Wise aposta alto no Brasil: nova função e equipe dobrando em 2025
A Wise, fintech global conhecida por oferecer serviços de câmbio e transferências internacionais, quer dobrar sua presença no Brasil até o fim de 2025. A estratégia passa por transformar o país em um hub para a América Latina, com investimentos pesados em tecnologia e uma equipe local maior.
O movimento reforça o apetite da empresa em aproveitar o potencial do mercado brasileiro. Em plena expansão, a fintech acaba de lançar uma opção de investimento para clientes brasileiros, que poderão aplicar em moedas estrangeiras de forma simples e transparente.

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Wise: O Brasil como centro estratégico
Em conversa com jornalistas, Ricardo Amaral, country manager da Wise no Brasil, explicou que o país se tornou um laboratório para soluções inovadoras em serviços financeiros. Segundo ele, a base de usuários já ultrapassa 3 milhões, desconsiderando ainda aqueles que utilizam a plataforma por meio de parcerias com bancos como Nubank e Itaú.
De agosto de 2024 a julho de 2025, o volume de cartões emitidos cresceu 50%, um indício de que a demanda por produtos financeiros internacionais não para de crescer. Amaral destaca que o feedback do público foi essencial para guiar os novos passos.
Novo produto de investimento: como funciona
A grande novidade é o produto de investimento desenvolvido em parceria com a Genial Investimentos. O objetivo é permitir que clientes apliquem em dólar, euro ou libra, diversificando sua carteira com ativos de renda fixa de governos estrangeiros.
Para o cliente final, a proposta se assemelha a uma ponte para acessar ativos internacionais, mas de forma mais simples do que plataformas tradicionais. A Wise garante que 90% dos saldos de seus usuários no Brasil já estão em moeda estrangeira, sendo a maior parte em dólar.
Principais diferenciais
Segundo Amaral, o diferencial competitivo está na variedade de moedas disponíveis, na liquidez e na transparência de custos. “Nossos clientes pediram uma solução que fosse diferente de uma conta poupança tradicional. Queriam retorno, mas sem burocracia”, resume.
Além disso, a Wise já oferece a opção de cartões internacionais, câmbio com taxas competitivas e agora amplia o leque com a possibilidade de obter rendimentos em moeda forte.
O perfil do investidor Wise
O público da Wise no Brasil é formado majoritariamente por pessoas que viajam com frequência, trabalham para empresas estrangeiras ou recebem rendimentos no exterior. O novo produto mira justamente quem deseja manter recursos fora do Brasil, mas com retorno financeiro.
Essa estratégia também segue a tendência de expansão de serviços de “white label”, ou seja, soluções oferecidas a grandes bancos parceiros como Itaú e Nubank. Na prática, o cliente de um banco tradicional pode utilizar a estrutura da Wise sem saber.
Crescimento e geração de empregos
Para dar conta de tanta demanda, a empresa anunciou a expansão de seu escritório em São Paulo e o plano de dobrar o quadro de funcionários até o final de 2025. Atualmente, são cerca de 350 colaboradores, que devem chegar a 700 em menos de dois anos.
Esse movimento reforça a importância do Brasil na estratégia global da fintech, que já atua em mais de 50 países. O país servirá de base para testar novas soluções que poderão ser replicadas em toda a América Latina.
Impactos no ecossistema financeiro
A aposta da Wise também sinaliza uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, cada vez mais atento a produtos financeiros que ofereçam diversificação de moedas e rendimentos fora do real. Com juros elevados no Brasil, o diferencial está na proteção cambial e no acesso a mercados consolidados.
Além disso, a concorrência entre fintechs e bancos tradicionais tende a se intensificar. Enquanto as grandes instituições ampliam suas parcerias com startups, empresas como a Wise buscam crescer de forma independente, reforçando sua base de clientes diretos.
Desafios para 2025
Embora o cenário pareça promissor, a Wise ainda enfrenta desafios para educar o público sobre as diferenças entre aplicações no Brasil e no exterior. Custos de remessa, impostos e regulamentações locais podem impactar a rentabilidade final.
Para mitigar esse risco, a fintech investe em transparência, disponibilizando ferramentas para simular rendimentos, câmbio e taxas. O objetivo é mostrar ao cliente, de forma didática, como funciona cada etapa do investimento.
Perspectivas para o mercado
Especialistas apontam que o movimento da Wise pode incentivar outras fintechs a explorar nichos semelhantes. A parceria com a Genial, por exemplo, mostra que há espaço para produtos colaborativos, que unem tecnologia, câmbio e investimentos.
Com o avanço de soluções digitais, o consumidor brasileiro se torna mais exigente e disposto a testar serviços fora do circuito bancário tradicional. Isso explica por que o país é visto como estratégico para players globais.
Expectativas para o cliente final
Para quem já usa a Wise, a expectativa é de mais conveniência. A fintech promete manutenção de baixos custos, rendimento competitivo e suporte local. Já para novos clientes, a possibilidade de aplicar em moedas fortes pode ser um atrativo relevante, principalmente em tempos de real volátil.
Amaral destaca que a meta é oferecer uma experiência tão simples quanto enviar uma remessa internacional. “Queremos eliminar barreiras para que o cliente tenha controle total dos seus recursos em diferentes moedas”, resume o executivo.
A estratégia da Wise para os próximos anos revela como o Brasil se consolida como laboratório de inovação financeira. O lançamento de produtos inéditos, somado ao plano de dobrar a equipe, sinaliza uma aposta de longo prazo em um mercado que ainda tem muito a explorar.
Para o consumidor, a chegada de mais opções de investimento em moeda estrangeira significa acesso a alternativas que antes eram restritas a grandes investidores. E, para o ecossistema, a movimentação da fintech pode redefinir a forma como os brasileiros lidam com o câmbio e as finanças globais.
Fique atento às próximas movimentações da Wise — este pode ser apenas o começo de uma transformação ainda maior no mercado financeiro brasileiro.