FGTS: saque por calamidade está disponível para atingidos por desastres em 2025

Em meio a um cenário marcado por enchentes, deslizamentos de terra e tempestades intensas, a Caixa Econômica Federal reforça seu papel social ao ampliar o acesso ao saque calamidade do FGTS em 2025. A medida, prevista em lei e regulamentada há mais de três décadas, foi modernizada nos últimos anos para garantir agilidade no atendimento a trabalhadores diretamente afetados por desastres naturais em diversas regiões do Brasil.

Com valor de até R$ 6.220 por evento, limitado ao saldo disponível na conta do trabalhador, o saque calamidade se tornou um dos principais mecanismos de resposta rápida e apoio à reconstrução de vidas e comunidades. Neste artigo, explicamos o funcionamento do benefício, os critérios para solicitação, casos recentes de liberação e os impactos positivos na economia local.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que é o saque calamidade do FGTS?

Um mecanismo emergencial de amparo social

Criado pela Lei nº 8.036/1990, o saque calamidade é uma das modalidades especiais previstas para que o trabalhador possa acessar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ele permite a retirada de parte do saldo da conta vinculada em situações de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos por decreto oficial.

Objetivo

A função do saque calamidade é oferecer suporte imediato à população afetada por desastres, permitindo a recomposição de moradias, a reposição de bens materiais essenciais e a injeção de recursos nas economias locais atingidas.

Quem tem direito ao saque calamidade?

Para acessar o benefício, o trabalhador precisa atender a critérios bem definidos. Veja os principais requisitos para solicitar o saque calamidade:

  • Residência comprovada em área atingida por desastre natural, reconhecida por decreto de calamidade ou emergência emitido e homologado pelas autoridades competentes.
  • Saldo disponível em conta ativa ou inativa do FGTS.
  • Documentação válida, incluindo RG, CPF e comprovante de residência emitido até 120 dias antes da ocorrência do desastre.
  • Prazo de 90 dias para formalizar o pedido após a decretação do estado de calamidade.
  • Ausência de saque por motivo idêntico nos últimos 12 meses, salvo exceções em eventos sucessivos reconhecidos pelo governo.

Como funciona o processo de solicitação?

Via aplicativo FGTS: agilidade e conveniência

Em 2025, a digitalização do FGTS tornou o processo de solicitação muito mais simples. Através do aplicativo FGTS, disponível para Android e iOS, o trabalhador pode realizar todo o processo sem sair de casa. O passo a passo é o seguinte:

  1. Acesse o app FGTS com seu CPF e senha.
  2. Vá até a seção “Meus Saques”.
  3. Selecione a opção “Calamidade Pública”.
  4. Informe o município afetado.
  5. Anexe os documentos solicitados (RG, CPF, comprovante de residência).
  6. Envie o pedido e acompanhe o status pela própria plataforma.

A análise leva até cinco dias úteis, e o valor é creditado diretamente em conta bancária, preferencialmente da Caixa ou por meio do aplicativo Caixa Tem.

Atendimento presencial

Para quem prefere atendimento físico ou encontra dificuldades na plataforma digital, é possível ir a uma agência da Caixa, levando os seguintes documentos:

  • Documento oficial com foto (RG, CNH, carteira de trabalho);
  • CPF;
  • Comprovante de residência em nome do trabalhador, emitido até 120 dias antes do desastre;
  • Em alguns casos, uma declaração emitida pela prefeitura, atestando que a residência foi atingida.

Valor liberado por trabalhador

  • O valor máximo permitido por evento é de R$ 6.220, limitado ao saldo existente na conta do FGTS.
  • O valor não pode exceder o total disponível nas contas ativas ou inativas.
  • O saque não interfere no direito de sacar por outros motivos legais no futuro (como aposentadoria, demissão ou compra da casa própria).

Casos recentes de liberação do saque

Magé (RJ)

Após chuvas intensas que causaram inundações e deslizamentos em 2025, o município teve estado de calamidade pública reconhecido. A Caixa liberou o saque calamidade para os moradores, com solicitações abertas desde julho. A iniciativa ajudou famílias a recuperarem bens perdidos e impulsionou o comércio local.

Barracão (PR)

As inundações de dezembro de 2024 levaram à liberação do benefício para trabalhadores residentes na cidade. Centenas de pedidos foram feitos via app, com recursos injetados na economia da região.

Porto Alegre e Canoas (RS)

O Rio Grande do Sul viveu um dos piores desastres naturais de sua história em maio de 2024. Cidades como Porto Alegre e Canoas enfrentaram alagamentos severos, com milhares de desabrigados. O governo federal flexibilizou as regras, permitindo múltiplos saques em um mesmo ano. A medida beneficiou mais de 300 mil trabalhadores.

Impactos do saque calamidade na economia local

O saque calamidade não apenas atende ao trabalhador, mas mobiliza a economia de regiões atingidas. Em 2024, mais de R$ 4 bilhões foram liberados por meio do benefício, alcançando cerca de 1 milhão de pessoas.

Estímulo ao comércio e aos serviços

Ao receber o valor, os trabalhadores tendem a:

  • Comprar móveis, eletrodomésticos e roupas;
  • Adquirir materiais de construção para reformas e reconstruções;
  • Contratar mão de obra local, como pedreiros, eletricistas e encanadores;
  • Repor alimentos e itens básicos perdidos no desastre.

Essa dinâmica ajuda a reativar a economia local, impulsionando especialmente pequenos negócios que também foram afetados pelas tragédias.

Papel estrutural do FGTS em crises

Além do saque calamidade, o FGTS tem papel estruturante na prevenção de desastres por meio do financiamento de:

  • Habitação popular (via programas como Minha Casa, Minha Vida);
  • Saneamento básico, que reduz riscos de enchentes e doenças;
  • Infraestrutura urbana, como drenagem pluvial e contenção de encostas.

Em 2022, o fundo arrecadou R$ 5,8 bilhões por meio de ações fiscais, reforçando sua capacidade de investimento em políticas públicas duradouras.

Avanços operacionais com o FGTS Digital

Implementado em 2024, o sistema FGTS Digital trouxe eficiência à gestão do fundo:

  • Integração com o Pix, permitindo pagamentos e saques instantâneos;
  • Substituição do eSocial no recolhimento de obrigações pelas empresas;
  • Possibilidade de parcelamento de débitos para empregadores inadimplentes;
  • Inclusão de empréstimos consignados nas guias do FGTS, regulamentada em 2025.

Essas ferramentas tornaram o FGTS mais acessível, moderno e funcional.

Desafios ainda enfrentados

Apesar dos avanços, a modalidade calamidade enfrenta obstáculos importantes:

  • Perda de documentos durante o desastre impede a comprovação de residência;
  • Desinformação sobre prazos e requisitos dificulta o acesso ao benefício;
  • Populações rurais ou isoladas têm mais dificuldade de acessar os canais digitais.

Para minimizar esses gargalos, a Caixa investe em:

  • Campanhas informativas em rádios, redes sociais e TVs locais;
  • Parcerias com prefeituras para emissão de declarações de residência;
  • Ampliação da central de atendimento telefônico (0800 726 0207).

Perspectivas para o futuro

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Com o aumento da frequência e da intensidade dos desastres naturais, o saque calamidade tende a se tornar ainda mais essencial. Em 2025, o Conselho Curador do FGTS estuda:

  • Redução de exigências documentais em eventos de grande porte;
  • Integração com políticas de prevenção de risco, como obras públicas financiadas com recursos do fundo;
  • Criação de um sistema de alerta automatizado, com notificações no app FGTS assim que o município for reconhecido em estado de calamidade.

Essas iniciativas têm o potencial de tornar o FGTS calamidade ainda mais eficiente, justo e acessível.

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