A SkyWest, importante companhia aérea regional dos Estados Unidos, afirmou que não aceitará a cobrança da tarifa de 50% sobre jatos fabricados pela Embraer, caso a medida anunciada pelo governo Trump entre em vigor.
O posicionamento foi declarado pelo CEO da empresa, Chip Childs, na apresentação do balanço financeiro do segundo trimestre de 2025, evidenciando um conflito comercial que pode afetar o mercado de aviação regional.
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Tarifa de 50% sobre jatos brasileiros: o que está em jogo?

No último mês de junho, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre aeronaves importadas do Brasil, numa medida que tem gerado tensão entre os dois países. A Embraer, gigante brasileira do setor aeroespacial, foi uma das empresas mais impactadas, dada sua forte presença no mercado americano, especialmente na aviação regional.
O impacto na relação SkyWest-Embraer
A SkyWest é um dos maiores clientes da Embraer e já havia fechado um pedido para 60 aeronaves em junho de 2025, além de outras 14 já adquiridas anteriormente, totalizando 74 aviões previstos para entrega até 2032. No entanto, diante da ameaça da tarifa, a empresa americana sinalizou que, apesar de desejar a entrega das aeronaves, está preparada para adiar ou até cancelar os pedidos caso a medida seja implementada.
Segundo Chip Childs, a expectativa inicial era manter a produção e as entregas conforme planejado, mas a imposição da tarifa inviabilizaria esse cenário, forçando negociações e ajustes no cronograma.
Embraer e a resistência diplomática
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, tem buscado dialogar diretamente com autoridades americanas para mitigar o impacto das tarifas. Segundo ele, a empresa domina mais de 80% do mercado de aviação regional nos EUA, operando jatos que transportam cerca de 5 milhões de passageiros mensalmente.
Encontros estratégicos em Washington
Francisco Gomes Neto participou de reuniões com secretários americanos, como Howard Lutnick (Comércio), Scott Bessent (Tesouro), Sean Duffy (Transportes), e representantes da Representação Comercial dos Estados Unidos, com o objetivo de buscar uma solução para a disputa comercial e manter o fluxo das entregas e operações.
Flexibilidade e preparação para o cenário macroeconômico adverso
O CEO da SkyWest destacou que a empresa já havia planejado uma estratégia para enfrentar possíveis desafios macroeconômicos, especialmente no que se refere à flexibilidade da frota.
Estratégia para lidar com as tarifas
“Embora todas as aeronaves regionais sejam produzidas fora dos Estados Unidos, a SkyWest está na melhor posição dentro do segmento para enfrentar esses desafios,” afirmou Childs. Ele ressaltou que as relações sólidas com a Embraer e outros parceiros são fundamentais para encontrar soluções viáveis.
O diretor comercial da companhia, Wade Steele, reforçou essa linha ao dizer que, caso as tarifas sejam aplicadas, a empresa pretende colaborar com a Embraer para postergar as entregas até que a situação se resolva, preservando assim os interesses de todas as partes envolvidas.
Repercussões econômicas e políticas nos EUA

A imposição da tarifa reflete a política comercial protecionista do governo Trump, que busca favorecer a indústria nacional americana, mas enfrenta resistência do setor privado, que teme prejuízos econômicos e impactos na competitividade.
Reconhecimento do impacto econômico
Segundo Chip Childs, “as pessoas estão entendendo o impacto econômico dessas tarifas para os Estados Unidos,” o que demonstra um movimento crescente para buscar alternativas ou a suspensão da medida.
“Vamos continuar lutando arduamente para avançar na questão tarifária,” completou o executivo, sinalizando que a SkyWest adotará uma postura ativa nas negociações e na busca por soluções.
Consequências para o mercado de aviação regional
A aplicação da tarifa pode provocar efeitos em cascata no setor de aviação regional norte-americano, onde a Embraer tem forte participação.
Possível atraso e cancelamento de entregas
Com a perspectiva de adiamento ou cancelamento dos pedidos por parte da SkyWest, o mercado poderá enfrentar um desequilíbrio na oferta de aeronaves, afetando planos de expansão e modernização das frotas regionais.
Impacto nos passageiros e operações
Além dos impactos econômicos para as empresas, consumidores também podem ser afetados, já que atrasos na entrega de novas aeronaves podem refletir em menor capacidade e qualidade nos serviços das companhias aéreas regionais.
Imagem: testing / shutterstock.com

