Nos últimos anos, o universo das criptomoedas assistiu a uma transformação silenciosa, mas profunda. Embora o Bitcoin ainda seja a criptomoeda mais conhecida e valorizada, as chamadas stablecoins já movimentam mais volume de transações diariamente do que o próprio BTC.
Em especial, os ativos digitais pareados com o dólar norte-americano têm se consolidado como ferramentas centrais para pagamentos, remessas internacionais e proteção contra a inflação.
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.
Segundo dados recentes da Coinbase, em dezembro de 2024, as transferências com stablecoins atingiram o recorde de US$ 720 bilhões em um único mês. E em maio de 2025, o número de investidores que utilizam stablecoins ultrapassou 160 milhões globalmente — mais do que a base de clientes dos quatro maiores bancos dos EUA somados.
Leia mais:
Bitcoin retoma fôlego: alta a US$ 114K enquanto baleias acumulam na queda
O que são stablecoins e como funcionam?
Criptoativos com lastro: a ponte entre o digital e o fiduciário
Stablecoins são criptomoedas lastreadas em ativos do mundo real, geralmente moedas fiduciárias como o dólar, o euro ou o real. O objetivo principal dessas moedas é manter um preço estável, ao contrário de criptoativos como o Bitcoin, conhecidos por sua alta volatilidade.
Como é feito o lastro?
O lastro é mantido pelas empresas emissoras que precisam reservar o equivalente em ativos reais à quantidade de stablecoins emitida. Assim, para cada 1 USDT (a principal stablecoin do mercado), deve haver 1 dólar em reserva. Essas reservas podem incluir:
- Depósitos bancários;
- Títulos do Tesouro dos EUA;
- Ativos altamente líquidos.
Principais stablecoins do mercado
USDT (Tether)
Emitida pela empresa Tether, é atualmente a stablecoin mais usada no mundo, especialmente em países com moedas fracas.
USDC (Circle)
Emitida pela Circle, a USDC ganhou destaque por priorizar conformidade regulatória e transparência. É uma das favoritas entre investidores institucionais.
BRLA (Avenia)
Stablecoin brasileira lastreada em real, emitida pela Avenia. Começa a ganhar espaço em operações locais.
Para que servem as criptos de dólar?

Remessas internacionais
Stablecoins têm sido amplamente utilizadas para remessas internacionais mais rápidas e baratas, especialmente porque não incidem tributos como IOF.
Proteção cambial
São uma forma acessível de exposição ao dólar para pessoas que vivem em países com moedas instáveis ou sistemas bancários ineficientes.
Reserva de valor e inclusão financeira
Em regiões desbancarizadas, as stablecoins funcionam como reserva de valor digital e meio de pagamento, promovendo inclusão financeira.
Interface entre o tradicional e o cripto
As stablecoins também funcionam como porta de entrada para o universo cripto, sendo utilizadas para comprar outros ativos digitais com menos fricção e riscos cambiais.
Crescimento no Brasil: um caso emblemático
Segundo a Chainalysis, 70% das transações entre exchanges no Brasil já são feitas com stablecoins. Dados da Biscoint indicam que, em junho de 2025, o volume de negociação com USDT chegou a quase R$ 10 bilhões, um salto de 32% em relação ao mês anterior.
O Nubank relata que a USDC representa 25% das primeiras compras em seu aplicativo cripto, ficando atrás apenas do Bitcoin. Já o Bitybank afirma que 50% de sua movimentação já ocorre via criptos de dólar.
Regulação: o novo horizonte para as stablecoins
Genius Act: marco regulatório nos EUA
Em 2025, os EUA aprovaram o Genius Act, que estabelece:
- Reserva 1:1 para cada token emitido;
- Auditoria externa obrigatória;
- Transparência sobre os ativos em reserva.
A legislação foi bem recebida pelo mercado e interpretada como um selo de aprovação do governo Trump à nova infraestrutura financeira digital.
Situação no Brasil
O Banco Central abriu consultas públicas para regulamentar stablecoins, sinalizando que devem ter papel complementar ao Pix, principalmente em operações internacionais. Instituições como o BTG Pactual e o Itaú já se movimentam para lançar ou expandir suas ofertas nesse segmento.
Críticas e desafios das stablecoins
O alerta do BIS
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) classificou as stablecoins como uma “forma ruim de dinheiro”, alegando que:
- Podem afetar a soberania monetária;
- São menos estáveis do que parecem;
- Operam fora do sistema bancário tradicional.
O BIS defende o desenvolvimento de CBDCs (moedas digitais de bancos centrais) como alternativa pública às stablecoins privadas.
Falhas de paridade e transparência
Histórico de falta de transparência, especialmente da Tether, ainda levanta dúvidas sobre a credibilidade das reservas. Casos anteriores de descolamento temporário do valor de 1:1 alimentam preocupações sobre estabilidade.
O futuro das stablecoins
Tendência de massificação
Com regulações mais claras e entrada de grandes bancos e plataformas financeiras, o futuro das stablecoins tende à massificação. Como afirma Eric Altafim, do Itaú:
“Todo mundo vai usar stablecoin em breve, o que falta são regras e segurança.”
Tokenização da economia
Stablecoins são consideradas a peça central da tokenização da economia, permitindo que o dinheiro acompanhe a digitalização de ativos, serviços e contratos.
Conclusão: mais do que moda, uma nova infraestrutura

O uso crescente de stablecoins como USDT e USDC mostra que essas “criptos de dólar” vieram para ficar. Não apenas movimentam mais que o Bitcoin, mas também estão redesenhando o papel do dinheiro na era digital.
Com regulação em avanço, interesse corporativo e adoção em massa, as stablecoins podem se tornar, nos próximos anos, tão comuns quanto o Pix ou o cartão de crédito. E, para muitos, serão a principal maneira de guardar, transferir e transacionar valor em escala global.
