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Real registra 8ª maior valorização global no 1º semestre de 2025, aponta ranking

O real foi a oitava moeda que mais se valorizou em relação ao dólar no primeiro semestre de 2025, segundo um levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating. De janeiro a junho, a moeda brasileira acumulou uma alta de 12,3%, posicionando-se à frente de diversas economias emergentes e também de países desenvolvidos.

O desempenho é especialmente notável diante do cenário de instabilidade global e das incertezas monetárias que ainda marcaram o fim de 2024 e o início deste ano. O dólar comercial, que começou 2025 cotado a R$ 6,180, encerrou o semestre em R$ 5,434 – menor valor desde setembro de 2024, quando fechou a R$ 5,424.

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O que explica a valorização do real?

Real
Foto: rafastockbr / shutterstock.com

Fatores internos e externos impulsionaram a moeda

A valorização do real está ancorada em uma série de fatores tanto internos quanto externos. Entre os principais elementos que ajudaram a impulsionar a moeda brasileira, destacam-se:

Política monetária do Banco Central

A continuidade da política de juros altos no Brasil, com a taxa Selic mantida em patamares elevados até o segundo trimestre, tornou o país mais atrativo para o capital estrangeiro. Investidores em busca de rendimentos mais altos encontraram nos títulos públicos brasileiros uma oportunidade interessante, o que aumentou a entrada de dólares e fortaleceu o real.

Superávit na balança comercial

O Brasil teve desempenho positivo na balança comercial nos primeiros seis meses do ano. As exportações de commodities como soja, minério de ferro e petróleo mantiveram ritmo forte, com destaque para o apetite chinês e a recuperação da indústria europeia. O fluxo positivo de comércio ajudou a reforçar as reservas cambiais e a pressionar o dólar para baixo.

Redução do risco fiscal

O avanço em reformas estruturais e a sinalização de compromisso com o ajuste fiscal também contribuíram para melhorar a percepção internacional sobre a economia brasileira. As expectativas de cumprimento da meta de déficit primário de 2025 e o controle do crescimento de gastos públicos ajudaram a conter a volatilidade do câmbio.

Enfraquecimento global do dólar

Além dos fatores internos, a desaceleração da economia norte-americana e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) contribuíram para um cenário de enfraquecimento global do dólar frente às principais moedas. Esse movimento ampliou os ganhos do real, assim como de outras moedas emergentes.

Ranking da valorização global de moedas

Levantamento da Austin Rating analisou 118 países

O estudo da Austin Rating avaliou a valorização cambial de 118 moedas em relação ao dólar norte-americano no primeiro semestre de 2025. O real ficou na 8ª colocação, com valorização de 12,3%. Veja abaixo as moedas que lideraram o ranking:

PosiçãoMoedaPaísValorização (%)
Dinar do KuwaitKuwait+19,5%
RubloRússia+16,8%
Peso colombianoColômbia+15,9%
Peso chilenoChile+14,4%
Dólar taiwanêsTaiwan+13,8%
Rúpia indianaÍndia+13,4%
Shekel israelenseIsrael+12,9%
Real brasileiroBrasil+12,3%

Impactos para a economia brasileira

Moeda mais forte tem efeitos positivos e negativos

A valorização do real pode trazer consequências variadas para a economia do país:

Benefícios

  • Redução da inflação de importados: Com o real mais forte, produtos e insumos importados tendem a ficar mais baratos, ajudando a controlar a inflação.
  • Estímulo à confiança dos investidores: A estabilidade cambial é vista como sinal de resiliência econômica, o que pode atrair novos investimentos.
  • Aumento do poder de compra no exterior: Cidadãos brasileiros ganham mais poder de compra em viagens internacionais ou compras online fora do país.

Desvantagens

  • Dificuldades para exportadores: Produtos brasileiros ficam mais caros em dólar, o que pode prejudicar a competitividade de algumas exportações.
  • Pressão sobre o setor industrial: Indústrias que concorrem com produtos importados podem sofrer com maior concorrência.

O que esperar para o segundo semestre de 2025?

Real
Imagem: Peeradontax / shutterstock.com

Projeções indicam moderação no câmbio

Especialistas do mercado financeiro acreditam que o real deve manter uma trajetória estável nos próximos meses, mas com menor intensidade de valorização. Isso se deve à expectativa de cortes graduais na Selic, que reduzirão o diferencial de juros em relação a outros países e podem limitar o fluxo de capital estrangeiro.

Além disso, o comportamento do dólar dependerá das decisões do Federal Reserve e da evolução do crescimento econômico global. Caso os EUA entrem em uma desaceleração mais forte, o dólar poderá continuar em queda, beneficiando o real. Porém, se houver instabilidade política ou retrocessos fiscais no Brasil, o movimento pode se inverter.

Reação do mercado e perspectivas políticas

Governo comemora dados, mas especialistas pedem cautela

O Ministério da Fazenda classificou o resultado como “uma evidência da confiança internacional no Brasil”, destacando o papel das reformas e da responsabilidade fiscal. Contudo, analistas alertam que a valorização do real deve ser vista com moderação, pois oscilações cambiais são comuns em economias emergentes.

Políticos da base do governo celebraram o ranking como um reflexo da estabilidade institucional e da “retomada da credibilidade econômica”, enquanto a oposição minimizou os dados, apontando que o dólar ainda está mais caro do que em boa parte de 2022 e 2023.

Comparação histórica do câmbio

Real recupera parte das perdas dos últimos anos

Em comparação com os anos anteriores, o resultado do primeiro semestre de 2025 marca uma recuperação significativa do real. Em 2022 e 2023, a moeda brasileira enfrentou forte desvalorização, chegando a ultrapassar os R$ 5,80 em diversos momentos. Agora, com a cotação abaixo de R$ 5,50, há uma melhoria no cenário cambial, embora ainda distante dos níveis pré-pandemia (cerca de R$ 4,00).

Conclusão

O levantamento da Austin Rating confirma que o real está entre as moedas de melhor desempenho global em 2025. A valorização de 12,3% no semestre reflete uma conjuntura favorável, com destaque para a política monetária, comércio exterior e confiança fiscal. Ainda assim, o segundo semestre exigirá monitoramento constante, diante de possíveis mudanças nos juros dos EUA e nos rumos da economia brasileira.

A evolução do câmbio seguirá como um dos principais termômetros econômicos do país, com impactos diretos sobre inflação, crescimento e investimentos.