Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre do ano safra, as ações da Raízen (RAIZ4) enfrentaram uma desvalorização significativa, acumulando queda de 16,13% na última semana e registrando a maior baixa do Ibovespa no período. Apenas na sessão seguinte à divulgação dos números, na última quinta-feira (14), os papéis caíram 12,50%, refletindo um trimestre desafiador para a companhia.
Ações da Raízen despencam: vale a pena investir agora?
Ações da Raízen registram queda significativa após resultados; veja perspectivas e análise de especialistas.
De acordo com a XP Investimentos, o período apresentou quatro fatores críticos que impactaram os resultados:
- Aumento da alavancagem financeira, provocado pela substituição de contratos com fornecedores por dívidas, elevando a relação dívida líquida/Ebitda para 4,5 vezes;
- Ganho de eficiência operacional considerado não recorrente, o que não garante repetição no futuro;
- Condições climáticas desfavoráveis, que reduziram os volumes de moagem e dificultaram a diluição de custos;
- Perdas em estoques na Distribuição de Combustíveis no Brasil, agravadas por uma parada de manutenção prolongada na refinaria argentina.
Em nota, a companhia informou que está avaliando, junto a seus acionistas controladores, um possível aumento de capital, embora as discussões ainda estejam em estágio inicial.
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Análise das instituições financeiras

O Bradesco BBI revisou o preço-alvo das ações de R$ 2,80 para R$ 2, mantendo recomendação de compra. Segundo os analistas, apesar do Ebitda ajustado de R$ 1,9 bilhão ter ficado abaixo do consenso, o trimestre apresentou menor interferência de fatores externos, o que trouxe resultados mais “limpos” em comparação ao 4T25.
A divisão de Mobilidade foi destaque, com margem de R$ 149/m³, significativamente acima do nível da Vibra/Ultrapar (R$ 115–118/m³), refletindo eficiência operacional e otimização de estoques. O Ebitda de Açúcar e Renováveis somou R$ 862 milhões, em linha com o esperado, mas apresentou queda de 27% na comparação anual devido a volumes menores e menor diluição de custos.
O BTG Pactual manteve a recomendação de compra e elevou o preço-alvo para R$ 3, destacando sinais positivos operacionais. “Após a divulgação do prévia operacional, não esperávamos que os resultados da Raízen impressionassem. Contudo, a melhora na qualidade dos números surpreendeu”, afirmaram os analistas.
Desafios da safra e impactos no balanço
O início da safra de cana deste ano trouxe desafios significativos: menor rendimento de cana, custos unitários mais altos e paradas de manutenção na Argentina afetaram a lucratividade. O Ebitda caiu 18% na comparação anual, totalizando R$ 1,9 bilhão. Mesmo assim, os resultados ficaram 6% acima das expectativas da instituição.
Entre os pontos positivos, destacam-se:
- Controle de capex e despesas, com impacto mais relevante do que o previsto;
- Balanço mais limpo e líquido, com menor risco financeiro oriundo de trading;
- Segmento de combustíveis no Brasil superando expectativas.
O custo da dívida líquida no trimestre foi de R$ 1,6 bilhão (R$ 6,2 bilhões anualizados), reforçando a necessidade de acelerar o processo de desalavancagem da empresa.
Perspectivas de desalavancagem e aumento de capital
A Raízen anunciou que considera a possibilidade de aumento de capital para fortalecer a estrutura financeira. Segundo o BTG: “A companhia continua avaliando proativamente, junto a seus acionistas controladores, a possibilidade de um potencial aumento de capital. As discussões estão em estágio inicial, sem termos definidos ou certeza de execução.”
Para especialistas, mesmo uma pequena melhora na geração de caixa poderia destravar valorização relevante das ações, justificando a manutenção da recomendação de compra.
Visão de outros analistas
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O BB Investimentos mantém a Raízen em revisão. A instituição avalia que, apesar do impacto das queimadas e da competição acirrada no setor de mobilidade, a empresa precisa lidar com o endividamento elevado, que pode comprometer a geração de valor para os acionistas em cenários adversos.
O UBS BB tem recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 1,50, destacando que a empresa ainda tem muito a avançar antes de proporcionar retornos consistentes. “A Raízen reportou resultados positivos após reestruturações anteriores, mas o fluxo de caixa negativo de R$ 14 bilhões ainda prejudica o sentimento do mercado”, ressaltam os analistas.
Oportunidades e riscos para investidores

Apesar da queda recente, o mercado vê sinais de melhoria:
- Redução de 20% nas despesas gerais e administrativas;
- Potenciais desinvestimentos que podem gerar cerca de R$ 2,6 bilhões até o final do ano;
- Possibilidade de aumento de capital para desalavancagem.
Segundo compilação da LSEG com 11 casas de análise, 7 recomendam compra e 4 recomendam manutenção, com preço-alvo médio de R$ 2,49 — representando upside de 139% frente ao fechamento da última sexta-feira.
Com informações de: InfoMoney
