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Acordo EUA-China pode redefinir narrativa do Bitcoin como proteção geopolítica, dizem analistas

Analistas avaliam se o Bitcoin continuará sendo visto como proteção em meio às incertezas comerciais entre EUA e China. Acordo pode mudar essa narrativa.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

Durante abril de 2025, o Bitcoin surpreendeu investidores e analistas ao manter-se resiliente frente às turbulências do mercado tradicional.

Enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram quedas expressivas em meio às tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o BTC demonstrou força, acumulando uma valorização de 27% após cair brevemente para US$ 75 mil no início do mês.

De acordo com o conhecido trader de criptoativos “Daan Crypto”, esse comportamento pode estar ligado à percepção do Bitcoin como uma proteção contra instabilidade geopolítica e econômica — especialmente no contexto de guerras tarifárias e possíveis sanções comerciais entre potências globais.

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Desempenho do BTC: estabilidade ou especulação?

Enquanto os mercados acionários enfrentavam liquidações provocadas pelo endurecimento da retórica comercial do presidente Donald Trump, o Bitcoin manteve-se em trajetória ascendente.

Na ocasião, especulou-se que a criptomoeda estava sendo usada por governos ou entidades para contornar barreiras comerciais — uma narrativa reforçada por declarações de influenciadores do mercado.

Contudo, essa hipótese passou a ser testada recentemente, com os sinais de progresso nas conversas entre Washington e Pequim para um possível acordo comercial. A questão que permanece é: o BTC continuará performando bem mesmo após a redução das tensões?

Progresso nas negociações pode desafiar narrativa de proteção do Bitcoin

No dia 11 de maio, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que houve “avanços substanciais” nas conversas bilaterais entre Estados Unidos e China.

Embora um acordo formal ainda não tenha sido anunciado, a sinalização de progresso já impactou os mercados, com o dólar mostrando fortalecimento e ações asiáticas recuperando parte das perdas anteriores.

No entanto, o impacto sobre o Bitcoin ainda é motivo de debate entre analistas. Para Daan Crypto, se a performance do BTC foi de fato impulsionada pela incerteza comercial, um acordo deveria fazer com que o ativo perdesse força relativa frente a outras classes.

“Se a incerteza era o principal motor da valorização, um acordo sólido deveria desacelerar o ímpeto do Bitcoin”, escreveu Daan em seu perfil na plataforma X (antigo Twitter).

Bitcoin continuará subindo mesmo com acordo?

Arthur Hayes btc bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Apesar das expectativas de menor tensão comercial, analistas como Jeff Mei, diretor de operações da BTSE, acreditam que o Bitcoin pode se beneficiar de um acordo entre as potências:

“Investidores institucionais estão mais propensos a alocar em Bitcoin à medida que as incertezas diminuem. A perspectiva de cortes nas taxas de juros também favorece ativos alternativos como o BTC.”

Além de servir como proteção em tempos de crise, o Bitcoin tem sido cada vez mais considerado uma alternativa de crescimento em ambientes de juros baixos, onde os retornos tradicionais tornam-se menos atraentes.

Acordo pode gerar enfraquecimento do dólar e impulso ao BTC

Outro fator que pode beneficiar o Bitcoin, mesmo com um acordo comercial, é a possibilidade de enfraquecimento do dólar. Conforme aponta Jupiter Zheng, da HashKey Capital, um acerto entre EUA e China pode estimular o capital especulativo:

“Se o acordo provocar maior liquidez nos mercados emergentes ou enfraquecer o dólar, o BTC pode atingir novas máximas.”

Entenda os fatores que influenciam a reação do Bitcoin ao acordo comercial

Tarifa, Liquidez e Narrativas: os vetores do comportamento do BTC

O desempenho do Bitcoin diante de eventos macroeconômicos é multifatorial. Três elementos ajudam a explicar essa dinâmica:

Tarifas e geopolítica

Desde 2023, o BTC tem sido usado como uma narrativa de refúgio diante de riscos geopolíticos, especialmente diante do aumento das tarifas comerciais e da militarização do comércio internacional. A percepção de que o Bitcoin pode ser usado para escapar do controle estatal alimenta essa tese.

Fluxo de liquidez

A alta da base monetária global (M2), sobretudo nos EUA, cria condições para valorização de ativos escassos como o BTC. Se o acordo EUA-China resultar em mais estímulos ou menos aperto monetário, isso tende a ser positivo para as criptomoedas.

Narrativas institucionais

Investidores institucionais estão cada vez mais atentos às narrativas que moldam o apetite por risco. A normalização das relações comerciais pode fortalecer a visão do BTC como “ativo alternativo de portfólio”, e não apenas um hedge contra o caos.

O que pode acontecer com o Bitcoin após o acordo EUA-China

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Cenário 1: Acordo robusto, menor incerteza e correção moderada no BTC

Se o acordo for percebido como abrangente, eliminando barreiras significativas e gerando previsibilidade, é possível que o Bitcoin sofra uma leve correção. Parte da alta recente pode ser atribuída ao medo dos mercados — um fator que desapareceria nesse contexto.

Cenário 2: Acordo limitado, manutenção de tensões e continuidade da alta

Caso o acordo anunciado seja parcial ou mantenha ambiguidade sobre questões críticas como tecnologia, tarifas agrícolas e segurança nacional, o BTC pode manter o seu impulso atual. A ausência de resolução clara pode continuar sustentando a tese do Bitcoin como proteção geopolítica.

Cenário 3: Sem acordo, escalada de tensões e BTC rumo a novas máximas

Se as conversas fracassarem ou houver novo agravamento nas tensões, o Bitcoin pode ser um dos ativos mais beneficiados. Em cenários de insegurança extrema, ele tende a se destacar como reserva digital fora do sistema tradicional, especialmente para países sob ameaça de sanções ou bloqueios financeiros.

Impacto global e papel do Bitcoin no novo comércio internacional

Diversas nações, especialmente aquelas em desacordo com os EUA, têm buscado alternativas ao dólar como moeda de comércio internacional. O Bitcoin aparece como uma opção neutra, sem controle de nenhum governo e resistente à censura — o que o torna atraente em um mundo cada vez mais polarizado.

Uso institucional cresce com amadurecimento do mercado

Empresas, bancos e fundos de investimento continuam aumentando sua exposição a ativos digitais. Em paralelo, produtos regulados como ETFs de Bitcoin têm acelerado essa adoção, fornecendo acesso facilitado a investidores tradicionais.

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) tem sinalizado mais abertura à regulação responsável dos ativos digitais. A aprovação de diversos ETFs cripto, incluindo de Ethereum, sugere um ambiente institucional mais favorável.

Conclusão: o futuro do Bitcoin está além da geopolítica — mas ela ainda importa

Bitcoin Core
Imagem: Michael Wensch / Domínio Público

A possível assinatura de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China será um marco geopolítico importante, com impactos em todas as classes de ativos — incluindo o Bitcoin. A reação do BTC ao anúncio será uma prova de fogo para avaliar se a criptomoeda está sendo guiada por fundamentos ou narrativas momentâneas.

Se o BTC mantiver sua força mesmo após a eliminação de riscos comerciais, será um sinal claro de que seu status como ativo estratégico global está cada vez mais consolidado. Por outro lado, uma correção pontual também será interpretada com naturalidade, já que o mercado cripto é, por natureza, volátil e sensível a mudanças de sentimento.

O que parece certo é que o Bitcoin está se tornando parte integrante do debate sobre finanças internacionais, proteção patrimonial e reconfiguração da ordem monetária mundial. E a forma como o mercado reagirá ao acordo EUA-China será um excelente termômetro do estágio atual dessa transformação.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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