a capacidade de recompor os estoques e elevou os preços de referência.
“Só uma grande safra nesses três países será capaz de aliviar o mercado. Mas este não é o cenário para 2025”, avalia o analista Maximiliano, da StoneX Brasil.
A safra brasileira decepcionou
A expectativa inicial era de uma colheita farta, mas os resultados frustraram a indústria e os produtores.
Problemas detectados
- Menor volume colhido do que o previsto;
- Grãos menores e mais leves, exigindo mais unidades para preencher uma saca de 60 kg;
- Queda de 18,7% na produção de café arábica em relação a 2024, segundo a StoneX.
Esse cenário explica por que os preços tendem a subir novamente. A escassez de grãos e o aumento do custo de produção se refletem diretamente no mercado consumidor.
Clima instável pesa no campo e no bolso
As perdas recorrentes na produção entre 2020 e 2024 foram marcadas por secas severas e geadas. O resultado é uma escalada dos preços no atacado.
A saca de café arábica, que custava cerca de R$ 600 em 2020, chegou a R$ 2.500 em 2025, segundo dados de mercado. A indústria, pressionada, repassa os aumentos ao consumidor final.
“Se não houver repasse, muitas empresas não conseguem se manter ativas”, ressalta Maximiliano.
O que esperar para os próximos meses?
Especialistas concordam que a queda atual no preço do café é passageira. O mercado deve voltar a registrar alta já neste trimestre, influenciado pela redução da oferta, baixa nos estoques e pressão externa.
O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, reforça a previsão: “O quilo do café poderá atingir R$ 80 em breve. A indústria já está pagando mais caro pelo grão, e o reflexo chegará às prateleiras.”
Perspectivas para o consumidor
Embora o brasileiro esteja acostumado a conviver com preços elevados, o cenário atual indica que a pressão sobre o bolso deve aumentar. A expectativa é de reajustes mais frequentes, acompanhando a volatilidade do mercado internacional.
Ainda assim, analistas apontam que a demanda pelo café se mantém firme, tanto no mercado interno quanto nas exportações, o que tende a sustentar os preços em patamares elevados.
Imagem: Freepik/Reprodução