Após descontinuar o serviço de entrega de comida em 2023, a 99Food retorna ao mercado brasileiro em 2025 com uma estratégia agressiva para atrair entregadores e competir com o gigante iFood, que domina cerca de 80% do setor.
99Food estreia oferecendo entrega grátis e preço justo para bater o iFood
99Food retorna ao delivery com R$ 500 mi e bônus, buscando atrair entregadores e disputar espaço com o iFood no mercado brasileiro.
Com um aporte inicial de R$ 500 milhões e promessa de bônus para motociclistas, a empresa controlada pela chinesa Didi tenta reconquistar espaço em um mercado altamente competitivo e consolidado.
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Investimento pesado para impulsionar a retomada

Em abril de 2024, Stephen Zhu, diretor global da Didi — dona da 99Food — anunciou que o grupo planejava investir R$ 1 bilhão em São Paulo. Agora, a 99Food confirma o aporte inicial de R$ 500 milhões para a retomada das operações no segmento de entregas.
Segundo a companhia, esse investimento será utilizado para financiar bônus e incentivos destinados aos entregadores, além de fortalecer a estrutura tecnológica e a rede de parceiros. A medida visa criar uma base sólida para conquistar clientes e profissionais de entrega em uma cidade estratégica para o mercado de delivery.
Bônus para entregadores: foco em motociclistas
Para atrair os entregadores, especialmente motociclistas, a 99Food lançou um programa de incentivos que promete ganhos garantidos para quem cumprir metas diárias de entregas. A empresa oferece R$ 250 por dia para quem realizar 15 entregas, sendo pelo menos 5 delas de comida.
No primeiro mês de operação, quem fizer 20 entregas exclusivamente de comida pode receber até R$ 400 por dia. Essa estratégia tem como objetivo principal incentivar a adesão e fidelização dos entregadores em um mercado marcado por constantes protestos da categoria, que reclama dos baixos valores pagos por entrega.
Protestos frequentes evidenciam insatisfação
A categoria de entregadores realiza “breques” periódicos, protestando contra a remuneração considerada insuficiente e as condições de trabalho precárias. O bônus garantido pela 99Food pode ser uma resposta direta a essas manifestações, oferecendo uma alternativa mais atrativa para os profissionais do setor.
Mercado de delivery brasileiro: um cenário dominado e contestado
O mercado nacional de delivery é atualmente dominado pelo iFood, que detém cerca de 80% da fatia do setor. Essa liderança quase monopolística já foi alvo de investigações e reclamações por concorrentes e órgãos reguladores, principalmente devido a contratos de exclusividade com restaurantes, prática que dificulta a competição.
Em 2023, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negociou um acordo com o iFood para limitar contratos exclusivos, buscando abrir espaço para outras empresas no mercado.
Concorrentes que desistiram e o retorno da 99Food
Apesar do esforço regulatório, várias plataformas de delivery desistiram do mercado brasileiro. A Uber Eats encerrou suas operações em janeiro de 2022, enquanto a 99Food, que havia parado as entregas em abril de 2023, agora busca um reposicionamento agressivo.
A colombiana Rappi permanece operante, mantendo sua fatia de mercado, mas enfrenta a concorrência renovada com a volta da 99Food e a iminente chegada da chinesa Keeta.
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Chegada da Keeta deve intensificar a disputa
Prevista para começar as operações em novembro de 2025, a Keeta, controlada pela Meituan — maior plataforma de delivery da China —, promete injetar R$ 5,6 bilhões em cinco anos no Brasil. Esse investimento bilionário indica que a competição no mercado nacional deve se intensificar ainda mais, trazendo novas opções para consumidores, entregadores e restaurantes.
Por que a volta da 99Food é importante?
O retorno da 99Food representa um movimento estratégico para diversificar o mercado de delivery no Brasil, hoje quase monopolizado pelo iFood. A aposta da empresa em incentivos financeiros aos entregadores e investimentos massivos reflete a tentativa de conquistar espaço e oferecer alternativas para consumidores e parceiros.
Além disso, a entrada da Keeta reforça a tendência de expansão das plataformas chinesas no país, que buscam replicar seu modelo de sucesso em mercados internacionais.
Impactos para entregadores e consumidores
Com o reforço de investimentos e bônus, os entregadores podem ter melhores condições financeiras e maior motivação para trabalhar. Para os consumidores, a maior competição tende a resultar em preços mais competitivos, promoções e melhoria dos serviços.
Entretanto, o cenário ainda exige atenção para evitar práticas predatórias que possam comprometer a sustentabilidade do setor e as condições de trabalho da categoria.
Imagem: Divulgação / 99Food

