Soja renova alta no Brasil com influência de Chicago e aumento da procura
A cotação da soja voltou a registrar valorização no mercado brasileiro, impulsionada por fatores externos e internos. A influência do mercado internacional de Chicago, somada ao aumento da procura pelo grão e derivados, levou a uma elevação dos preços em diversas regiões do país.
📌 DESTAQUES:
Cotação da soja sobe no Brasil impulsionada por alta em Chicago e aumento da procura interna. Veja os preços nas principais regiões e portos.
A tendência de alta ganha força também com o avanço do uso de biodiesel na composição do diesel comercializado no Brasil, o que aquece o mercado do óleo de soja.
Leia Mais:
Mais de 100 mil se inscrevem no CPNU 2 em 24h, com foco em inclusão
Panorama nacional: preços sobem em 22 das 34 praças avaliadas
Cotação em Paranaguá sobe 0,43% e puxa média nacional
Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (3/7) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço da saca de 60 quilos de soja no porto de Paranaguá (PR) subiu 0,43% em relação ao dia anterior, atingindo R$ 136,50. O movimento reforça a recuperação observada nos últimos dias, motivada pela maior demanda doméstica e pela atratividade das exportações.
A consultoria AgRural, que monitora 34 praças agrícolas pelo país, aponta que os preços subiram em 22 delas, enquanto outras 12 permaneceram estáveis. Nenhuma praça apresentou recuo nas cotações. As maiores altas, de até R$ 2 por saca, ocorreram em polos importantes de produção como Luís Eduardo Magalhães (BA), Barcarena (PA), Uberlândia (MG) e Uberaba (MG).
Cotações em destaque nas principais regiões produtoras
Em Mato Grosso, maior estado produtor do país, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou uma elevação de 0,21% no preço médio da soja, que alcançou R$ 109,64 por saca. O dado reforça a tendência de valorização local, que ganha impulso com a crescente procura por derivados como o óleo de soja, cujo valor subiu 28,66% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em outras regiões, a AgRural apontou as seguintes cotações:
- Luís Eduardo Magalhães (BA): R$ 120
- Rio Verde (GO): R$ 118,50
- Balsas (MA): R$ 118
- Triângulo Mineiro: R$ 122
- Dourados (MS): R$ 117,50
Nos principais portos exportadores, os valores também seguiram em alta:
- Santos (SP): R$ 137
- Rio Grande (RS): R$ 135
Fatores internacionais: bolsa de Chicago e fundamentos da demanda
Soja valoriza nos Estados Unidos e influencia o mercado brasileiro
A cotação da soja na Bolsa de Chicago também registrou alta nesta quinta-feira. Os contratos com vencimento em agosto subiram 0,19%, sendo negociados a US$ 10,5550 por bushel. A leve valorização foi motivada por fundamentos positivos, como o aumento das exportações norte-americanas e a preocupação com o clima em regiões produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
O movimento altista em Chicago reforça a tendência observada no mercado físico brasileiro, já que os preços internacionais da soja servem de referência para as negociações locais. Quando os contratos futuros sobem na Bolsa de Chicago, isso tende a elevar a atratividade da exportação, o que pressiona para cima os preços pagos aos produtores nacionais.
Mercado de óleo de soja aquecido com avanço do biodiesel
Mistura de 15% no diesel eleva demanda pelo derivado da soja
Outro fator relevante para a atual valorização da soja no Brasil é o aumento da demanda por óleo de soja, resultado direto da elevação do percentual de biodiesel na composição do diesel comercializado no país. Em março deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel de 12% para 15%, que passa a valer de forma integral ao longo de 2025.
Esse acréscimo na mistura eleva significativamente o consumo de óleo vegetal no Brasil, principalmente o de soja, responsável por mais de 70% da produção de biodiesel nacional. A medida impacta diretamente os preços do grão e contribui para maior liquidez no mercado.
Segundo o Imea, a valorização do óleo de soja em Mato Grosso já acumula alta de quase 29% em relação ao ano anterior, refletindo a antecipação dos agentes do mercado frente ao aumento esperado no consumo.
Perspectivas para o setor: continuidade da alta ou estabilidade?
Exportações e câmbio também influenciam o cenário futuro
Com os preços internacionais favoráveis e a demanda doméstica aquecida, o cenário tende a manter uma trajetória de preços firmes para a soja nas próximas semanas. No entanto, fatores como o andamento da colheita nos Estados Unidos, o comportamento do dólar frente ao real e o ritmo das exportações brasileiras devem ser monitorados de perto pelos agentes do mercado.
A taxa de câmbio é um ponto sensível para os exportadores. Um dólar mais valorizado torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional, o que pode estimular ainda mais os embarques e sustentar os preços domésticos.
Além disso, a sinalização de uma possível recuperação da economia chinesa, principal destino da soja brasileira, pode contribuir para manter o ritmo das exportações em alta, especialmente no segundo semestre de 2025.
Imagem: ROKA Creative – Freepik
Abaixo você pode continuar a leitura do artigo