Novo salário mínimo paulista começa a valer em julho; confira as 76 profissões beneficiadas
O governador Tarcísio de Freitas sancionou na segunda-feira (2) a nova legislação que atualiza o salário mínimo no estado de São Paulo. O novo piso estadual é 18,8% superior ao salário mínimo nacional, que hoje está fixado em R$ 1.518.
Destaques:
Salário mínimo de São Paulo sobe para R$ 1.804 a partir de julho de 2025. Confira as 76 profissões que terão direito ao novo piso estadual.
A medida reflete uma política de valorização do piso regional, que vem sendo ajustado de forma consistente acima da inflação desde 2022. Nos últimos três anos, o aumento acumulado foi de 40,5%, frente a uma inflação de 15,1% no mesmo período, segundo dados oficiais.
Reajuste do salário
A política de reajuste estadual tem se destacado em relação ao piso federal. Desde 2022, o governo paulista tem optado por aplicar aumentos reais no valor do salário mínimo estadual. Esta é a terceira vez consecutiva que o reajuste supera a inflação acumulada, garantindo ganho real de poder de compra para os trabalhadores que atuam em funções com remuneração mais baixa.
Comparação histórica com o salário mínimo nacional
| Ano | Salário Mínimo Nacional (R$) | Salário Mínimo Paulista (R$) | Diferença (%) |
|---|---|---|---|
| 2014 | 724,00 | 1.640,00 | +126,5% |
| 2022 | 1.212,00 | 1.284,00 | +5,9% |
| 2023 | 1.302,00 | 1.550,00 | +19% |
| 2025 | 1.518,00 | 1.804,00 | +18,8% |
Trabalhadores contemplados
A nova faixa de remuneração abrange trabalhadores de setores essenciais e operacionais, que atuam tanto em ambientes urbanos quanto rurais. A seguir, veja a lista completa das 76 profissões que passam a receber o novo valor a partir de julho:
Serviços domésticos e cuidados pessoais
- Trabalhadores domésticos
- Cuidadores de idosos
- Serventes
Agricultura, pesca e áreas florestais
- Trabalhadores agropecuários
- Trabalhadores florestais
- Pescadores
Serviços gerais e apoio
- Contínuos
- Mensageiros
- Trabalhadores de limpeza e conservação
- Manutenção de áreas verdes e espaços públicos
- Auxiliares de escritório
Comércio e atendimento
- Empregados não especializados de comércio
- Cumins
- Barboys
- Vendedores
- Cobradores de transporte coletivo
- Barmen
Transporte e logística
- Motoboys
- Carteiros
- Trabalhadores de movimentação de mercadorias
- Atendentes e comissários de transporte
- Operadores de redes de energia e telecomunicações
Construção civil e serviços industriais
- Pedreiros
- Pintores
- Encanadores
- Soldadores
- Chapeadores
- Montadores de estruturas metálicas
Indústria têxtil, de madeira e cerâmica
- Operadores de máquinas da construção civil
- Ceramistas
- Fiandeiros
- Tecelões
- Tingidores
- Estofadores
Beleza, estética e serviços pessoais
- Barbeiros
- Cabeleireiros
- Manicures e pedicures
Alimentação e hospitalidade
- Trabalhadores de preparação de alimentos
- Garçons
- Trabalhadores de turismo e hospedagem
Costura, papel e segurança
- Trabalhadores de costura
- Confecção de papel e papelão
- Serviços de proteção e segurança
Operações com máquinas e equipamentos
- Operadores de máquinas agrícolas
- Máquinas de mineração
- Máquinas de cortar madeira
- Máquinas de escritório
- Operadores de equipamentos de sonorização
- Operadores de projeção cinematográfica
Comunicação e atendimento
- Telefonistas
- Digitadores
- Datilógrafos
- Operadores de telemarketing
Supervisores e técnicos
- Supervisores de produção industrial
- Supervisores de transporte e comunicação
- Supervisores de compras e vendas
- Administradores agropecuários e florestais
- Agentes técnicos em vendas
- Representantes comerciais
Outros setores especializados
- Marceneiros
- Ajustadores mecânicos
- Montadores de máquinas
- Joalheiros
- Ourives
- Operadores de processamento químico
- Trabalhadores de higiene e saúde
Impacto do novo salário na economia paulista
O reajuste deve beneficiar principalmente trabalhadores com baixa escolaridade e acesso restrito ao mercado formal, contribuindo para reduzir desigualdades regionais e fomentar o consumo em municípios de menor renda per capita. Segundo estimativas do governo, mais de 500 mil profissionais devem ser impactados diretamente pelo novo piso.
Além disso, o aumento pode estimular a formalização de vínculos empregatícios, já que muitas empresas ajustam suas práticas à legislação vigente para evitar sanções trabalhistas.
Repercussão política e aprovação na Assembleia
O projeto de lei foi aprovado em sessões extraordinárias da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 13 de maio de 2025.
Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a medida reforça o compromisso de seu governo com o equilíbrio fiscal aliado à valorização dos trabalhadores.
Quem deve pagar o novo valor?
A obrigatoriedade de pagamento do novo piso estadual recai sobre empresas e empregadores localizados no estado de São Paulo, que contratam trabalhadores das categorias previstas na lei. Micro e pequenas empresas também devem se adequar à nova regra.
O descumprimento da norma pode gerar multas e sanções administrativas previstas na legislação trabalhista estadual e federal.
FAQ
O salário mínimo paulista é maior que o nacional?
Sim. O piso estadual é 18,8% maior do que o salário mínimo nacional, que está em R$ 1.518.
Quais trabalhadores terão direito ao novo piso?
Ao todo, 76 categorias profissionais são contempladas, incluindo trabalhadores domésticos, cuidadores, motoboys, pedreiros, cabeleireiros, vendedores, entre outros.
Empresas de pequeno porte também devem pagar o novo salário?
Sim. O pagamento é obrigatório para todos os empregadores situados no estado de São Paulo.
Considerações finais
Contudo, o sucesso dessa iniciativa dependerá da fiscalização eficaz para garantir que as empresas cumpram a nova legislação. O governo estadual também terá o desafio de manter esse padrão de valorização nos próximos anos, sem comprometer a sustentabilidade fiscal.
Para os trabalhadores das 76 categorias contempladas, o novo piso representa reconhecimento, dignidade e esperança em um cenário de recuperação econômica. É, sem dúvida, um passo positivo rumo a uma sociedade mais equilibrada e justa.
