Quer saber quando a Selic vai baixar? Dólar fraco pode acelerar o processo!
O economista André Perfeito, 47 anos, vê possibilidade de o Banco Central iniciar o ciclo de corte da taxa Selic no fim de 2025, caso o ambiente externo se torne mais favorável. Para o especialista, dois fatores principais devem moldar a decisão da autoridade monetária: a esperada redução dos juros nos Estados Unidos e o comportamento da inflação no Brasil.
Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, patamar elevado em relação a outras economias emergentes, o que pressiona a atividade econômica e o custo do crédito.
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O papel dos EUA na trajetória dos juros brasileiros
Queda nos juros norte-americanos pode aliviar o câmbio
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, mantém atualmente os juros na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. Uma possível redução até o fim de 2025 poderia diminuir a pressão sobre o dólar, favorecendo moedas de países emergentes como o real.
Esse movimento, segundo André Perfeito, abre margem para o Banco Central do Brasil considerar cortes na Selic sem comprometer o equilíbrio cambial. Um dólar mais fraco pode conter pressões inflacionárias importadas e criar um ambiente mais estável para os juros domésticos.
“Quando o Fed reduz juros, o dólar perde força e isso pode ajudar o Brasil a controlar os preços, mesmo com a Selic mais baixa”, explica o economista.
Mercado financeiro já antecipa movimento
O especialista observa que o mercado já precifica a possibilidade de corte nos juros americanos. Segundo ele, os contratos futuros e os preços dos ativos refletem a expectativa de que a autoridade monetária dos EUA inicie a flexibilização monetária nos próximos trimestres.
Esse tipo de expectativa influencia diretamente as decisões dos bancos centrais ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que precisa manter a atratividade de seus ativos para investidores estrangeiros.
Inflação sob controle é outro fator decisivo
IPCA deve continuar em trajetória moderada
Outro ponto crucial para a queda da Selic é a evolução da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue em ritmo moderado, o que pode reforçar o argumento a favor de uma política monetária mais flexível no próximo ano.
Embora o Banco Central tenha elevado os juros para conter a inflação nos últimos ciclos, há sinais de que os efeitos do aperto monetário já estão se fazendo sentir sobre a economia, com desaceleração em diversos setores.
Consumo e crédito desaceleram
O crédito mais caro tem levado à redução no consumo das famílias e no investimento privado, o que ajuda a conter a inflação. Esse cenário pode ser interpretado como uma janela de oportunidade para o início de cortes graduais na taxa básica, especialmente se a inflação continuar abaixo das metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Selic alta: impactos na economia real
A manutenção da Selic em 15% ao ano tem impacto direto na vida da população e das empresas. O custo do crédito, especialmente para famílias de baixa renda e pequenas empresas, permanece elevado, limitando o consumo e os investimentos produtivos.
Além disso, os juros altos encarecem o financiamento da dívida pública, o que pressiona o orçamento federal e limita a capacidade do governo de investir em políticas sociais e infraestrutura.
Banco Central sinaliza cautela
Apesar das projeções do mercado e das avaliações de economistas como André Perfeito, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adota postura cautelosa. Em suas últimas comunicações, o BC enfatizou a necessidade de manter a vigilância sobre os núcleos de inflação e os riscos fiscais.
Especialistas avaliam que o banco pode esperar sinais mais claros do cenário internacional e do comportamento fiscal do governo federal antes de iniciar qualquer flexibilização da política monetária.
Expectativas para o segundo semestre de 2025
O segundo semestre do próximo ano será decisivo. Caso o Fed inicie a redução dos juros e o real se valorize frente ao dólar, o ambiente poderá permitir ao BC dar início à redução da Selic, ainda que de forma gradual.
Economistas alertam, no entanto, que o cenário é volátil e sujeito a mudanças. A incerteza fiscal no Brasil, especialmente em relação à trajetória da dívida pública e ao cumprimento das metas do novo arcabouço fiscal, também pesará na decisão da autoridade monetária.