Tether quer liderar a mineração de Bitcoin até 2025: estratégia visa segurança da rede, não lucros

A Tether, emissora da stablecoin USDT, surpreendeu o mercado ao anunciar que pretende se tornar a maior mineradora de Bitcoin do planeta até o fim de 2025. O que poderia parecer uma decisão puramente financeira tem, na realidade, motivações mais estratégicas do que lucrativas.

Segundo o CEO da empresa, Paolo Ardoino, o objetivo principal não é o lucro com a mineração em si, mas sim a segurança da rede Bitcoin — um ativo que a empresa já detém em grandes quantidades.

Com mais de 100.000 bitcoins em seu grupo corporativo, incluindo ativos controlados diretamente pela Tether e por meio de parcerias, a empresa aposta agora na mineração como forma de contribuir ativamente para a resiliência da blockchain e proteger seu próprio investimento.

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O posicionamento estratégico da Tether no ecossistema Bitcoin

A Tether é amplamente conhecida como a emissora do USDT, a maior stablecoin do mundo, com uma capitalização de mercado superior a US$ 100 bilhões. Tradicionalmente associada à liquidez dos mercados de criptoativos, a empresa vem diversificando seu portfólio de forma agressiva nos últimos anos.

Entre os principais investimentos da Tether estão:

  • Bitcoin: mais de 100 mil BTC sob custódia direta e indireta;
  • Títulos do Tesouro dos EUA: bilhões alocados, aproveitando a alta dos juros;
  • Setor de energia: com foco em sustentabilidade e mineração de cripto;
  • Agroenergia: participação na sul-americana Adecoagro;
  • Tecnologia e mídia: aportes na Rumble (rival do YouTube);
  • Esportes: investimento recente na Juventus Football Club, tornando-se o 2º maior acionista;
  • Neurotecnologia: aposta na Blackrock Neurotech, concorrente da Neuralink;
  • Inteligência Artificial: desenvolvimento da unidade Tether AI.

Por que minerar Bitcoin em vez de apenas comprar?

Mineração de Bitcoin
Imagem: Acervo do Unsplash (Creative Commons)

A resposta de Paolo Ardoino: “Pela segurança, não pelo retorno financeiro”

Durante entrevista concedida ao portal The Block no dia 23 de junho de 2025, Paolo Ardoino, CEO da Tether, foi enfático ao explicar a razão por trás da decisão de expandir a operação de mineração.

“Se você tem um milhão de dólares e precisa decidir onde colocá-lo — mineração de Bitcoin ou compra direta de BTC — você sempre teria maior retorno comprando Bitcoin diretamente,” explicou Ardoino. “Mas no nosso caso, dado o grau de exposição que temos ao Bitcoin, é importante fazer parte da segurança da rede.”

A lógica é simples: com bilhões de dólares em BTC sob custódia, a Tether considera sua participação direta na mineração uma camada adicional de proteção de capital, contribuindo ativamente para a manutenção e robustez da infraestrutura descentralizada do Bitcoin.

Como a mineração fortalece a segurança do Bitcoin?

O modelo de segurança do Bitcoin depende fundamentalmente de dois pilares:

  • Hashrate elevado: quanto maior o poder computacional, mais difícil atacar a rede;
  • Descentralização geográfica e econômica: reduz a vulnerabilidade a censura ou ataques direcionados.

Ao se tornar um grande player na mineração, a Tether ajuda a manter o hashrate elevado e descentralizado, dissuadindo tentativas de manipulação da rede por agentes maliciosos.

Além disso, essa atuação reforça o compromisso da Tether com a infraestrutura do Bitcoin, algo que beneficia não apenas seus próprios interesses, mas todo o ecossistema cripto.

Os números por trás da ambição da Tether

Segundo informações oficiais divulgadas pela Tether e reportadas na imprensa, a empresa mantém:

  • 79.260 BTC sob custódia direta;
  • ~35.400 BTC por meio da parceria com a Twenty One Capital, um fundo criado em conjunto com o SoftBank e a Cantor Equity Partners.

Isso coloca o conglomerado Tether entre os maiores detentores institucionais de Bitcoin no mundo — atrás apenas de gigantes como a MicroStrategy e algumas nações que adotaram BTC como ativo de reserva.

Em relação à mineração, embora números específicos de hashrate ou capacidade instalada ainda não tenham sido divulgados, Ardoino deixou claro que a meta é assumir a liderança global até dezembro de 2025.

Tether e a diversificação além das stablecoins

De cripto para energia, IA e neurotecnologia: um plano de longo prazo

A estratégia da Tether vai além do Bitcoin e da mineração. A empresa já demonstrou forte interesse em tecnologias emergentes, infraestrutura energética e propriedade intelectual descentralizada.

Destaques dos investimentos recentes:

Juventus Football Club
  • Segunda maior posição acionária no tradicional clube italiano;
  • Estratégia de exposição global e branding esportivo.
Blackrock Neurotech
  • Startup de interfaces cérebro-computador;
  • Rival da Neuralink de Elon Musk;
  • Segundo Ardoino, os sistemas são “mais avançados tecnicamente”.
Adecoagro
  • Atuação em bioenergia, agricultura regenerativa e sustentabilidade;
  • Presença em diversos países da América do Sul.
Rumble
  • Plataforma alternativa ao YouTube;
  • Foco em liberdade de expressão e monetização descentralizada.
Tether AI
  • Iniciativa de inteligência artificial;
  • Aplicações previstas para compliance, mercado cripto e análise de dados.

Essa diversificação mostra que a Tether está se posicionando como um conglomerado digital para o século XXI, com atuação em áreas críticas para o futuro da economia, da tecnologia e da soberania digital.

O alerta do CEO: cuidado com promessas de mineração

Ardoino critica “retornos garantidos” e modelos de nuvem suspeitos

Durante sua fala, o CEO da Tether fez questão de alertar o público sobre golpes comuns no setor de mineração de Bitcoin, especialmente aqueles promovidos como serviços de “mineração em nuvem”.

“Não confie em promessas de retorno garantido feitas por empresas de mineração. Se alguém diz que vai minerar para você e devolver lucros consistentes, há grandes chances de ser um esquema de pirâmide,” alertou Ardoino.

O executivo destacou a importância de educação financeira e técnica, além de transparência nos modelos de negócio. Ao contrário de projetos obscuros, a Tether adota uma política de divulgação periódica de relatórios de reservas e balanços auditáveis.

Tether pode realmente se tornar a maior mineradora de Bitcoin?

Atualmente, as maiores mineradoras do mundo operam com uma capacidade estimada entre 6 a 10 EH/s. Para atingir a liderança, a Tether precisará:

  • Construir ou adquirir centros de dados em regiões com energia barata;
  • Desenvolver parcerias estratégicas com fornecedores de ASICs;
  • Investir em geração de energia renovável ou contratos de longo prazo.

Considerando o fluxo de caixa positivo proveniente dos títulos do Tesouro americano (em que a Tether investe boa parte de suas reservas), além de sua reserva de BTC como colateral natural, o plano da empresa é viável economicamente — embora desafiador em termos logísticos.

Implicações para o mercado de Bitcoin

Tether como mineradora: confiança ou centralização?

A entrada da Tether no setor de mineração pode ser interpretada de duas formas distintas pelos participantes do mercado:

Positivo:

  • Fortalecimento da segurança da rede;
  • Aumento do hashrate e resistência a ataques;
  • Confirmação de compromisso institucional com o Bitcoin.

Negativo:

  • Potencial risco de concentração de poder;
  • Dependência de empresas privadas no funcionamento da blockchain;
  • Preocupações com governança e transparência de operação.

Especialistas sugerem que o mercado observará com atenção como a Tether equilibrará sua atuação como mineradora sem comprometer a natureza descentralizada da rede.

Considerações finais

A decisão da Tether de investir fortemente em mineração de Bitcoin não deve ser vista apenas como um movimento empresarial. É uma declaração estratégica de confiança no futuro do Bitcoin e, ao mesmo tempo, uma forma inteligente de blindar seu próprio patrimônio digital.

Ao combinar reservas em BTC, operações financeiras tradicionais e um ecossistema de investimentos diversificado, a Tether projeta-se como uma potência digital com influência significativa no destino da maior criptomoeda do mundo.

A meta de se tornar a maior mineradora global até o fim de 2025 é ambiciosa, mas não impossível — e certamente moldará os rumos do setor nos próximos anos.

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