O governo federal avalia a possibilidade de reimplantar o horário de verão em 2025 como resposta ao crescimento da demanda por energia elétrica no Brasil.
Com o aumento de 4,5% no consumo nos últimos dois anos — impulsionado principalmente pelo uso de aparelhos de ar-condicionado e eletrônicos —, a medida pode ser decisiva para aliviar a pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) nos meses de calor intenso.
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Técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) analisam o impacto do ajuste nos relógios como forma de reduzir os picos de demanda no início da noite, período considerado crítico para a rede elétrica.
Segundo simulações recentes, o retorno da medida, suspensa desde 2018, poderia cortar até 2,9% da demanda total, evitando o uso emergencial de usinas térmicas, que encarecem as tarifas e aumentam emissões de gases de efeito estufa.
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Horário de verão pode ser retomado em 2025 para aliviar hidrelétricas
A proposta do horário de verão

Objetivo da reimplementação
O horário de verão tem como propósito principal alinhar o consumo de energia com a disponibilidade de luz natural, reduzindo a necessidade de acionamento de fontes caras e poluentes nos horários de maior carga.
Projeções do ONS
- Demanda projetada: aumento de 2 gigawatts em 2025, concentrado no Sudeste.
- Demanda em horário de pico: 700 megawatts-hora por dia.
- Economia estimada: R$ 400 milhões em custos operacionais anuais.
- Redução de demanda: até 2,9%.
Esses números reforçam o peso da decisão em um momento de planejamento estratégico para a matriz energética nacional.
Dinâmica do consumo elétrico no Brasil
Mudança no perfil de consumo
Nos últimos anos, o padrão de consumo dos brasileiros se transformou. Hoje:
- Ar-condicionado: representa 30% do consumo residencial.
- Iluminação LED: reduziu em até 50% o gasto com luz artificial.
- Eletrodomésticos conectados: elevam em 15% a demanda noturna.
Apesar dessa transformação, o pico noturno (18h às 21h) ainda concentra 40% da carga, período em que a geração solar não está disponível.
Impactos regionais
As regiões Sul e Sudeste, responsáveis por 70% da demanda industrial do país, seriam as principais beneficiadas com a retomada do horário de verão, já que concentram a maior parte dos picos de consumo.
Investimentos em infraestrutura elétrica
Ampliação da rede
Para atender ao crescimento da demanda, o Brasil vem reforçando sua infraestrutura elétrica:
- Linhas de transmissão: aumento de 20% na capacidade até 2025.
- Geração eólica: 3 gigawatts diários exportados do Norte e Nordeste.
- Testes de estresse: realizados em linhas de 500 kV para detectar gargalos.
- Softwares preditivos: utilizados por distribuidoras, com redução de 8% em perdas.
Integração nacional
Linhas de alta tensão conectam o Norte — rico em hidrelétricas — aos centros urbanos do Sudeste. Essa estratégia busca garantir fornecimento mesmo em períodos de alta demanda.
Gestão de reservatórios hidrelétricos
Cenário atual
As hidrelétricas seguem como a base da matriz elétrica, respondendo por 60% da geração total. Em 2024, os reservatórios chegaram a níveis 15% maiores que no ano anterior, impulsionados por chuvas regulares.
- Capacidade atual: 70% dos reservatórios cheios.
- Reservas estratégicas: 20% do volume guardado para secas prolongadas.
Desafios futuros
O fenômeno El Niño previsto para 2025 pode alterar o regime de chuvas, exigindo cautela. O MME coordena a alocação de água para equilibrar geração e preservação dos estoques.
O papel das fontes renováveis
Crescimento da participação
Atualmente, 25% da matriz é composta por fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.
Limitações
- A energia solar cessa ao entardecer, momento de maior demanda.
- A eólica, apesar da expansão, depende de padrões climáticos.
A adoção do horário de verão pode ajudar a equilibrar essa equação, reduzindo a necessidade de usinas térmicas como backup.
Inovações tecnológicas no setor elétrico
Inteligência artificial e digitalização
O setor elétrico brasileiro adota ferramentas modernas para monitorar e prever demandas:
- IA em subestações: 95% de acurácia em previsões de sobrecarga.
- Drones de inspeção: reduzem falhas em linhas em 25%.
- Blockchain: rastreia transações de energia e otimiza preços.
- Investimentos em smart grids: R$ 5 bilhões em 2025.
Essas soluções tecnológicas reduzem riscos de apagões e melhoram a eficiência.
Estratégias para o consumo eficiente
Medidas já em curso
- Indústria: representa 40% da demanda e negocia pausas noturnas para reduzir pressão nos horários de pico.
- Comércio: adoção de iluminação LED já cortou 15% do consumo.
- Campanhas de conscientização: atingem cerca de 50 milhões de lares.
- Tarifas dinâmicas: testadas em grandes cidades para incentivar o consumo fora dos horários críticos.
Papel do consumidor
Com hábitos simples — como usar eletrodomésticos fora dos horários de pico ou ajustar o uso do ar-condicionado —, famílias podem contribuir para aliviar a rede.
O retorno do horário de verão: prós e contras

Argumentos a favor
- Redução da pressão sobre o sistema elétrico.
- Economia de até R$ 400 milhões por ano.
- Menor uso de usinas térmicas, reduzindo custos e emissões.
- Alinhamento do consumo com a luz natural.
Argumentos contra
- Efeitos fisiológicos: mudanças no sono e no desempenho das pessoas.
- Impacto limitado em regiões próximas à linha do Equador.
- Dependência maior da climatização, que já deslocou parte do pico de consumo para a tarde.
Considerações finais
A análise sobre a reintrodução do horário de verão em 2025 mostra que a medida pode ser um aliado estratégico para equilibrar a oferta e demanda de energia em um momento de pressão crescente sobre o SIN.
Embora não resolva todos os problemas estruturais do setor, o ajuste pode gerar economia bilionária, reduzir a dependência de térmicas e reforçar a segurança energética nacional.
O desafio do governo será equilibrar benefícios econômicos e sociais com os impactos sobre a população. A decisão, que deve ser tomada até o fim de 2025, será um teste importante para a política energética brasileira.

