Real sofre a maior desvalorização do G20 em 2024, confira o ranking
O Real brasileiro encerrou 2024 com uma desvalorização de 21,82% frente ao dólar americano, considerando o índice Ptax Venda do Banco Central. Essa é a maior queda registrada entre as moedas das economias do G20, de acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta.
O desempenho negativo colocou o Brasil à frente de 27 economias analisadas, evidenciando uma situação de vulnerabilidade cambial em meio a desafios internos e externos.
Fatores que impulsionaram a desvalorização

A desvalorização do Real reflete uma combinação de elementos internacionais e domésticos. O fortalecimento do dólar americano, impulsionado por sucessivos aumentos nas taxas de juros nos Estados Unidos, contribuiu para a maior atratividade de ativos denominados na moeda norte-americana.
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No cenário interno, a divulgação de um pacote fiscal pelo governo brasileiro no final de 2024 aumentou as preocupações entre investidores, resultando em saída de capitais e pressão cambial.
Comparativo com outras moedas
Embora o Real tenha liderado a desvalorização no G20, ele também se destacou negativamente em um índice mais amplo, incluindo economias fora do bloco. Entre as moedas analisadas, apenas o dólar de Hong Kong apresentou valorização em 2024, com um aumento modesto de 0,51% em relação ao dólar americano.
Abaixo está o ranking das maiores desvalorizações cambiais de 2024:
- Peso argentino: -21,70%
- Rublo russo: -19,23%
- Real brasileiro: -21,82% (Ptax) / -19,15% (dólar comercial)
Histórico de desvalorizações do Real
A queda de 2024 é a terceira maior desvalorização anual do Real desde 2010. A moeda brasileira registrou piores desempenhos apenas em 2015 (-31,98%) e em 2020 (-22,44%). Esses anos também foram marcados por crises econômicas e políticas intensas no país, agravando a fragilidade cambial.
Por outro lado, o Real teve momentos de valorização em anos específicos, como 2016, quando cresceu 19,81% frente ao dólar, em parte devido à troca de governo e às esperanças de reformas econômicas. Desde 2010, a moeda brasileira valorizou-se em apenas quatro ocasiões: 2010, 2016, 2022 e 2023.
Impactos da desvalorização na economia brasileira
Inflação e custo de vida
A desvalorização do Real tem impactos diretos sobre a inflação, aumentando os custos de importação de produtos e insumos. Isso afeta desde o preço de combustíveis até alimentos e bens de consumo. O aumento generalizado de preços pressiona o poder de compra das famílias brasileiras, especialmente as de menor renda.
Endividamento externo
A desvalorização também encarece o serviço da dívida externa. Empresas e o próprio governo que possuem dívidas em dólar enfrentam maiores dificuldades em honrar esses compromissos, o que pode levar a um aumento do risco-país e a consequente fuga de investidores estrangeiros.
Exportações e competitividade
Por outro lado, a desvalorização pode beneficiar exportadores brasileiros, tornando seus produtos mais competitivos no mercado internacional. Isso, no entanto, depende de fatores como a manutenção da demanda global e a capacidade do país em atender às exigências de seus parceiros comerciais.
Cenário para 2025
Previsões cambiais
O mercado financeiro tem expectativas cautelosas para 2025. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a projeção para o dólar comercial ao final do próximo ano é de R$ 5,96. Esse valor reflete uma revisão para cima em relação à estimativa anterior, indicando preocupacão com a manutenção das condições macroeconômicas adversas.
Medidas necessárias para estabilizar o Real
Para reverter a tendência de desvalorização, o Brasil precisará adotar reformas estruturais que aumentem a confiança dos investidores e estimulem o ingresso de capitais estrangeiros. Medidas como a redução do déficit fiscal, o controle da inflação e a promoção de um ambiente regulatório favorável são consideradas essenciais.
Perspectiva global
No cenário internacional, a estabilidade do Real dependerá também do comportamento das taxas de juros nos Estados Unidos e da evolução da economia global. Uma desaceleração no ritmo de aumento dos juros americanos, por exemplo, poderia aliviar a pressão sobre moedas emergentes.
Bitcoin: o grande vencedor de 2024
Enquanto o Real enfrentava perdas, o Bitcoin se destacou como o melhor investimento do ano, consolidando ganhos significativos em um ambiente de elevada incerteza econômica. Sua valorização reflete tanto a busca por ativos alternativos quanto a crescente aceitação das criptomoedas como reserva de valor. Por outro lado, as ações tradicionais figuraram entre os investimentos com piores desempenhos, penalizadas pela instabilidade dos mercados globais.
Considerações finais
O desempenho do Real em 2024 ilustra os desafios enfrentados por economias emergentes em um contexto de turbulência global e incertezas domésticas. Com uma desvalorização histórica e impactos significativos sobre a economia, o país precisará de uma combinação de políticas econômicas eficazes e cenários internacionais favoráveis para recuperar a estabilidade cambial e promover o crescimento sustentável.