A escravidão foi um período da história muito triste, seja no Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer outro país do mundo aonde ela aconteceu. Infelizmente, milhares de negros foram arrancados de suas terras na África e cruelmente abusados de todas as formas nas Américas. Mas uma história que anda circulando pela internet tem assustado muitas pessoas, especialmente os que gostam de fazer compras nas promoções da última sexta-feira de Novembro. Afinal,  é verdade que a Black Friday começou com a venda de escravos em 1904 nos Estados Unidos? A Black Friday é racista?

É provável que você também goste:

Caixa faz empréstimo com liberação de dinheiro na hora sem consulta ao SPC/Serasa

O que comer com R$ 5 na Black Friday: 2 McDonalds ou 3 Burger King?

Caixa libera FGTS para nascidos em agosto na Black Friday: saiba como sacar

Primeiramente vamos analisar o texto que corre pelas redes sociais.

“OS ESCRAVOS MODERNOS: BLACK FRIDAY

Sabiam que a origem do Black Friday não é outro que a venda de escravos? No dia seguinte ao dia de ação de graças se vendiam os escravos “com desconto”, já que começa a temporada de inverno e eles não eram tão necessários para a colheita do algodão, por exemplo. Daí o BLACK (“Preto” em inglês).

 O consumismo assimilou sem nenhum pudor esta tradição, e não só foi criado nos Estados Unidos como uma ocasião para fazer compras e mais compras para o natal, mas que foi exportado à Europa. Acho que está na hora de dar um grande NÃO a algo de origens tão desumanas.

“Esta é a triste história e significado da #Black_Friday. Foi durante o comércio de escravos na América. Durante a sexta-feira negra, os escravos foram vendidos com desconto para impulsionar a economia. Daí Black (escravos eram de origem africana) Friday (sexta-feira a data da venda, nos finais de novembro). Isso levanta questões sobre se, como africanos, devemos apoiar este insulto? Já está a tornar moda importarmos  expressões sem questionar a origem das palavras ou seu verdadeiro sentido. Black Friday 1904.”

black friday é racista

Um pouco da história da escravidão nos Estados Unidos

Bom, vamos por partes. Ao analisar o texto, vimos duas contradições. Em primeiro lugar, em 1904 a escravidão já havia terminado nos Estados Unidos. Na verdade, a diferença é de mais de 40 anos. Em 1° de janeiro de 1863, entrou em vigor o Ato de Emancipação, assinado pelo então presidente Abraham Lincoln. Esse Ato libertou cerca de 4 milhões de escravos negros que viviam nos Estados Unidos. Só por aí a gente percebe que há algo de errado nesta história. Mas vamos entender agora como de fato começou a Black Friday.

História que a Black Friday começou com a venda de escravos é mentira!

Sim, se você já estava furioso com essa história e com ainda mais raiva do que aconteceu nos terríveis tempos de escravidão, calma. Embora tenha sido um momento horrível e desumano de nossa história, a Black Friday não tem nada (ou quase nada) a ver com isso.

Digo quase nada porque o termo black tem origem em significados pejorativos, como você pode conferir abaixo. Mas para além disso, como dissemos antes, a Black Friday começou após a escravidão, e pelo jeito, quem inventou o boato nem se deu o trabalho de pesquisar a história para saber as datas certas.

Origem da Black Friday

Antes de mais nada, não existe um consenso e muito menos alguma prova da origem real do termo. Mas há algumas histórias que vamos compartilhar abaixo. De qualquer maneira, acredita-se que o termo Black Friday tenha surgido pela primeira vez nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1869, seis anos após o fim da escravidão nos EUA. Não há evidências de que as ofertas da última sexta de Novembro tenham qualquer tipo de relação com a escravidão de africanos.

A Black Friday é racista?

Mas na verdade o termo “negro” é de fato usado de forma pejorativa. Assim como infelizmente alguns termos desse tipo são usados até hoje, como “lista negra” por exemplo, o termo negro (black) tem a ver com crise econômica. Sim, como eu já disse, infelizmente é pejorativo, já que remete a cor negra como algo ruim. Portanto, eu pessoalmente não descarto um toque de racismo neste termo, ainda mais se você levar em conta a origem do termo.

O termo “Black Friday” foi usado pela primeira vez não para descriminar às compras de fim de ano, mas sim sobre a crise econômica, especificamente, a quebra do mercado de ouro dos EUA em 24 de setembro de 1869. Dois financiadores notoriamente cruéis de Wall Street, Jay Gould e Jim Fisk, trabalharam juntos para comprar o máximo possível do ouro, na esperança de elevar o preço e vendê-lo com muito lucro na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Naquela sexta-feira de setembro, a conspiração finalmente se desenrolou, levando o mercado de ações à queda livre e levando todos à falência, de barões de Wall Street à agricultores.

Tumultos na Filadélfia

Tumultos na Filadélfia

Não se sabe a verdadeira história por trás da Black Friday. Na década de 1950, a polícia da Filadélfia usou o termo para descrever o caos que se seguiu no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, quando hordas de compradores e turistas suburbanos invadiram a cidade, antes do grande jogo de futebol da Marinha do Exército, realizado anualmente no sábado após ao dia de Ação de Graças.

Os policiais da Filadélfia não apenas não poderiam tirar o dia de folga, mas também teriam que trabalhar em turnos extras para lidar com as multidões e o tráfego adicionais. Os ladrões de lojas também aproveitariam o tumulto nas lojas para fugir com as mercadorias, aumentando a dor de cabeça da polícia.

Em 1961, a “Black Friday” havia ocorrido na Filadélfia, na medida em que os comerciantes e promotores da cidade tentaram, sem sucesso, alterá-la para “Big Friday”, a fim de remover as conotações negativas. O termo não se espalhou para o resto do país, e até 1985 não era de uso comum em todo o país.

Contas saindo do vermelho

Mas embora existam algumas evidências de que a origem da Black Friday é racista, há também uma versão positiva para o termo, vinculada as compras pós-Ação de Graças. Em algum momento do final dos anos 80, no entanto, os varejistas encontraram uma maneira de reinventar a Black Friday de forma positiva.

O resultado foi o conceito “vermelho para preto” do feriado e a noção de que o dia seguinte ao Dia de Ação de Graças marcou a ocasião em que as lojas americanas finalmente tiveram lucro. (De fato, as lojas tradicionalmente veem vendas maiores no sábado antes do Natal.)

Segundo essa história, depois de um ano inteiro operando com perdas (“no vermelho”), as lojas supostamente teriam lucro (“entraram no preto”) na Black Friday, que ocorria no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças. Isso acontecia porque os consumidores de férias gastaram tanto dinheiro com descontos mercadoria.

Embora seja verdade que as empresas de varejo costumavam registrar perdas em vermelho e lucros em preto ao fazer suas contas, esta versão da origem da Black Friday é a história oficialmente sancionada – mas imprecisa – por trás da tradição.

Das raízes sombrias ao fenômeno de vendas

A história da Black Friday ficou emperrada, e logo as raízes mais sombrias do termo da Filadélfia foram esquecidas. Pode ser sim que a origem da Black Friday é racista. Porém, a oportunidade de vendas em um dia se transformou em um evento de quatro dias, e acabou gerando uma semana inteira de promoções. As lojas começaram a abrir mais cedo, e agora os consumidores aguardam a data para fazer compras.

Início do Black Friday nos Estados Unidos e no Brasil

Em 1990 foi a primeira vez que a data ficou conhecida nos Estados Unidos por oferecer grandes promoções do comércio. No Brasil a Black Friday começou 2010. A princípio eram apenas promoções no varejo virtual (lojas na internet). Mas com o sucesso de vendas, os estabelecimentos físicos e até mesmo outros setores, como o de serviços, passaram a adotar a data para oferecer promoções.

Enfim, gostou da matéria?

Então, nos siga no canal do YouTube, em nossas redes sociais como o FacebookTwitter Instagram. Assim acompanhará tudo sobre bancos digitais, cartões de crédito digitais,  empréstimos e matérias relacionadas ao mundo de fintechs.