O varejo americano tradicionalmente inicia o planejamento para o Natal ainda em janeiro e fecha seus principais pedidos até o fim de junho. Em 2025, esse cronograma foi profundamente afetado pelas políticas comerciais do presidente Donald Trump. A instabilidade gerada pelas tarifas sobre produtos importados, especialmente da China, causou atrasos, reduções de pedidos e incertezas que já repercutem nos bastidores do comércio.
Mac Harman, CEO da Balsam Brands, empresa que controla a loja de decorações Balsam Hill, relata dificuldades em definir os produtos que irão compor os catálogos de Natal. “Não sabemos quais itens poderemos incluir no catálogo, tudo depende das tarifas que estão sendo impostas ou revistas a todo momento”, afirma.
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Impacto direto na oferta de produtos natalinos
Diversos lojistas americanos relatam a necessidade de reduzir suas encomendas e reorganizar o portfólio de produtos. Essa estratégia visa evitar estoques encalhados ou despesas elevadas com impostos de importação. A consequência disso será percebida diretamente pelos consumidores em novembro e dezembro: menos variedade de presentes e preços mais altos nas prateleiras.
Setor de brinquedos está entre os mais prejudicados
Produção atrasada e incertezas sobre a reposição de estoques
O setor de brinquedos dos Estados Unidos é um dos mais dependentes da importação, com cerca de 80% dos produtos vindo da China. Em um cenário de tarifas de até 145% impostas no início do ano, muitas empresas adiaram o início da produção, que normalmente ocorre em abril, para o fim de maio.
Greg Ahearn, presidente da Toy Association, aponta que as pequenas e médias empresas estão operando com produção abaixo do volume registrado em 2024. A chegada tardia dos brinquedos aos centros de distribuição nos EUA gera dúvidas sobre a capacidade das lojas de repor itens populares que se destaquem entre setembro e outubro.
Riscos para lançamentos e estratégias de marketing
A incerteza também impactou a definição de campanhas promocionais. James Zahn, editor-chefe da revista Toy Book, explica que a instabilidade tarifária pode comprometer a reposição de produtos com alta demanda. Isso dificulta o planejamento de ações estratégicas de vendas, especialmente em uma temporada tão competitiva.
Aumento de custos pressiona os lojistas
Alta de preços nos atacados desafia as lojas
Dean Smith, proprietário das lojas de brinquedos JaZams em Nova Jersey e Pensilvânia, relata que alguns produtos tiveram aumento de até 20% no custo de atacado. Ele passou a considerar versões mais econômicas dos brinquedos tradicionais e deixou de incluir itens como a edição infantil do jogo Anomia, por considerar os novos valores inviáveis para o consumidor final.
Hilary Key, da loja The Toy Chest, também enfrenta dificuldades. Ela costuma testar novos brinquedos antes de estocar para o Natal, mas desistiu do processo neste ano por medo de tarifas inesperadas. Além disso, recebeu notificações de aumento de preço de fornecedores importantes, como a Schylling, fabricante de brinquedos nostálgicos.
Estoques mais limitados e escolhas difíceis
A redução na quantidade de pedidos se tornou uma medida de contenção comum. Smith afirma que teve que eliminar metade dos produtos que normalmente encomenda para o período natalino. Key compartilha da mesma preocupação: manter a diversidade de produtos se tornou uma tarefa complicada.
Logística alterada e antecipação de pedidos
Empresas aceleram importações para escapar de novas tarifas
Com a previsão de novas tarifas entrando em vigor em 1º de agosto, diversas empresas correram para antecipar seus embarques. O Porto de Los Angeles registrou, em junho, o maior movimento de sua história de 117 anos. Segundo Gene Seroka, diretor executivo do porto, o aumento nas importações também continuou forte em julho.
Essa corrida por antecipação, chamada de “efeito gangorra das tarifas”, já é conhecida no setor. Quando tarifas são anunciadas, os embarques aumentam. Quando as tarifas entram em vigor, o volume de importações despenca. Essa movimentação alterou os prazos e exigiu que muitas lojas ampliassem seus espaços de armazenamento.
Lojistas também antecipam estratégias
Smith e sua sócia Joanne Farrugia tomaram a decisão de antecipar os pedidos de Natal em dois meses para alguns produtos considerados essenciais. Além disso, dobraram o espaço do depósito para comportar os estoques. A estratégia busca minimizar os riscos de aumento de preços futuros, ainda que comprometa o capital de giro.
Consumidores começam a se antecipar
Aumento da procura por itens populares
Diante da perspectiva de preços mais altos e menor variedade de produtos, consumidores também começaram a agir. Itens com apelo natalino, como pelúcias da Jellycat e brinquedos de grande porte, estão sendo comprados com meses de antecedência.
As vendas antecipadas são bem-vindas, mas os lojistas temem não conseguir repor estoques caso esses itens se tornem sucesso de vendas. O desafio será manter o equilíbrio entre diversidade de produtos, preços acessíveis e margens de lucro sustentáveis.
Um Natal com menos opções e valores mais altos

Incerteza tarifária continuará influenciando o setor
A guerra comercial travada pela Casa Branca com países como China, Brasil, México e União Europeia ainda promete desdobramentos ao longo do segundo semestre. Embora o presidente tenha adiado a nova rodada de tarifas para o início de agosto, o clima de instabilidade permanece.
Empresas do setor varejista seguem monitorando as mudanças, tentando ajustar seus estoques e preservar margens. Já os consumidores devem se preparar para um Natal com menor oferta de produtos e preços mais altos.
Missão das empresas: manter o espírito das festas
Mac Harman, da Balsam Brands, resume o sentimento do setor: “Nossa missão como empresa é criar alegria juntos, e vamos fazer o nosso melhor para cumprir isso neste ano. Só não teremos muitos dos itens que os consumidores desejam — e essa não é a posição em que gostaríamos de estar.”
